14.6.10

Beco 203 - programação para quem gosta de ser passado para trás

Vou compartilhar uma coisa realmente estúpida, desnecessária.

Fui à festa do beco 203 na última sexta. Devo dizer que foi lamentável, por dois motivos. Primeiro, a casa descumpriu com aquilo que anunciaram em propaganda, de que a cerveja seria liberada até à 1h. Foi meia-noite e quinze quando encerraram com a promoção. Isso foi ato de propaganda enganosa, de lesão aos direitos do consumidor. Em segundo lugar, meu amigo foi vítima da ação troglodita dos segurantes que trabalharam na noite. Como minha namorada quebrou a mão durante a festa, fui ao hps. Enquanto estava lá, chegou um dos meus amigos que havia ido junto comigo para a festa. Ele estava com a cara ensanguentada e acompanhado de um brigadiano. Aconteceu que ele tomou um soco de um dos seguranças. Ato de puro provalecimento. Meu camarada estava bem bêbado, incapaz de qualquer movimentação agressiva que pudesse justificar tal atitude por parte da casa. Não bastasse isso, foi cobrado do rapaz uma quantia que o mesmo não gastou, até porque estava a beber a beber cerveja durante o período liberado. Achei lamentável a postura da casa nessas duas situações. Lamentável, imoral e ilegal.

Isso, por sinal, é a marca de boa parte das casas noturnas e bares onde frequenta a classe mérdia de POA. Um colega e amigo meu, como muitos devem saber, tomou um soco de um garçon no bar Pinguim por não querer pagar os dez porcento "do garçon". Veja bem, um soco por não querer pagar algo que não está no cardápio. Inclusive, faz alguns dias que um estudante foi baleado por um segurança na boate Roseplace, também aqui em Porto Alegre. Veja a notícia aqui. Sobre cobranças abusivas, posso lembrar os casos de amigos que frequentam aqueles bares caros da Lima e Silva dos quais já foram cobradas cervejas que não foram tomadas. Inclusive, um colega já fez a prova e o resultado foi que pediu três cevas e foram cobradas cinco.

Estou cada vez mais convicto que os lugares onde normalmente vou, ali na José do Patrocínio, com toda aquela fuleragem, são muito mais seguros que esses lugares onde se pagam os olhos da cara para tomar uma cerveja. Posso dizer que, pelo menos, não há seguranças a ameaçar minha frágil existência.

O mais triste é a convicção enraizada em nosso imaginário de que, mesmo que o aparato jurídico oferecido pelo Estado seja utilizado, a casa e os seguranças sairão impunes. Foi isso que fez com que esses meus dois amigos agredidos por seguranças desistissem de procurar a Justiça. É esse tipo de atitude que garante a impunidade não apenas a seguranças violentos como a empresas de ônibus que aumentam o preço da passagem sem melhorar o serviço oferecido. Basta pegar um Belém Velho Crital, Restinga ou Belém Novo para saber do que estou a falar.

Para terminar, dá para pensar que uma das características da classe mérdia de POA é a de ser passado para trás e, com a pose de galo de rinha, dizer: "Não dá nada! Deixa que eu pago!". Ou mais resumidamente: tomar no rabo e sair de peito estufado.

5.6.10

Maturidade é uma coleção de remorsos.

25.5.10

14.5.10

O Grande Irmão

Um dos grandes momentos de Cid Moreira.

17.4.10

Ética e estética

Existe relação entre ética e estética? Furto-me à resposta, mas deixo esse vídeo, belíssimo, por sinal, que talvez ajude a pensar na relação das duas coisas. Ou na não relação.

Esta é a introdução da ópera Os Mestres Cantores de Nurenberg, de Richard Wagner, conduzida por Wilhelm Furtwangler, na Alemanha, em pleno ano de 1942. Proveito garantido!

