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7.10.11
19.8.11
Nossa rebeldia tem hora marcada na agenda do magnata
Tenho a impressão de que greve de professor só vai ser impactante no dia em que o alunado estiver no colégio. Eu fico imaginando umas cenas. Penso em possibilidades. As aulas "oficiais" podem ser reduzidas até os três primeiros turnos. Neste caso, quando encerrar a greve, serão menos horas para recuperar. Lucro para todos.
E o que fazer com os dois últimos períodos. Aí, só a imaginação e a vontade política poderão responder. Filmes? Teatro? Música? Aulas sobre direito e cidadania? Gincana? Futebol? Visita a museus? Elaboração de cartazes e exposição na Praça da Matriz? Ficar de bobeira no pátio, trovando fiado? Quando falo em filmes, música e teatro, penso não só no assistir, como no elaborar.
A nossa rebeldia é reacionária.
A tomada da reitoria da UFRGS foi um grande ensinamento: não passou de uma ocupação desocupada. Enquanto uns grupos pensavam em coisas, em ocupar o espaço, conversar, conhecer gente nova que estava ali pelos quase mesmos motivos, o pessoal da liderança estudantil, que tomou a iniciativa e a frente do movimento, só aparecia na hora de assembléia. Melhor, a assembléia só aparecia na hora da assembléia. E em um dia, esse mesmo pessoal decidiu que iria encerrar a greve porque as reivindicações tinham sido atendidas. Tinham mesmo?... (Houve gente que na minha frente vaticinou que a ocupação não iria durar mais que um dia, por motivos particulares de um grupo. Dito e feito).
Da mesma maneira, as mobilizações de Porto Alegre desmobilizam. Veja o que são as tomadas de ruas e praças pelos estudantes, com os partidos da esquerda à frente: é uma chatice, é uma procissão de ovelhas. Sempre a mesma coisa, com discursos, bandeiras, megafones e ladainhas caquéticas. Nessas oportunidades, não há provocação aos participantes para a imaginação, para a inovação. Não!, é sempre a mesma tranqueira. A última Marcha da Liberdade aqui foi o pior exemplo disso. E na hora eu ainda me perguntava pelo porquê de haver tão pouca gente ali. Preguiça, ativismo exclusivamente virtual... Mas a resposta era óbvia: as pessoas já sabiam o que iam acontecer.
Se há algo para fazer, esse algo não é ainda sair de casa. Para quê? Para sair e ver tudo ocorrer com o mesmo modelão de sempre, com os astros a brilhar e a orquestrar os eventos cíclicos? Not!
Temos que pensar e ensaiar baixinho, sem pressa. A falta de pretensão no fazer pode ser a liberdade do criar. Instaurar o caos seria interessante. Criar o sentido, nas suas três vias. Sentir, ter significado e ir para algum lugar. Brincar com barro e se sujar. Fazer bonequinhos com massinha de modelar. Divagar. Falar bobagem, como estou aqui a fazer.
Sim, quando eu escrevo isto, faço um desafio a mim mesmo.
Na minha cabeça, uma coisa é certa: o protesto costumeiro faz parte desse sono que a gente tem hoje. Tomar a Salgado Filho não vai parar nunca qualquer aumento de passagem. Eu, com esses meus textos toscos, não vou a lugar algum. Ficar em casa não vai tornar o aluno mais comprometido com a sua escola e com a coisa pública (que é sua, também). Enquanto fugirmos da angústia, da incomodação, da sensação de impotência e da dúvida cruel, nossa massa encefálica continuará a bocejar no dia-a-dia. O dia-a-dia é a resposta.
18.8.11
Os destacados carrregadores de pastas e mochilas
O perfil do universitário gaúcho é o de um estúpido mediano que não é capaz de olhar para o lado.
Duas senhoras entraram no D43, linha de ônibus que liga o centro de Porto Alegre ao Campus do Vale da UFRGS, no horário da tarde. O veículo estava cheio daquilo que se chama de a "elite intelectual" do Estado. Mas o fato é que nenhum destes destacados portadores de mochilas e camisetas da Universidade, de cursos e laboratórios, se deu ao trabalho de levantar ao ver as senhoras.
