Minha intenção ao escrever o último texto não foi de criar uma nova meta-narrativa, explicar o mundo todo num textinho e sair roubando pirulito de criança pela rua (se bem que não deixa de ser uma boa idéia...)
Não foi também um texto escrito por um aristocrata, que tem prazer em mostrar força desmedida, pisar no fraco, dar mostras excessivas de poder e cobrar as taxas de ban.
É só ler os últimos textos e vai se ver que, pelo contrário, é o texto de um fudido na vida... um alguém que ouve looser manos, digo, Los Hermanos, e passa por cada história que são duas...
Não e não! Não vejo nessas odisséias, esses momentos difíceis, prazer algum. O único prazer que pode haver é o prazer em sofrer - o que é coisa lamentável, diga-se de passagem. O que dá prazer são, na real, as pequenas coisas do dia-a-dia: ir trabalhar, facu, ler, correr, beijo, escrever, sessão da tarde: coisas de um nerd qualquer. O único prazer que os momentos difíceis podem proporcionar são as pequenas conquistas interiores, as pequenas conclusões, as pequenas descobertas, decorrentes de se ter superado tal momento (aparentemente) hostil.
Falo - e vivo falando - dessas coisas difíceis, um tanto duras, não por prazer, mas por necessidade. Pensar o que se passa, ver onde tudo começa, ter um pouco de sinceridade, visualizar de pouco em pouco uma certa auto-superação... uma luz em meio as brumas das 6 horas da manhã de um dia de inverno - nem que seja farol de carro!
Se chamei de Conquista aquele texto, não é pq a finalidade da vida seja vencer, subjugar, ser glorioso. Muito menos quis dizer o que a vida é. Escrevi o texto por pensar ser imperativo enfrentar a nós mesmos nos nossos pequenos e grandes tormentos. É uma batalha que se direciona não para fora, mas para dentro.
Escrevi aquele texto não para "abrir a mente" das pessoas, mas para convencer o meu eu de 14/15 anos, aquele menino sem noção, sem medida, muito religioso e muito apaixonado - um idealista, acima de tudo. Não quero convencer ninguém que deus não existe, que não há bondade nos corações humanos. Meu objetivo único era (me) avisar que tudo tem muita chance a dar errado; nada é certo; uma coisa muito firme, estável, pode evaporar sem se perceber. Nada começa absolutamente bom e perfeito. Tudo que se considera concluído, bom, perfeito, é fruto de trabalho, estudo, suor, erro, cagada, fracasso e muita persistência (e até, às vezes um pouquino de esperança, uma certa convicção interna, tipo sexto sentido). As coisas não são naturalmente ordenados, mas caóticas; de pouco em pouco, com aquelas hostilidades reais ou imaginárias, do dia-a-dia, aprendendo com a tradição, com os outros e com os próprios erros, aprendemos a ordenar as coisas um pouco melhor. A ordem é uma construção. Tudo se conquista de pouco em pouco. Inclusive pode mesmo ocorrer que quando menos se percebe, podemos perder até aquilo que julgavamos ter, como já bem disse o cabeludo dos evangelhos.
Se fosse catalogar aquele texto, não o colocaria como
Filosofia: Metafísica. Ética.
Mas como:
Psicologia aplicada: Auto-ajuda.
23.2.07
21.2.07
A lenta flecha da beleza
A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. (Nietzsche, Humano demasiado humano, aforismo 149, Cia. do Bolso, 2005)
7.2.07
Conquista
Esperar que sejamos felizes; a decepção frente e a desistência da vontade de vida depois de algumas derrotas; achar indigno se dar mal na vida; o medo da dor; achar que as coisas deviam ser melhores: esses são alguns dos pontos de partida do pensamento infantil e metafísico. Ele só tem validade se de fato houvesse uma força criadora sobrenatural que determinasse q a vida tinha de ser um "doce". Mas nem mesmo o deus cristão promete isso, na medida em q afirma que os fudidos na vida devem esperara a justiça do/no céu.
O que sei é que nosso planetinha saiu de um monte de "revoluções". Aquele tal de big-ban; aquelas locuras de junção de lixo espacial que girando geraram o sol; certas explosões no sol que "o levaram" a cuspir os planetas hoje existentes, a passagem bilhões de anos até haver o resfriamento da terra e poder surgir a vida; a sobrevivência de algumas espécies, que depois de muito tempo permitiu o surgimento dos primeiros homos; o desenvolvimento do homo sapiens e sua supremacia sobre a natureza depois de cem mil anos; nas comunidades humanas a sobrevivência se dá pela superação de outras comunidades que visam os mesmos recursos primários; a luta contra seis milhões de espermatozóides pra chegar até o ovário.
Nisso acabo vendo a (minha) verdade sobre a vida: "a vida não é de brincadeira, amigo", como já diria o poeta e eu repito pela enésima vez. Luta, conflito, instinto de sobrevivência, vontade de poder: "crueldade!" na nossa concepção burguesa e cristã de pensar...
Mas sou sincero, fiquei chocado com as cenas verdadeiramente humanas de caça e subjugamento do filme do Gibson, Apocalipto. Só o mais infantil não pode reconhecer que a crueldade é humana, demasiadamente humana.
E se o mundo não seguisse sua linha caótica, hoje não estariamos aqui. Somos todos nós filhos do caos que permitiu nosso nascimento, e é a partir desse caos que devemos organizar nossa vida. Achar "se não estiver feliz, não quero viver" é coisa bem de quem não tem um mínimo de noção histórica. Agora, dizer "eu quero ser feliz e vou fazer todo possível para isso, apesar dos pesares", já é coisa bem distinta, bastante nobre - e por isso mesmo bastante imoral.
Arrisco o sentido da vida: conquistar o que se tem vontade! uso conquistar, e não conseguir, justamente para expressar que o meio para se conseguir o que se quer passa pela guerra contra algo ou alguém, logo, Conquista!
(Inclusive, esse alguém contra quem se vai lutar somos nós mesmo. Nós, os medrosos, que o digamos!)