Do mesmo modo, a moça que estava sentada em minha frente não "deu bola" por eu estar de pé, a segurar um calhamaço em uma mão - uma dessas malditas teses de 400 páginas, de folha A4 - e carregar a mochila no ombro do outro braço. Num ônibus cheio. Igualmente, outros estudantes que estavam sentados também não se preocuparam com seus colegas de Universidade que estavam de pé, a carregar mochilas dependuradas em um dos ombros.
Que sorte de professores, engenheiros, químicos, arquitetos, nutricionistas e publicitários podemos esperar dessa massa bem instruídos de ignaros? Que tipo de cidadania podemos esperar quando a nossa futura "elite" ocupacional (em alguns casos, elite econômica e social, também) não consegue nem ser educada.
Se o povo é burro, não sabe votar, é ignorante, o que podemos dizer das nossas classes média e alta?
Duas senhoras entraram no D43, linha de ônibus que liga o centro de Porto Alegre ao Campus do Vale da UFRGS, no horário da tarde. O veículo estava cheio daquilo que se chama de a "elite intelectual" do Estado. Mas o fato é que nenhum destes destacados portadores de mochilas e camisetas da Universidade, de cursos e laboratórios, se deu ao trabalho de levantar ao ver as senhoras.
Do mesmo modo, a moça que estava sentada em minha frente não "deu bola" por eu estar de pé, a segurar um calhamaço em uma mão - uma dessas malditas teses de 400 páginas, de folha A4 - e carregar a mochila no ombro do outro braço. Num ônibus cheio. Igualmente, outros estudantes que estavam sentados também não se preocuparam com seus colegas de Universidade que estavam de pé, a carregar mochilas dependuradas em um dos ombros.
Que sorte de professores, engenheiros, químicos, arquitetos, nutricionistas e publicitários podemos esperar dessa massa bem instruídos de ignaros? Que tipo de cidadania podemos esperar quando a nossa futura "elite" ocupacional (em alguns casos, elite econômica e social, também) não consegue nem ser educada.
Se o povo é burro, não sabe votar, é ignorante, o que podemos dizer das nossas classes média e alta?
16.8.11
A pegadinha da informação
Tem uma coisa muito séria que esse teatro tosco proporcionado pela Ipanema revela: a velocidade da internet e a ampla comunicação interpessoal, aliada à existência de provas aparentemente factuais ("de fato, está tocando reistarti/latino na Ipanema"), gera uma situação na qual a criação de "fatos" e "verdades" pode ser manipulada com algum sucesso pelos grupos de comunicação de médio e grande porte. Ou, mesmo, por algum blogueiro de influência. E, com isso, gerar uma comoção de inimagináveis conseqüências, de acordo com o contexto. No presente caso, os ouvintes foram só tirados para otários. Mas se estivéssemos na Espanha moderna, vazar a “informação” de que em um bairro houvesse judeus a blasfemar contra a hóstia, teríamos em pouco tempo a explosão de um pogrom.
Sem dúvida, entramos numa nova fase da comunicação, na qual a internet e as redes sociais têm um peso de significância na transmissão de informações. Assim, esses "fatos" e "verdades" passam a ser não apenas da responsabilidade dos grandes núcleos que controlam as mídias de massa, como das pessoas que diariamente se ligam ao Facebook, ao Orkut, ao MSN e outros sites sociais.
Há uma coisa interessante a ser salientada: estamos aos poucos aprendendo a manejar com essa nova realidade e a ponderar sobre a atitude a ser tomada. Se houve pessoas que integraram movimentos de protesto contra a mudança na programação da rádio, houve outras que se posicionaram de maneira cética, com aquele pressentimento: "isso é jogada de marketing". Só que isso leva ao outro lado do problema: e se fosse verdade? Aí sim, os que tomaram parte do protesto estariam plenamente justificados.
O jogo da informação é uma grande pegadinha. Que tem, de alguma maneira, de ser resolvida. (Momento "puxando a brasa pro meu assado": particularmente, acho que a disciplina da história auxilia, em alguma medida, o aprendizado desse jogo).
De qualquer forma, fica o alerta.