O que sei é que nosso planetinha saiu de um monte de "revoluções". Aquele tal de big-ban; aquelas locuras de junção de lixo espacial que girando geraram o sol; certas explosões no sol que "o levaram" a cuspir os planetas hoje existentes, a passagem bilhões de anos até haver o resfriamento da terra e poder surgir a vida; a sobrevivência de algumas espécies, que depois de muito tempo permitiu o surgimento dos primeiros homos; o desenvolvimento do homo sapiens e sua supremacia sobre a natureza depois de cem mil anos; nas comunidades humanas a sobrevivência se dá pela superação de outras comunidades que visam os mesmos recursos primários; a luta contra seis milhões de espermatozóides pra chegar até o ovário.
Nisso acabo vendo a (minha) verdade sobre a vida: "a vida não é de brincadeira, amigo", como já diria o poeta e eu repito pela enésima vez. Luta, conflito, instinto de sobrevivência, vontade de poder: "crueldade!" na nossa concepção burguesa e cristã de pensar...
Mas sou sincero, fiquei chocado com as cenas verdadeiramente humanas de caça e subjugamento do filme do Gibson, Apocalipto. Só o mais infantil não pode reconhecer que a crueldade é humana, demasiadamente humana.
E se o mundo não seguisse sua linha caótica, hoje não estariamos aqui. Somos todos nós filhos do caos que permitiu nosso nascimento, e é a partir desse caos que devemos organizar nossa vida. Achar "se não estiver feliz, não quero viver" é coisa bem de quem não tem um mínimo de noção histórica. Agora, dizer "eu quero ser feliz e vou fazer todo possível para isso, apesar dos pesares", já é coisa bem distinta, bastante nobre - e por isso mesmo bastante imoral.
Arrisco o sentido da vida: conquistar o que se tem vontade! uso conquistar, e não conseguir, justamente para expressar que o meio para se conseguir o que se quer passa pela guerra contra algo ou alguém, logo, Conquista!
(Inclusive, esse alguém contra quem se vai lutar somos nós mesmo. Nós, os medrosos, que o digamos!)
Percepção
Uma verdade da percepção: aos iguais se ama, aos grandes se adora e aos pequenos se pisa. E não esquecer: a percepção do outro nunca é objetiva, é sempre determinada pelo nosso olhar, num dado contexto e num dado campo da vida social. (A amada de hj pode ser o pé no saco de amanhã. O mendigo desprezível de ontem pode ser seu pesadelo amanhã).
Talvez por essa potencialidade de cada ser de virar a mesa do nada, cada forma de vida merece certo respeito, ao menos por precaução.
Talvez por essa potencialidade de cada ser de virar a mesa do nada, cada forma de vida merece certo respeito, ao menos por precaução.
1.2.07
A Clarissa
Ela caminhava com o cotidiano peso muito chato do inferno nas costas. E o pano já tava bem seco. Já há bastante tempo seco. Era noite bem clara, e a cabeça doía com tanta luz de carro e poste. Clarissa - que era seu nome - preferiu tomar uma rua deserta, à direita, pois mais a frente via aquelas porra de guri cheios de porra pra dar. Não queria nada disso essa noite. O corpo queria um pouco de pão. O peito, um lar. Um de verdade, daqueles de pai trabalhador e mãe que faz bolinhos gostosos. A rua não é casa pra ninguém, sentia. Por quê não podia ser igual a merda dessas pati fudida, cheia de grana e caras legais atras delas. "Porra! Imagina acordar com uma família du caralho numa mesa cheia de coisa boa de comer". Por quê não podia ter uma mãe rica e, quem sabe, um pai? "Se as coisas fossem um pouco diferentes...''
Assim longe, devaneando, adormeceu num canto sujo e escondido e escurdo e vazio de gente. Sonhava. Sonhava que era uma menina de rua sem pai. Ao que dizem, seu pai viajara o Brasil todo, homem andado. Do Ceará, onde nasceu, viajara para São Paulo; de São Paulo, decidiu ir para Porto Alegre, lá por volta de 1980. Têm gente que nasce com má sina, como é seu caso de retirante nordestino. A mãe é mesmo gaúcha, desde não sabe quando puta e alcóolatra. Não era bem um sonho, era mais um pesadelo - sonhava que era ela mesma. Nisso, ninguém menos que a fada madrinha lhe cutucou o ombro. Linda, vestido azul, gorda, e com a varinha de condão.
"Que queres, minha filha?", pergunta com voz enfadonha aquela dádiva dos contos de fadas. "Que meus pais tivessem condições melhores de vida...". "Assim seja" respondeu a gorda alemoa.
Num passe de mágica, tudo mudou. Seu pai, no Ceará, viu cair chuva suficiente pra dar uma revivida no sertão. Viveu alguns anos bons e acabou por se empregar capataz de um coronél malvado, mas com o salário podia ter uma vida bastante razoável. Teve seis filhas: a Maria do Socorro, a Conceição, Maria do Rosário, a Carolina, a Joana e a Rita de Cássia. A mãe de Clarrisa encontrou, numa mudança de maré quando jovem, a possibilidade de fazer um curso de secretariado. Virou secretária. Não teve filhas. Fim do sonho.
Clarissa acordou. Ficou mais nauseada ainda. Não sabia o que era pior: se essa vida assim - a "sorte" de ter nascido - ou simplismente, a dádiva da fada...
O jeito era encontrar uma gasolina com alguém. Era uma boa encontrar o Migué, também. Só uma gozadinha pra esquecer um pouco.
Assim longe, devaneando, adormeceu num canto sujo e escondido e escurdo e vazio de gente. Sonhava. Sonhava que era uma menina de rua sem pai. Ao que dizem, seu pai viajara o Brasil todo, homem andado. Do Ceará, onde nasceu, viajara para São Paulo; de São Paulo, decidiu ir para Porto Alegre, lá por volta de 1980. Têm gente que nasce com má sina, como é seu caso de retirante nordestino. A mãe é mesmo gaúcha, desde não sabe quando puta e alcóolatra. Não era bem um sonho, era mais um pesadelo - sonhava que era ela mesma. Nisso, ninguém menos que a fada madrinha lhe cutucou o ombro. Linda, vestido azul, gorda, e com a varinha de condão.
"Que queres, minha filha?", pergunta com voz enfadonha aquela dádiva dos contos de fadas. "Que meus pais tivessem condições melhores de vida...". "Assim seja" respondeu a gorda alemoa.
Num passe de mágica, tudo mudou. Seu pai, no Ceará, viu cair chuva suficiente pra dar uma revivida no sertão. Viveu alguns anos bons e acabou por se empregar capataz de um coronél malvado, mas com o salário podia ter uma vida bastante razoável. Teve seis filhas: a Maria do Socorro, a Conceição, Maria do Rosário, a Carolina, a Joana e a Rita de Cássia. A mãe de Clarrisa encontrou, numa mudança de maré quando jovem, a possibilidade de fazer um curso de secretariado. Virou secretária. Não teve filhas. Fim do sonho.
Clarissa acordou. Ficou mais nauseada ainda. Não sabia o que era pior: se essa vida assim - a "sorte" de ter nascido - ou simplismente, a dádiva da fada...
O jeito era encontrar uma gasolina com alguém. Era uma boa encontrar o Migué, também. Só uma gozadinha pra esquecer um pouco.
30.1.07
Errata
No poema abaixo, faltavam palavras que prejudicaram a compreensão. se já leu, leiua de novo, por que leu errado
do óbvio
Temos que parabenizar a rede globo.
Sou um cara com algum senso crítico (apesar de meus amigos discordarem tenzamente disso). Quando olho aquela porra, sei que realmente não presta. É tipo um artigo industrial de terceira linha. Os desenhos bons trazidos de fora são completamente picotados, o que também acontece com os filmes. Ela se diz defensora das minorias normalmente reprimidas, como negros e homossexuais - mas normalmente negras são empregadas e as cenas entre gays sao bastante puras e castas (dois gays na cama se dão boa noite e vão dormir; na cena seguinte, um casalzinho teen qualquer tá vá a pegação no quartinho). É algo realmente...
Mas que seja!, como disse, não vim falar coisas clichês, apenas parabenizar.
Mantendo uns 10 ou 20 milhões de brasileiros na frente da tv pelo menos umas 3 horas por dia, com programas medíocres, impulsionando um consumismo desbragado, uma libertinagem estúpida, uma padrão de beleza artificial (nunca vi tanta mulher gata junta senão no faustão), enfim, por meio de pleno domínio sobre as massas sem acesso a tv a cabo, a Globo tornou-se sem dúvida a representação principal da força e do poder na nossa sociedade: o domínio inquestionável da Família Marinho - e daqueles a quem prestam seus serviço - sobre as ovelinhas. Jesus Cristo e seus pastores que se cuidem!
É vitória louvável dos fortes, daqueles que nasceram para mandar! É a manutenção da submissão da vulgaridade, do populacho, desse povo que sofre e ri ao mesmo tempo!
Chega! Hora da sessão da tarde...
Sou um cara com algum senso crítico (apesar de meus amigos discordarem tenzamente disso). Quando olho aquela porra, sei que realmente não presta. É tipo um artigo industrial de terceira linha. Os desenhos bons trazidos de fora são completamente picotados, o que também acontece com os filmes. Ela se diz defensora das minorias normalmente reprimidas, como negros e homossexuais - mas normalmente negras são empregadas e as cenas entre gays sao bastante puras e castas (dois gays na cama se dão boa noite e vão dormir; na cena seguinte, um casalzinho teen qualquer tá vá a pegação no quartinho). É algo realmente...
Mas que seja!, como disse, não vim falar coisas clichês, apenas parabenizar.
Mantendo uns 10 ou 20 milhões de brasileiros na frente da tv pelo menos umas 3 horas por dia, com programas medíocres, impulsionando um consumismo desbragado, uma libertinagem estúpida, uma padrão de beleza artificial (nunca vi tanta mulher gata junta senão no faustão), enfim, por meio de pleno domínio sobre as massas sem acesso a tv a cabo, a Globo tornou-se sem dúvida a representação principal da força e do poder na nossa sociedade: o domínio inquestionável da Família Marinho - e daqueles a quem prestam seus serviço - sobre as ovelinhas. Jesus Cristo e seus pastores que se cuidem!
É vitória louvável dos fortes, daqueles que nasceram para mandar! É a manutenção da submissão da vulgaridade, do populacho, desse povo que sofre e ri ao mesmo tempo!
Chega! Hora da sessão da tarde...
24.1.07
Deixa a menina sambar
- Olhar aquela rosa
flor linda de morrer
e não tê-la
é um desafeto,
uma tristeza!
- Mas que diz tu, homem?
Olha ela:
Linda, leve, risonha
com todas as cores do arco-íris.
Não há vela que não se acenda com a luz dela.
Viva rosa purpurina
Deixa ela livre, que
se tu arrancar do caule
ela morre, seca,
murcha !
A flor tem de ser livre
pra iluminar e resplandecer.
Deixa desse patrimonialismo!
- Pois é, se trancafio, morre.
Talvez seja menos pior assim.
Pelo menos me posso contentar
com seu sorriso cativante
Essa rosa de luz
Que em rodopios de luz e cor
me deixa transparente:
todos vêem meu abobecimento!
- E o pior pra você, sei, vai ser vê-la sempre tão
linda, feliz,
sem tua presença.
Mas perceba, ela só assim vai ser
enquanto for livre,
enquanto puder se decidir.
Se tu pudesses escolher por ela
terias a cera
mas não a luz da vela.
flor linda de morrer
e não tê-la
é um desafeto,
uma tristeza!
- Mas que diz tu, homem?
Olha ela:
Linda, leve, risonha
com todas as cores do arco-íris.
Não há vela que não se acenda com a luz dela.
Viva rosa purpurina
Deixa ela livre, que
se tu arrancar do caule
ela morre, seca,
murcha !
A flor tem de ser livre
pra iluminar e resplandecer.
Deixa desse patrimonialismo!
- Pois é, se trancafio, morre.
Talvez seja menos pior assim.
Pelo menos me posso contentar
com seu sorriso cativante
Essa rosa de luz
Que em rodopios de luz e cor
me deixa transparente:
todos vêem meu abobecimento!