Sem dúvida, entramos numa nova fase da comunicação, na qual a internet e as redes sociais têm um peso de significância na transmissão de informações. Assim, esses "fatos" e "verdades" passam a ser não apenas da responsabilidade dos grandes núcleos que controlam as mídias de massa, como das pessoas que diariamente se ligam ao Facebook, ao Orkut, ao MSN e outros sites sociais.
Há uma coisa interessante a ser salientada: estamos aos poucos aprendendo a manejar com essa nova realidade e a ponderar sobre a atitude a ser tomada. Se houve pessoas que integraram movimentos de protesto contra a mudança na programação da rádio, houve outras que se posicionaram de maneira cética, com aquele pressentimento: "isso é jogada de marketing". Só que isso leva ao outro lado do problema: e se fosse verdade? Aí sim, os que tomaram parte do protesto estariam plenamente justificados.
O jogo da informação é uma grande pegadinha. Que tem, de alguma maneira, de ser resolvida. (Momento "puxando a brasa pro meu assado": particularmente, acho que a disciplina da história auxilia, em alguma medida, o aprendizado desse jogo).
De qualquer forma, fica o alerta.
9.8.11
Ajuda alimentar gera fome
Foi um acaso estar a ler um artigo sobre a Somália quase no mesmo dia em que saiu a notícia de que o governo dos Estados Unidos enviou uma ajuda humanitária ao país em questão (ver aqui; para ver as realmente terríveis fotos sobre a situação do país, aqui; mas, de boa, acho que não vale a pena olhar... ou vale, sei lá...)
Depois de pensar um pouco, resolvi escrever um textículo sobre o que veio em mente.
A ajuda econômica dos EUA não é uma ajuda humanitária. É, sim, uma política de Estado. Uma política imperialista.
Desde o século XIX o EUA subsidia a produção interna de grãos e carne para serem revendidos no mercado internacional a preços baixos. O objetivo desta política é o de capturar diferentes mercados nacionais de alimentos. A crise da triticultura do Rio Grande do Sul dos anos de 1820 não se deveu apenas à praga conhecida como "ferrugem", mas também à concorrência do trigo estadunidense.
No pós-II Guerra, a ajuda econômica oferecida por meio do Plano Marshall impunha a obrigação de o país receptor utilizar parte do empréstimo na compra dos produtos norte-americanos. Os Estados europeus, em algum tempo, conseguiram se livrar desse entrave à produção alimentar interna. No entanto, os Estados do Terceiro Mundo, não, e tiveram sua produção agrária severamente afetada com a avalanche de soja e milho em seus mercados.
No pós-II Guerra, a ajuda econômica oferecida por meio do Plano Marshall impunha a obrigação de o país receptor utilizar parte do empréstimo na compra dos produtos norte-americanos. Os Estados europeus, em algum tempo, conseguiram se livrar desse entrave à produção alimentar interna. No entanto, os Estados do Terceiro Mundo, não, e tiveram sua produção agrária severamente afetada com a avalanche de soja e milho em seus mercados.
Nos anos 80 e 90, esse processo se intensificou com a generalização das reformas impostas pelo FMI e Banco Mundial. A Somália é um (triste) bom exemplo. Era um país composto por uma população majoritária de camponeses e pastores, que era base de um mercado interno que garantia a auto-suficiência alimentar. Com a implementação das reformas a partir de 1981, gerou-se a crise econômica e social que assola o país até hoje. A moeda nacional foi desvalorizada, enquanto que sua emissão foi congelada; estas medidas levaram à inflação, que causou um aumento nos preços dos combustíveis, dos fertilizantes, dos insumos agrícolas e pecuários. O mercado foi desregulamentado, de modo a permitir a livre entrada de produtos importados, ao mesmo tempo em que aumentava a "ajuda" alimentar norte-americana e européia. O preço dos alimentos produzidos no país por camponeses e pastores aumentou, enquanto que entravam os baratos grãos e carnes estrangeiros. Isto, aliado a outros fatores (como a redução dos gastos sociais em educação e saúde, junto com a diminuição dos salários reais) levou ao colapso do sistema social e econômico nacional.