- E o pior pra você, sei, vai ser vê-la sempre tão
linda, feliz,
sem tua presença.
Mas perceba, ela só assim vai ser
enquanto for livre,
enquanto puder se decidir.
Se tu pudesses escolher por ela
terias a cera
mas não a luz da vela.
22.1.07
O que seria daquela loirinha linda do cabelo ruim da praia e o que será do futuro filho daquela grávida fumante da parada do bonde
O deprimente: minha capacidade em ser incapaz de concretizar desejos e vontades.
A gente vai se calando devido uma certa delicadeza e bom senso que se chamam medo. Medo de transgredir, medo de chamar a atenção, medo de se ferir, medo de "pagar vale", medo de vaia, falatório e chacota. A gente vai se emudecendo, segurando a mão, travando as pernas, impedindo que a nossa vida se realize e mantendo a condição de cidadão de bem e homem de respeito. E haja anti-depressivo pra tudo isso.
A gente vai se calando devido uma certa delicadeza e bom senso que se chamam medo. Medo de transgredir, medo de chamar a atenção, medo de se ferir, medo de "pagar vale", medo de vaia, falatório e chacota. A gente vai se emudecendo, segurando a mão, travando as pernas, impedindo que a nossa vida se realize e mantendo a condição de cidadão de bem e homem de respeito. E haja anti-depressivo pra tudo isso.
26.12.06
20.12.06
Aos idealistas de plantão
A vida/história tem desíginos irresistíveis. Ou se aceita o jogo ou deixe-se por morrer. Ou resignção frente a não concretização dos idealismos ou o sucumbimento. Por idealismo chamo as vontades criadas referentes a objetivos desnecessários e/ou inalcansáveis, mas aos quais damos o caráter de imprescindíveis - mesmo que por vezes não seja senão vontade de momento ou vontades criadas observando-se a vida de outros.
"A vida não é de brincadeira, amigo", já diria o poeta.
Para "viver a vida" precisa-se de um pouco de silêncio, solidão, um resquício de ressentimento, ouvidos atentos, cérebro em movimento, um constante "voltar-se para si". E tão importante quanto o já dito: músculos prontos para ação, fôlego para as grandes jornadas, resistência para duras privações e um coração forte para bombear sangue em profusão para um corpo em "realização".
C'est la vie!
"A vida não é de brincadeira, amigo", já diria o poeta.
Para "viver a vida" precisa-se de um pouco de silêncio, solidão, um resquício de ressentimento, ouvidos atentos, cérebro em movimento, um constante "voltar-se para si". E tão importante quanto o já dito: músculos prontos para ação, fôlego para as grandes jornadas, resistência para duras privações e um coração forte para bombear sangue em profusão para um corpo em "realização".
C'est la vie!
14.12.06
A Rainha dos Baixinhos
I lári lári ê
oh oh oh
é a turma da xuxa
ue vai dado seu alô
Acesse o endereço a baixo:
Atenção: endereço proibido para menores de 18 anos. e pra quem não quer acabar com todos os monumentos da infancia (huahuahuahua)
12.12.06
"Bah, preciso da merda desse dvd na minha estante. Esse livro: finalmente! e até que tá baratinho. Que acidez du cão! Sem um chocolate agora não sou capaz de viver. Pelo amor de Deus, tenho que ver aquela menina de rosa passar - na minha cama, de preferência! Bosta sinal vermelho pra mim!, muito certo que se não correr vô me atrasar: ah! esse motorista que espere, eu preciso me apressar mais que ele!".
"Finalnamente um sinal aberto! To vendo a cara de cú do chefe! Putz, cadê o cd?
No guarda-luva? ... Porra!!! que batida foi essa no carro?"
"Coitadinho do Lu! Tão novo! Pelo menos teve tudo que sempre quiz! Mas olha a aflição da mãe dele."
"PUTA QUE PARIU! e não é que a m... de deus existe mesmo! 'Merda de deus' mesmo, se já to aqui, não faz mais diferença xingar ou não xingar! Tudo que quiria era mais uns minutos de vida! Falar mais um pouco mal de deus... e um pouco de tédio também caia bem..."
"Finalnamente um sinal aberto! To vendo a cara de cú do chefe! Putz, cadê o cd?
No guarda-luva? ... Porra!!! que batida foi essa no carro?"
"Coitadinho do Lu! Tão novo! Pelo menos teve tudo que sempre quiz! Mas olha a aflição da mãe dele."
"PUTA QUE PARIU! e não é que a m... de deus existe mesmo! 'Merda de deus' mesmo, se já to aqui, não faz mais diferença xingar ou não xingar! Tudo que quiria era mais uns minutos de vida! Falar mais um pouco mal de deus... e um pouco de tédio também caia bem..."
11.12.06
E a nobreza?
Onde se encontra hoje a casta de nobres, dos super-homens nietzschiniano? Onde estão esses homens fortes, que fazem da sua vontade verdade e realidade, sempre prontos a pôr os músculos em ação, criadores de valores e de sua própria moral, nascidos pra ser senhores, com poder tamanho para enfrentar o prório governo central, onde estão? Quem é hoje a nobreza?
Será que se encotram nas bibliotecas das grandes universidades, nos apartamentos de nossa classe média alta, ou nas Cultura das nossas cidades?
Acho q não!
Cito: "Digamos (...) de que modo começou na terra toda sociedade superior! Homens de uma natureza ainda natural, bárbaros em toda terrível acepção da palavra, homens de rapina, ainda possuídores de vontade e ânsias de poder intactas(...). A casta nobre sempre foi, no início, a casta nobre de bárbaros." (Além do bem e do mal, aforismo 257).
Se são os bárbaros a casta nobre talvez, a partir da localização geográfica dos bárbaros medievais, possamos encotrar uma pista dos nobres de hoje. Se os bárbaros medievais habitavam a periferia (da periferia) do mundo civilizado - à margem das grandes Índia, China, Bizâncio e da civilização árabe - acredito, então, que os novos nobres se encontram, igualmente, na periferia da civilização.
De cima dos morros, de AK nas mãos dando tiro em "polícia" e rival, submetendo o fraco, mandando seus "aviãozinhos" pra onde querem, mandnado nos negócios mesmo presos, inventando suas gírias, impondo sua moral, construindo uma sociedade altamente hierarquizada: não vejo senão no traficante de hoje a síntese mais precisa da nobreza nietzschiniana. Não sei se eles estão certos ou errados, só sei que a palavra deles é lei e sua vontade é vontade de poder. E como qualquer um sabe, o que faz a verdade é a força.
E, agora, pra meter um pouco de pau em mim mesmo:
Minha não simpatia pela nossa democracia: um monte de cordeirinho seguindo o candidato mais correto, escolhido um mês antes da eleição, tomando por base os melhores slogans e trechos de música. Enfim, gado.
Gado que vive reclamando da realidade em que vive, mas não mexe uma palha por nada.
E a real é a seguinte: quem aceita o que está, mesmo reclamando, tem mais é q se fudê mesmo.
Os traficantes, pelo menos, inventaram sua própria verdade. Não tão nem aí pra quem tão desagradando, fazem o que querem, metendo o peito (ou os lacaios) a bala pra chegarem aonde querem.
Pois é, acho que com eles está justamente a transvalorização dos valores.
Será que se encotram nas bibliotecas das grandes universidades, nos apartamentos de nossa classe média alta, ou nas Cultura das nossas cidades?
Acho q não!
Cito: "Digamos (...) de que modo começou na terra toda sociedade superior! Homens de uma natureza ainda natural, bárbaros em toda terrível acepção da palavra, homens de rapina, ainda possuídores de vontade e ânsias de poder intactas(...). A casta nobre sempre foi, no início, a casta nobre de bárbaros." (Além do bem e do mal, aforismo 257).
Se são os bárbaros a casta nobre talvez, a partir da localização geográfica dos bárbaros medievais, possamos encotrar uma pista dos nobres de hoje. Se os bárbaros medievais habitavam a periferia (da periferia) do mundo civilizado - à margem das grandes Índia, China, Bizâncio e da civilização árabe - acredito, então, que os novos nobres se encontram, igualmente, na periferia da civilização.
De cima dos morros, de AK nas mãos dando tiro em "polícia" e rival, submetendo o fraco, mandando seus "aviãozinhos" pra onde querem, mandnado nos negócios mesmo presos, inventando suas gírias, impondo sua moral, construindo uma sociedade altamente hierarquizada: não vejo senão no traficante de hoje a síntese mais precisa da nobreza nietzschiniana. Não sei se eles estão certos ou errados, só sei que a palavra deles é lei e sua vontade é vontade de poder. E como qualquer um sabe, o que faz a verdade é a força.
E, agora, pra meter um pouco de pau em mim mesmo:
Minha não simpatia pela nossa democracia: um monte de cordeirinho seguindo o candidato mais correto, escolhido um mês antes da eleição, tomando por base os melhores slogans e trechos de música. Enfim, gado.
Gado que vive reclamando da realidade em que vive, mas não mexe uma palha por nada.
E a real é a seguinte: quem aceita o que está, mesmo reclamando, tem mais é q se fudê mesmo.
Os traficantes, pelo menos, inventaram sua própria verdade. Não tão nem aí pra quem tão desagradando, fazem o que querem, metendo o peito (ou os lacaios) a bala pra chegarem aonde querem.
Pois é, acho que com eles está justamente a transvalorização dos valores.
8.12.06
Errata e addendo
ERRATA: Acho que no post "representações" fui muito pouco claro quanto a relação entre a introdução e o resto do texto. Explico: pretendia falar sobre as representações q criamos do que achamos que os outros pensam de nós. E o q me veio na cabeça foi uma das tentativas de ser hostil com aquele filho da puta (com todo o respeito a mãe dele, é claro), isto é, minha vontade de despertar algo nele - raiva ou sentimento de humilhação. E nessa ânsia de buscar interferir no que ele pensava de mim, ela disse: "Lu, tu não precisas disso!" Por isso a frase calou fundo.
A seguir, a complicação filosófica sobre o que os outros pensam de nós.
ADDENDO: "O vaidoso se alegra de cada opinião boa que ouve sobre si mesmo (independente de qualquer ponto de vista de utilidade, e também não considerando se é falsa ou verdadeira), assim sofre de cada opinião ruim: pois ele se submete a ambas, ele se sente submetido a elas, por esse antigo instinto de submissão que nele irrompe. - É o 'escravo' no sangue do vaidoso, um vestígio da manha do escravo - e quanto de 'escravo' ainda resta hoje na mulher, por exemplo!-, que procurava sedutoramente obter boas opiniões sobre si; é também o escravo que em seguida se prosterna perante essas opiniões, como se jamais as tivesse provocado. - Seja dito mais uma verdade: a vaidade é um atavismo." "Para um homem nobre, a vaidade está entre as coisas de mais difícil compreensão."(Nietzsche, Para além do bem e do mal, aforismo 261)
A seguir, a complicação filosófica sobre o que os outros pensam de nós.
ADDENDO: "O vaidoso se alegra de cada opinião boa que ouve sobre si mesmo (independente de qualquer ponto de vista de utilidade, e também não considerando se é falsa ou verdadeira), assim sofre de cada opinião ruim: pois ele se submete a ambas, ele se sente submetido a elas, por esse antigo instinto de submissão que nele irrompe. - É o 'escravo' no sangue do vaidoso, um vestígio da manha do escravo - e quanto de 'escravo' ainda resta hoje na mulher, por exemplo!-, que procurava sedutoramente obter boas opiniões sobre si; é também o escravo que em seguida se prosterna perante essas opiniões, como se jamais as tivesse provocado. - Seja dito mais uma verdade: a vaidade é um atavismo." "Para um homem nobre, a vaidade está entre as coisas de mais difícil compreensão."(Nietzsche, Para além do bem e do mal, aforismo 261)
30.11.06
Dom Quixote
Tinha acabado minha hora de vigília na fila do show dos los hermanos. Quando substituído pela minha colega, fui pro Antoni's Bar tomar meu clássico açúcar com leito, digo, leite com muuuito açúcar. Lá encontrei uma colega. Um amor de guria. Depois, pensei comigo: "vô dá uma visitada lá no banheiro da FACED!". Subi até o oitavo andar pois, além de papel higiênico, o banheiro desse andar tem espelho.