Ao olhar algumas das fotos vinculadas ali no Estadão, fico a imaginar que boa parte desses pobres errantes eram camponeses ou cuidavam de pequenos rebanhos, e com isso se mantinham. A fome não é um fato natural entre os homens. Especialmente nos países assolados pelas medidas de "austeridade fiscal" dos FMI-BM, a fome é pensada, planejada. A fome é criada artificialmente e atende a interesses escusos. Enquanto que o FMI globaliza a pobreza, a mídia corporativa se empenha em defender que a fome na África (e em outros países do Terceiro Mundo) é endêmica, natural.
Duas interessantes leituras sobre o assunto são:
CHOSSUDOVSKY. A globalização da pobreza: os impactos das reformas do FMI e do Banco Mundial. São Paulo: Moderna, 1999.
e
FRIEDMANN, H. The Political Economy of Food: a global crises. New Left Review, London, n.197, 1993.
25.6.11
Onde estaríamos nós cultural e materialmente sem alfabeto, sem escrita, números e matemática?
11.6.11
Revolução burguesa no transporte público de Porto Alegre
O transporte público de Porto Alegre precisa passar por um revolução burguesa. O monopólio de meia dúzia de empresas de ônibus sobre a circulação de massas deixa a população sem alternativas. Quem sabe se não está na hora de abrir o ramo para a concorrência de pequenas empresas? Como, por exemplo, o tranporte realizado por carros, que juntem três, quatro passageiros, do bairro até o centro, e vice-versa, por um preço bom. Ou por vãs. Talvez isso venha a forçar as empresas a repensar seu ávido desejo por altas margens de lucros e as faça estancar - ou mesmo baixar - o custo das passagens.
10.6.11
Algo a ser repensado: greve na Universidade
Eu acho a atual greve dos servidores da UFRGS muito mesquinha. Está certo que tem que se lutar, especialmente porque alguns funcionários recebem menos de mil reais por mês. 'Tá, mas e os funcionários terceirizados? Eles, que são os reais prejudicados na história toda, estão contemplados na plataforma de reivindicações? É sabido de casos de alguns funcionários que já receberam menos de 300 reais por causa do acúmulo de feriados em um mês. E os estudantes, motivo da existência da universidade, como ficam? Sem laboratório de informática; sem biblioteca; tomara que não sem RU.
Conheço funcionários da UFRGS que são muito sérios quando o assunto é a situação do trabalhador no mundo contemporâneo. Mas como é que eu posso ser solidário com um movimento que me prejudica? Como é que eu posso aceitar privações se o objetivo é melhorar a condição de um único grupo dentro da universidade? É complicado.
Conheço funcionários da UFRGS que são muito sérios quando o assunto é a situação do trabalhador no mundo contemporâneo. Mas como é que eu posso ser solidário com um movimento que me prejudica? Como é que eu posso aceitar privações se o objetivo é melhorar a condição de um único grupo dentro da universidade? É complicado.
11.2.11
Por uma política barata
Fazer passeatas é cansativo, geralmente chato e, quase sempre, possível só a estudantes que têm manhãs e tardes livres. Também tem o custo moral de se fazer parte de um movimento em que estão hasteadas bandeiras de partidos (ao menos pra mim). Além disso, qual o resultado prático dessas manifestações? Ao fim, acho que essas grandes atuações políticas são caras e apresentam escasso retorno.
Partindo desse exemplo, penso que os engenheiros políticos têm que pensar em formas políticas baratas, acessíveis. Algo que se possa fazer no dia-a-dia. Algo que vire rotina. Talvez esta política pequena, difusa, possa fazer com que manifestações maiores, gerais, tenham maior efeito.
Em vez de se fazer manifestações apenas em início de ano contra aumento da passagem, por que não fazer pequenos atos que denunciem, diariamente, o abuso levado à cabo pelas empresas de ônibus? Estava pensando em fazer pequenos desenhos, com algumas frases de efeito, em pequenos papéis e, no verso, colar um pedaço de fita durex. Pode-se pegar este papelzinho e colar do lado da porta de um ônibus. Isso não tem custo nenhum (precisa-se de papel, caneta e fita durex), é uma propaganda poderosa (quantas pessoas não terão lido até que o papel seja retirado), não se configura como vandalismo (durex não deve estragar o ônibus - basta tirá-lo) e é facilmente reproduzível (se se tirar o papel do ônibus, basta colá-lo de novo). Por isso mesmo, qualquer um pode fazer. Não é necessária nenhuma reunião.