De tão afoito que tava, nem parei pra olhar o papel afixado à porta. Entrei, olhei de relance outro papel afixado junto a fechadura e, arigó, tranquei a porta. Depois de alguns minutos conversando comigo mesmo no espelho, parei pra ler o aviso da porta. Dizia algo mais ou menos assim: "Não tranque! Fechadura com problemas, está emperrando!"
"Beleza", pensei comigo, "vô perde a porra do show no banheiro da FACED!" Comecei a ficar inquieto, até que pensei: "faz o que tu vinha fazer, depois a gente vê". Sentei. Mas a perspectiva de perder o show me deixava agonizado. Até que, num momento quase zen (como é próprio quando se está no trono), pensei comigo: "Esquece essa fechadura. Agora aqui, depois ali". Aí me aquietei.
Já limpinho, de mão lavada, fui tentar abrir a porta. Em não mais de trinta segundos - nos quais já tinha falado todos meus palavrões preferidos - consegui abrir a porta, pra depois curtir uma das coisas mais AFUDES que já participei nos últimos tempos.
Moral da História: Uma cagada de cada vez!
Ou como já diria o barbudo, "A cada dia os seus próprios problemas" (pois é, acho que sou praticamente um reconvertido). Ou como já diria o Pica-Pau: "Pra que se preocupar com o amanhã se ele termina depois de amanhã?".
A gente têm a mania de fazer de uma possibilidade de problema um monstro q, quando a gente vai ver, não era quase nada. Atucanando a cabeça com problemas futuros, só difultamos a situação atual - sobretudo quando a gente já tá na merda (que, literalmente, era o meu caso)!
De tão afoito que tava, nem parei pra olhar o papel afixado à porta. Entrei, olhei de relance outro papel afixado junto a fechadura e, arigó, tranquei a porta. Depois de alguns minutos conversando comigo mesmo no espelho, parei pra ler o aviso da porta. Dizia algo mais ou menos assim: "Não tranque! Fechadura com problemas, está emperrando!"
"Beleza", pensei comigo, "vô perde a porra do show no banheiro da FACED!" Comecei a ficar inquieto, até que pensei: "faz o que tu vinha fazer, depois a gente vê". Sentei. Mas a perspectiva de perder o show me deixava agonizado. Até que, num momento quase zen (como é próprio quando se está no trono), pensei comigo: "Esquece essa fechadura. Agora aqui, depois ali". Aí me aquietei.
Já limpinho, de mão lavada, fui tentar abrir a porta. Em não mais de trinta segundos - nos quais já tinha falado todos meus palavrões preferidos - consegui abrir a porta, pra depois curtir uma das coisas mais AFUDES que já participei nos últimos tempos.
Moral da História: Uma cagada de cada vez!
Ou como já diria o barbudo, "A cada dia os seus próprios problemas" (pois é, acho que sou praticamente um reconvertido). Ou como já diria o Pica-Pau: "Pra que se preocupar com o amanhã se ele termina depois de amanhã?".
A gente têm a mania de fazer de uma possibilidade de problema um monstro q, quando a gente vai ver, não era quase nada. Atucanando a cabeça com problemas futuros, só difultamos a situação atual - sobretudo quando a gente já tá na merda (que, literalmente, era o meu caso)!
22.11.06
representações
Esperava o ônibus com uma amiga minha, uma menina de nome forte. Mais um tempo, vi q se aproximava a única figura nesse mundo que eu acho realmente lamentável. Um cara bastante medíocre. Então, comentei com essa minha amiga uma possibilidade de tentar constrangê-lo. Aí, numa de suas típicas frases curtas, ela disse: "Lu, tu não precisa disso"... Não posso negar o impacto dessa frase.
Todo santo dia, é batata!, tem alguém pra me enfiar uma crítica(e não mais do q isso, por favor!). Seja uma palavra, uma careta, um deboche, uma conversa cruzada. E o pior é que é por gente que mal conheço.
Tipo, numa festinha na casa de um colega meu, esses dias, depois de pequenos debates sobre "votar ou não votar", simplesmente ouvi algo do tipo, de um cara pro outro, como se não fosse pra mim: "Dpois de tudo q disse, ainda tem a cara de pau pra dizer q não tem maturidade pra votar". Parece pouco. E de fato o é. Mas foi o suficiente pra estragar a noite e me deixar quase todo o findi de acídia.
Porra, e quem é de fato aquele cara na minha vida? Ninguém!
(??????????)
Ninguém, a não ser uma pessoa q eu vivo enchendo de críticas.
E aí esta "morta", já há dois mil anos anunciada: "Não julgues, e não sereis julgados"´. Não sou muito fã desse tal de Cristo, mas sua capacidade de "simancol" é admirável. Essa é a coisa mais certa que tem, mas a gente nunca, nunca, nunca percebe. Teça alguma idéia sobre alguém, monte na sua cabeça todos os seus defeitos. Espere mais um pouco, e você vai se ver refém de um ataque dessa mesma pessoa. Pode ser muito pocua coisa, mas a tua vaidade vai inflamar tanto o ataque, que este será intragável. Esse tipo de "o feitiço virou contra o feiticeiro" foi a coisa mais bem acertada na minha lata nestes últimos tempos.
Pense, fale mal de alguém em alguma coisa. O condenado será você mesmo. "Com a mesma medida que medirdes, vó sereis medidos"!
E já dizia uma amiga minha, minha caroneira: "Se tem alguma coisa em alguém q te incomoda, pode ter certeza q isso é algo q tu vê de falho em ti mesmo"! Batata! "Tire a palha do teu olho antes apontar a trave no olho do teu irmão"!
Pois é, to meio cristão nesse texto. Mas é só aparência. Indicação: Lo Capítulo "o que se representa", do Schopenhauer, no aforismo sobre a felicidade na vida.