Estava pensando também em frases: "pague com uma nota de 50 reais: sem troco = passagem de graça"; "cuidado: você será assaltado"; "usar bicicleta deixa as pernas torneadas". Uns desenhinhos toscos podem acompanhar essas frases.
Passeatas são importantes, sem dúvida. Mas aqui em POA parece que não tem função nenhuma. Pelo contrário, parece que apenas engessam a mobilização política. Por isso acho que é necessário pensar pequeno. Isso lembra aquele ditado: "de grão em grão a galinha enche o papo".
Partindo desse exemplo, penso que os engenheiros políticos têm que pensar em formas políticas baratas, acessíveis. Algo que se possa fazer no dia-a-dia. Algo que vire rotina. Talvez esta política pequena, difusa, possa fazer com que manifestações maiores, gerais, tenham maior efeito.
Em vez de se fazer manifestações apenas em início de ano contra aumento da passagem, por que não fazer pequenos atos que denunciem, diariamente, o abuso levado à cabo pelas empresas de ônibus? Estava pensando em fazer pequenos desenhos, com algumas frases de efeito, em pequenos papéis e, no verso, colar um pedaço de fita durex. Pode-se pegar este papelzinho e colar do lado da porta de um ônibus. Isso não tem custo nenhum (precisa-se de papel, caneta e fita durex), é uma propaganda poderosa (quantas pessoas não terão lido até que o papel seja retirado), não se configura como vandalismo (durex não deve estragar o ônibus - basta tirá-lo) e é facilmente reproduzível (se se tirar o papel do ônibus, basta colá-lo de novo). Por isso mesmo, qualquer um pode fazer. Não é necessária nenhuma reunião.
Estava pensando também em frases: "pague com uma nota de 50 reais: sem troco = passagem de graça"; "cuidado: você será assaltado"; "usar bicicleta deixa as pernas torneadas". Uns desenhinhos toscos podem acompanhar essas frases.
Passeatas são importantes, sem dúvida. Mas aqui em POA parece que não tem função nenhuma. Pelo contrário, parece que apenas engessam a mobilização política. Por isso acho que é necessário pensar pequeno. Isso lembra aquele ditado: "de grão em grão a galinha enche o papo".
29.1.11
O que me cansa nos críticos liberais é que, para eles, a resposta para todos os problemas do Brasil e do mundo estão ou na ganância dos políticos ou na falta de moralidade e cultura das pessoas. É por isso que, contra alguns dos relativismos culturais ou pós-modernistas, o modelo de infraestrutura e superestrutura marxista ainda tem sua validade.
10.1.11
20.11.10
A direita não se mostrou melhor que a esquerda
Foi um feeling que se mostrou correto. Uma expectativa vacilante que se tornou mais concreta que cimento. Veja aqui.
A direita, apesar de estudar administração e direito, se mostrou tão ou mais incapaz que a esquerda para administrar e respeitar o que é público. Na sua fajuta defesa de imparcialidade, se mostrou tão comprometida com interesses outros além dos que interessam exclusivamente à academia. Não que eu ache que estudante tenha que pensar apenas em estudo, muito pelo contrário.
O pessoal da direita poderia ser levado mais a sério se aceitasse que não é apartidária e não é desinteressada. Que é passível de falhas e que joga o jogo sujo da política, muitas vezes. Desde que entrei na universidade, este é o primeiro ano em que o sistema eleitoral foi colocado em xeque. Justamente pelos arrogados (e arrogantes) defensores da liberdade.
[comentário da Aline: os caras são tão liberais, mas tão liberais, que querem ter a liberdade de burlar o sistema]
A direita, apesar de estudar administração e direito, se mostrou tão ou mais incapaz que a esquerda para administrar e respeitar o que é público. Na sua fajuta defesa de imparcialidade, se mostrou tão comprometida com interesses outros além dos que interessam exclusivamente à academia. Não que eu ache que estudante tenha que pensar apenas em estudo, muito pelo contrário.
O pessoal da direita poderia ser levado mais a sério se aceitasse que não é apartidária e não é desinteressada. Que é passível de falhas e que joga o jogo sujo da política, muitas vezes. Desde que entrei na universidade, este é o primeiro ano em que o sistema eleitoral foi colocado em xeque. Justamente pelos arrogados (e arrogantes) defensores da liberdade.
[comentário da Aline: os caras são tão liberais, mas tão liberais, que querem ter a liberdade de burlar o sistema]
2.11.10
E aí, Dilma?
O que falta fazer?
As primeiras coisas que vêm em mente são as de descriminalizar o aborto e, aos poucos, ampliar o acesso ao mesmo recurso; também, já está mais do que na hora de liberar o casamento entre homossexuais.
Outras coisas? Quem sabe, reduzir os gastos no aparelho estatal. Vêm em minha mente a papelada que eu já vi ser disperdiçada em alguns órgãos públicos.
Outra coisa? A oposição deve continuar sendo oposição, desde que tenha razão. É por este meio que a democracia se torna viável.
Da mesma forma, a concordância com o governo estabelecido não pode fazer cegar os olhos para os casos de más escolhas do governo. Nisso se deve incluir, evidentemente, a corrupção.
Pressão ao Estado, já!
As primeiras coisas que vêm em mente são as de descriminalizar o aborto e, aos poucos, ampliar o acesso ao mesmo recurso; também, já está mais do que na hora de liberar o casamento entre homossexuais.
Outras coisas? Quem sabe, reduzir os gastos no aparelho estatal. Vêm em minha mente a papelada que eu já vi ser disperdiçada em alguns órgãos públicos.
Outra coisa? A oposição deve continuar sendo oposição, desde que tenha razão. É por este meio que a democracia se torna viável.
Da mesma forma, a concordância com o governo estabelecido não pode fazer cegar os olhos para os casos de más escolhas do governo. Nisso se deve incluir, evidentemente, a corrupção.
Pressão ao Estado, já!
29.10.10
O humanismo da Igreja Católica
O humanismo do líder da Igreja Católica é defender padres pedófilos e condenar mulheres grávidas que, muitas vezes desesperadas, preferem o aborto que a geração de um filho. Pergunto-me: para que mais crianças no mundo? Para os padres terem mais menin@s para diversão particular?
25.10.10
Serrismo, ou lulismo à direita
Imagine um candidato que apareça como um Messias, amigo íntimo do trabalhador, contrário a toda a corrupção e defensor do bem-estar dos fracos e oprimidos, como mulheres, idosos e crianças. Além disso, que o mesmo candidato paute seu discurso na existência de duas grandes forças universais, opostas entre si, e que está definitivamente comprometido com aquela que é a favor do povo. Pois bem, este tipo de candidato é bem conhecido e o senso comum político já lhe deu um títul0, que é o de populista. E, com as características que citei, se poderia considerar este suposto candidato como um populista muito mau-caráter, porque pretende se legitimar / desprestigiar todo o adversário por meio de instrumentos discursivos e emocionais e não apenas por meio do discurso racional.
No caso brasileiro, há alguns anos, o populismo recebeu uma alcunha própria: o lulismo. Os bons liberais vociferavam contra a figura do atual presidente da República, delineando-a como a de um déspota da década de 1930, condutor de massas ignorantes. Praticamente um novo Getúlio Vargas ou Mussolini. Outros, como eu, apesar de concordâncias em relação a algumas das tendências (sociais) do partido, preferiram adotar oposição por discordância quanto ao tom da propaganda.
E o que encontramos nas atuais eleições? No meu entender, uma nova forma de lulismo. Desta vez, um lulismo de direita, teocêntrico e exacerbado. Um médico religioso que é contrário a políticas de saúde pública que permitam às mulheres pobres abortarem filhos indesejados. Um professor (como ele mesmo se qualificou) que tem as propostas liberais de criar uma figura fixa na estrutura escolar do País que é a do professor assistente estagiário (por quê não um contratado?) na educação infantil e de estimular financeiramente escolas e professores que se saírem melhor nos exames de educação - o que é o mesmo que favorecer escolas que se destaquem por possuir melhor infra-estrutura e atender os filhos da classe média que não tem condições de pagar pela educação privada. Um político que se auto-intitula como “do bem”, inimigo de toda corrupção e que afirma que o vício na administração dos bens públicos é “coisa da gente do partido da outra candidata” - mas que não diz que seu nome está envolvido em um sério escândalo, o chamado Escândalo das Sanguessugas.