Todo santo dia, é batata!, tem alguém pra me enfiar uma crítica(e não mais do q isso, por favor!). Seja uma palavra, uma careta, um deboche, uma conversa cruzada. E o pior é que é por gente que mal conheço.
Tipo, numa festinha na casa de um colega meu, esses dias, depois de pequenos debates sobre "votar ou não votar", simplesmente ouvi algo do tipo, de um cara pro outro, como se não fosse pra mim: "Dpois de tudo q disse, ainda tem a cara de pau pra dizer q não tem maturidade pra votar". Parece pouco. E de fato o é. Mas foi o suficiente pra estragar a noite e me deixar quase todo o findi de acídia.
Porra, e quem é de fato aquele cara na minha vida? Ninguém!
(??????????)
Ninguém, a não ser uma pessoa q eu vivo enchendo de críticas.
E aí esta "morta", já há dois mil anos anunciada: "Não julgues, e não sereis julgados"´. Não sou muito fã desse tal de Cristo, mas sua capacidade de "simancol" é admirável. Essa é a coisa mais certa que tem, mas a gente nunca, nunca, nunca percebe. Teça alguma idéia sobre alguém, monte na sua cabeça todos os seus defeitos. Espere mais um pouco, e você vai se ver refém de um ataque dessa mesma pessoa. Pode ser muito pocua coisa, mas a tua vaidade vai inflamar tanto o ataque, que este será intragável. Esse tipo de "o feitiço virou contra o feiticeiro" foi a coisa mais bem acertada na minha lata nestes últimos tempos.
Pense, fale mal de alguém em alguma coisa. O condenado será você mesmo. "Com a mesma medida que medirdes, vó sereis medidos"!
E já dizia uma amiga minha, minha caroneira: "Se tem alguma coisa em alguém q te incomoda, pode ter certeza q isso é algo q tu vê de falho em ti mesmo"! Batata! "Tire a palha do teu olho antes apontar a trave no olho do teu irmão"!
Pois é, to meio cristão nesse texto. Mas é só aparência. Indicação: Lo Capítulo "o que se representa", do Schopenhauer, no aforismo sobre a felicidade na vida.
20.11.06
Metatexto
Meu amigo leu o blog nesse último findi. Achou bom, mas fez críticas pertinentes: é um texto de crítica aos academicistas, escrito de uma forma muito academicista; prum blog com o nome que tem, tá muito limpinho. Concordo.
Ele me aconselhou a escrever histórias. Iria me expor menos. Diminuiria, incluisive, a possibilidade de tomar um pedraço de alguém que tenha entendido mal o que escrevi. Ou entendido muito bem, quem sabe.
Tenho algumas coisas q faz tempo que queria blogar, mas que tava meio indeciso, por serem coisas mais íntimas, mais ou menos direcionadas a pessoas específicas. Mas que seja, depois decido.
Ele me aconselhou a escrever histórias. Iria me expor menos. Diminuiria, incluisive, a possibilidade de tomar um pedraço de alguém que tenha entendido mal o que escrevi. Ou entendido muito bem, quem sabe.
Tenho algumas coisas q faz tempo que queria blogar, mas que tava meio indeciso, por serem coisas mais íntimas, mais ou menos direcionadas a pessoas específicas. Mas que seja, depois decido.
14.11.06
imagensimagensimagens
Ontem um colega me reclamou que seus opositores da outra chapa o chamaram de partidário do PFL: "Porra meu, eu militei no MES e esses manés vem dizer isso". Mas, por outro lado, tem umas pinta da chapa deste meu colega que simplesmente chamam a opostição de "as viúvas".
Se se for parar pra pensar, dá pra ver que o que mais impulsiona a nossa prática política democrática são muito mais as imagens, as representações, do que os objetivos práticos propriamente ditos. Não se luta por uma universidade mais atenta com a nossa sociedade terceiro-mundista, tá-se mais preocupado em pintar o outro como o vilão da história, atacá-lo desemedidamente e, por fim, aquietar-se em seu canto, "consciente" de ter feito uma prática eficaz de intervenção na realidade.
Talvez isso nã seja senão uma reprodução dos hábitos da nossa sociedade. Optamos pelo partido do coração, ou o da cara da mulher ativa, ou o do empregado do povo, votamos e, já em casa, nos regozijamos pela participação consciente no processo democrático.
Pro inferno essa tal de democracia. O governo ideal necessariamente é o governo dos fortes! Essa é a lei da natureza! O forte transforma sua vontade em realidade.
Por que será que o proletáriado tem que trabalhar oito horas por dia pra pagar os inúmeros carnês das mais diferentes lojas, freqüentar umas escolas murrinhas quando criança/adolescente e, durante esse tempo todo, assistir muita televisão?
Pra não pensar, pra não se preocupar com seu destino! Pra continuar dependente do cuidado dos outros, seja ele dos nossos polítcos tradicionais, da mídia ou da opinião alheia. "Pra que ser forte, se a outro q me sustenta? ". Os Defensoeres do Sistema sabem muito bem disso.
Essa é a lógica do sistema. Estamos TODOS irremediavelmente presos a isso. E o processo de ultrapassagem da menoridade, como o diz o Kant, é um processo árduo...
bom, tá na hora! Até mais, pois já vai começar a novela. Até
Se se for parar pra pensar, dá pra ver que o que mais impulsiona a nossa prática política democrática são muito mais as imagens, as representações, do que os objetivos práticos propriamente ditos. Não se luta por uma universidade mais atenta com a nossa sociedade terceiro-mundista, tá-se mais preocupado em pintar o outro como o vilão da história, atacá-lo desemedidamente e, por fim, aquietar-se em seu canto, "consciente" de ter feito uma prática eficaz de intervenção na realidade.
Talvez isso nã seja senão uma reprodução dos hábitos da nossa sociedade. Optamos pelo partido do coração, ou o da cara da mulher ativa, ou o do empregado do povo, votamos e, já em casa, nos regozijamos pela participação consciente no processo democrático.
Pro inferno essa tal de democracia. O governo ideal necessariamente é o governo dos fortes! Essa é a lei da natureza! O forte transforma sua vontade em realidade.