A propaganda do Serra, no meu entender, é uma afronta à inteligência e um golpe contra a política racional e democrática. Não me resta senão escolher pelo que é menos pior. Ou, no campo da educação, escolher pelo que é possivelmente bem melhor, apesar dos muitos pesares.
No caso brasileiro, há alguns anos, o populismo recebeu uma alcunha própria: o lulismo. Os bons liberais vociferavam contra a figura do atual presidente da República, delineando-a como a de um déspota da década de 1930, condutor de massas ignorantes. Praticamente um novo Getúlio Vargas ou Mussolini. Outros, como eu, apesar de concordâncias em relação a algumas das tendências (sociais) do partido, preferiram adotar oposição por discordância quanto ao tom da propaganda.
E o que encontramos nas atuais eleições? No meu entender, uma nova forma de lulismo. Desta vez, um lulismo de direita, teocêntrico e exacerbado. Um médico religioso que é contrário a políticas de saúde pública que permitam às mulheres pobres abortarem filhos indesejados. Um professor (como ele mesmo se qualificou) que tem as propostas liberais de criar uma figura fixa na estrutura escolar do País que é a do professor assistente estagiário (por quê não um contratado?) na educação infantil e de estimular financeiramente escolas e professores que se saírem melhor nos exames de educação - o que é o mesmo que favorecer escolas que se destaquem por possuir melhor infra-estrutura e atender os filhos da classe média que não tem condições de pagar pela educação privada. Um político que se auto-intitula como “do bem”, inimigo de toda corrupção e que afirma que o vício na administração dos bens públicos é “coisa da gente do partido da outra candidata” - mas que não diz que seu nome está envolvido em um sério escândalo, o chamado Escândalo das Sanguessugas.
A propaganda do Serra, no meu entender, é uma afronta à inteligência e um golpe contra a política racional e democrática. Não me resta senão escolher pelo que é menos pior. Ou, no campo da educação, escolher pelo que é possivelmente bem melhor, apesar dos muitos pesares.
9.10.10
Uma vaia
Mando uma vaia para essa gente que chama de "liberdade de expressão" o monopólio dos meios de comunicação exercido por menos de meia dúzia de grandes corporações da grande mídia.
28.9.10
Uma apreciação filo-marxista da arte
A apreciação da arte - e, talvez, a própria qualidade da obra - se mede pela grandeza tempo. Quanto tempo se passou observando o mesmo quadro? Quantas vezes se ouviu a mesma música? Quantas vezes se assistiu o mesmo filme? Quanto vezes se leu o mesmo poema? O tempo passado em contemplação é um bom indicativo do quanto uma obra de arte pode impactar o espírito.
Se a apreciação artística consome muito tempo e o conceito de contemporâneo se define pela velocidade e fugacidade, logo, arte contemporânea é uma contradição em termos ou uma anti-arte. Isso me faz lembrar, sem dúvida, minhas poucas e apressadas visitas à Bienal de Arte Contemporânea.
Se a apreciação artística consome muito tempo e o conceito de contemporâneo se define pela velocidade e fugacidade, logo, arte contemporânea é uma contradição em termos ou uma anti-arte. Isso me faz lembrar, sem dúvida, minhas poucas e apressadas visitas à Bienal de Arte Contemporânea.
18.9.10
31.8.10
Resposta ao GG (por falta de espaço no orkut)
Meu velho, acho que há uns desentendimentos na nossa conversa.
Quando eu disse que o voto nulo é a única forma institucional de demonstração de insatisfação, não quis dizer que era a única forma de expressão de insatisfação, muito menos o único meio de atuação política. Para protestar contra um governo, eu poderia partir para o panfletaço, para o discurso em praça público. Evidentemente que o ideal é que a atuação política quotidiana esteja relacionada com as eleições. Mas, das diferentes formas de atuação política, a única que orienta a organização do corpo do Estado é o ato de votar. Por isso falo em forma institucional. Mas eu concordo plenamente com a tua observação: a práxis (conceito, no meu entender, vigoroso e pertinente) política nacional é uma catástrofe (por sinal, não me eximo de responsabilidade).
Sobre meus gostos relativos aos partidos políticos, há dois pontos. 1 – as propostas do PSDB, DEM e PMDB e o tipo de gente que participa desses partidos não me agradam. Podem elogiar a Yeda por ter sanado as finanças do Estado, mas isso se fez a custa de fechamento de laboratórios e bibliotecas nas escolas públicas. 2 – sobre os partidos de esquerda, como o PT e o P-SOL, o problema é outro. Tu conheces muito bem a forma de organização deles: de um lado a base que “panfleteia” e discute sobre a revolução e de outro a cúpula que decide sobre as diretrizes do partido. Os casos mais graves são um bom exemplo: a cisão entre o PT e aquela galera que fundou o P-SOL; o recebimento por parte da Luciana Genro de grana da GERDAU. Há outro aspecto importante e que tu também deves detestar. Uma parte significativa dessa galera de partido se acha a parte mais refinada da intelectualidade, como que verdadeiros homens emancipados responsáveis pela desalienação das massas. Tu sabes do que eu estou falando, né?
Eu não sou contra a participação política em partido. Não sou contra o sistema democrático brasileiro. O que me incomoda é a forma como a engrenagem funciona. A impressão que eu tenho é que a participação no sistema exige a corrupção e o uso da política baixa. Quando falo em política baixa lembro-me de políticos que vão fazer promessas em vilas pobres e de militantes que arregimentam bixos para eleições no DCE. São por esses motivos que prefiro me abster de votar. O voto nulo, nesse sentido, é uma afirmação de que não concordo com isso.
Eu sou a favor, sim, de que as eleições se tornem livres, opcionais. Aí aconteceria quase que o mesmo que normalmente acontece nas eleições do DCE. Como no último ano, bem menos da metade dos estudantes votou (1/4 do total?) e o grupo que saiu vencedor hoje se considera legítimo representante dos estudantes. Essa é a questão: que tipo de governo racional pode se considerar legítimo quando recebeu votos de metade de menos da metade do público votante (quero dizer, menos de um quarto)? Se esse é o caso do DCE e se isso não gera grandes empecilhos a sua atuação, acredito que o mesmo não aconteceria em âmbito federal. Isso, no meu entender, colocaria um pedregulho enorme no sapado da classe política. Seria a "assinatura em baixo" da crise política de que tanto se fala.
Reitero: não sou contra o sistema democrático, apenas acredito que a obrigação da votação é o meio pelo qual o sistema político se legitima. Posso estar severamente enganado, mas eu acho que o voto nulo, enquanto expressão de descontentamento, é um meio de atuação política, sim. Quero dizer, eu tenho os meus porquês, por piores e mal calculados que sejam. E, quando os publico no meu blog, é justamente para isso, para pô-los a prova. Para que as pessoas digam se concordam ou não. Assim sendo, te agradeço a generosidade de duvidar de mim e se pôr a escrever (mas eu sei que tu só faz isso pra agradar teu ego ;).
27.8.10
Voto nulo
Há gente que vive a reclamar da política no País. E, quando chegam as eleições, sempre vota. Essa situação é muito contraditória. Se o voto é o instrumento de legitimação das instituições políticas e se o sujeito considera o Estado corrupto, então, por que vota?
Umas das maiores quase-certezas que tenho é a seguinte: o voto no Brasil é obrigatório porque, se não o fosse, a mor parte da população não iria votar. Assim sendo, acho que a melhor forma para pressionar a corja é assustá-la com um alto nível de votos nulos. Aí, quem sabe, a coisa toda fosse menos escrachada.
Umas das maiores quase-certezas que tenho é a seguinte: o voto no Brasil é obrigatório porque, se não o fosse, a mor parte da população não iria votar. Assim sendo, acho que a melhor forma para pressionar a corja é assustá-la com um alto nível de votos nulos. Aí, quem sabe, a coisa toda fosse menos escrachada.
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