Por que será que o proletáriado tem que trabalhar oito horas por dia pra pagar os inúmeros carnês das mais diferentes lojas, freqüentar umas escolas murrinhas quando criança/adolescente e, durante esse tempo todo, assistir muita televisão?
Pra não pensar, pra não se preocupar com seu destino! Pra continuar dependente do cuidado dos outros, seja ele dos nossos polítcos tradicionais, da mídia ou da opinião alheia. "Pra que ser forte, se a outro q me sustenta? ". Os Defensoeres do Sistema sabem muito bem disso.
Essa é a lógica do sistema. Estamos TODOS irremediavelmente presos a isso. E o processo de ultrapassagem da menoridade, como o diz o Kant, é um processo árduo...
bom, tá na hora! Até mais, pois já vai começar a novela. Até
7.11.06
A historicidade das relações e dos sentimentos
Pq desse apego impertinente a representações? Pq do desespero de querer um celular com tirador de foto? Pq desse mania de querer quem não nos quer, um alguém que nos ignora, um alguém com quem talvez até nem se fale mais direito?
O Nietzsche dá uma orientação. Diz ele: o que faz com que algo se grave profundamente na nossa memória não é nada senão o sofrimento. Como inculcar na cabeça dos homens de uma sociedade que matar é errado? Basta aplicar penas públicas atrozes aos culpados (ou supostamente culpados) de homicídio, para que o horror se encarregue de lembrar ativamente aos outros o impedimento de matar.
Havia a uns sete anos um menino de uns 14 anos que realmente não suportava uma determinada menina. Era uma presença, pra ele, desagradável. Até que a conheceu. Menina simpática, tri gente boa. O tempo foi passando, a amizade se estreitando. A empatia era admirável. Foi esquecendo todas as outras... e o centro do seu mundo passou a ser ela!
E qual o fim dessa história?
Um coração rasgado depois do fim. As dores de uma criança nunca devem ser igonoradas, principalmente quando ela perde boa parte do sentido de sua vida...
E, me pergunto, o que fez com que esse rapaz de 15 anos mantivesse uma lembrança tão triste daquela minina tão especial? Como disse o Nietzsche, o sofrimento. Na locura de se prender a uma "representação de relação" q não correspondia mais à relação efetiva (e afetiva), o pobre menino acabou se estragando... Mas, e se por acaso ele tivesse dado espaço pras outras meninas que estavam ao seu redor, que lhe dedicavam atenção e por quem ele correspondia? Tudo tendia a ser mais claro...
Ouço a voz do Chico Ciência:
"Deixai que os fatos sejam fatos naturalmente,
que não sejam forjados para acontecer.
Deixai q os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente".
Deve-se sempre estar atento a historicidade de cada coisa, mesmo dos sentimentos e das relações. Por exemplo, no caso de dois amigos muito amigos que se separam. Quem garante q no reencontro a velha afetividade voltará? Ninguém nem nada garantem. Não se deve cair na estupidez de acreditar que as relações reais (distanciados por um tempo) seguem a representação que se formou a respeito da antiga relação. Muito menos, muito menos, muito menos o contrário: não se deve fechar completamente a esse reencontro, pois nada impede que os vínculos se mantenham fortes apesar do tempo.
Não se deve esperar nada de coisa alguma. Deve-se silenciar, apreciar como as coisas se dão, deixar o coração falar e, por fim, deixar as coisas acontecerem (ou não acontecerem, dependendo do caso).
E não poderia terminar o escrito sem a autoridade do poeta:
"Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir,a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol
Como a flor,
Como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer".
A nada que traz ácidez ao coração deve ser dada atenção, inclusive disputas por Centro Acadêmico...
O Nietzsche dá uma orientação. Diz ele: o que faz com que algo se grave profundamente na nossa memória não é nada senão o sofrimento. Como inculcar na cabeça dos homens de uma sociedade que matar é errado? Basta aplicar penas públicas atrozes aos culpados (ou supostamente culpados) de homicídio, para que o horror se encarregue de lembrar ativamente aos outros o impedimento de matar.
Havia a uns sete anos um menino de uns 14 anos que realmente não suportava uma determinada menina. Era uma presença, pra ele, desagradável. Até que a conheceu. Menina simpática, tri gente boa. O tempo foi passando, a amizade se estreitando. A empatia era admirável. Foi esquecendo todas as outras... e o centro do seu mundo passou a ser ela!
E qual o fim dessa história?
Um coração rasgado depois do fim. As dores de uma criança nunca devem ser igonoradas, principalmente quando ela perde boa parte do sentido de sua vida...
E, me pergunto, o que fez com que esse rapaz de 15 anos mantivesse uma lembrança tão triste daquela minina tão especial? Como disse o Nietzsche, o sofrimento. Na locura de se prender a uma "representação de relação" q não correspondia mais à relação efetiva (e afetiva), o pobre menino acabou se estragando... Mas, e se por acaso ele tivesse dado espaço pras outras meninas que estavam ao seu redor, que lhe dedicavam atenção e por quem ele correspondia? Tudo tendia a ser mais claro...
Ouço a voz do Chico Ciência:
"Deixai que os fatos sejam fatos naturalmente,
que não sejam forjados para acontecer.
Deixai q os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente".
Deve-se sempre estar atento a historicidade de cada coisa, mesmo dos sentimentos e das relações. Por exemplo, no caso de dois amigos muito amigos que se separam. Quem garante q no reencontro a velha afetividade voltará? Ninguém nem nada garantem. Não se deve cair na estupidez de acreditar que as relações reais (distanciados por um tempo) seguem a representação que se formou a respeito da antiga relação. Muito menos, muito menos, muito menos o contrário: não se deve fechar completamente a esse reencontro, pois nada impede que os vínculos se mantenham fortes apesar do tempo.
Não se deve esperar nada de coisa alguma. Deve-se silenciar, apreciar como as coisas se dão, deixar o coração falar e, por fim, deixar as coisas acontecerem (ou não acontecerem, dependendo do caso).
E não poderia terminar o escrito sem a autoridade do poeta:
"Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir,a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol
Como a flor,
Como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer".
A nada que traz ácidez ao coração deve ser dada atenção, inclusive disputas por Centro Acadêmico...
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