6.4.10

Liberdades

Os intelectuais que defendem o capitalismo e a suposta liberdade de mercado têm os ares dos profetas do Antigo Testamento e dos evangelizadores cristãos. Sem dúvida, um resquício do racionalismo europeu, que se pretendia também como doutrina de salvação da humanidade. Lembram, igualmente, os velhos (e novos) socialistas que pregavam o reino da Justiça e da Igualdade.
O conceito ponta-de-lança do discurso liberal é, perdõem a redundância, o de liberdade ou, antes, as liberdades - de comércio, de opinião, de ir e vir, de comportamente, entre outras.
Até aqui, tudo bem!, pois também sou desse partido. Se alguém quiser plantar batata e vendê-la no mercado: que meta bronca! Se quiser queimar dinheiro, também!
Seria muito bom se, realmente, as pessoas tivessem maiores liberdades e condições de serem seus próprios patrões, tal como propõem os bons liberais.
Nesse sentido, é muito bonito usar e defender a palavra liberdade. Mas me pergunto: o que é a liberdade pensada pelos participantes do Fórum da Liberdade, que ocorrerá em breve? Mais ainda, liberdade para quem?
Quando os bons liberais falam em liberdade econômica, tratam o empreendedorismo como se fosse o fator fundamental para o sucesso da empresa capitalista. Eu, por outro lado, partilho a opinião do velho Marx: para se produzir capital, é necessário capital. E quanto mais capital - mais capital! De forma evidente, a questão não se encerra aí. É necessário saber como investir o capital inicial. Tem que se ter um mínimo de conhecimento técnico do ramo em questão. E tanto quanto estes pré-requisitos, precisa-se de um horizonte de aspiração o mais vasto possível, algo que, em partes, se constrói em casa. Este último ponto é fácil de verificar: basta perguntar ao filho de um pedreiro e ao de um médico quais seus sonhos de vida e o que pensam do futuro.
Enfim, parece-me que, numa sociedade de recursos desigualmente distribuídos, sejam eles econômicos, técnicos, simbólicos e sociais, a liberalização da economia só pode gerar aumento das mesmas desigualdades. Ou seja, os resultados últimos serão liberdades para lobos, com um possível aumento da restrição à liberdade para muuuita gente.
Uma liberdade mais ampla, em que se possa comprar e vender o que se quiser, se possa escolher a forma de trabalhar (ou não trabalhar), em que se possa dizer o que se pensa, acessar o que for desejado, não será alcançada apenas por meio de ações no campo econômico. Questões como política, cultura, educação são fundamentais.
Qualquer um sabe que economia não depende apenas de vontade e moral, com exceção dos defensores do livre mercado quando procuram explicar a existência da pobreza (tipo: "pobre é pobre porque é acomodado!"). Numa sociedade como a nossa, onde a desigualdade é estrutural e histórica, a noção de liberdade econômica não pode ser separada da existência de meios que garantam aos mais desafortunados o acesso ao know-how de diferentes ocupações, à crédito e à circulação de informação. Isso é: são necessárias políticas amplas, efetivas e sérias, que possibilitem cobrir as distâncias existentes entre os diferentes individuos para que, assim, a sensação e a possibilidade de liberdade sejam realmente mais possíveis a um conjunto maior de pessoas.
Termino por aqui, de "supetão", mas prometo, para a próxima postagem, a exposição da minha noção de liberdade capitalista.

8.3.10

Estas me parecem as consequências lógicas da proibição do sexo para os padres católicos: homosexualismo e pedofilia. A primeira é aceitável, além de propiciar uma série de boas histórias de ex-seminaristas que pegavam padres. Já a segunda é lamentável e aponta um dos lados criminosos da Igreja Católica. É o preço que a dita igreja paga por colocar a propriedade à frente da moral e da natureza humana.

Notícia do dia 06/03.

"Padres alemães são acusados de ter espancado e abusado sexualmente de garotos há décadas, em pelo menos três instituições da Bavária, região no sul do país onde nasceu o papa Bento XVI. Uma delas é um famoso coro que já foi liderado pelo irmão do atual pontífice.

As denúncias dos abusos vieram à tona após casos ocorridos em escolas jesuítas de outras regiões chocarem a Alemanha, no mês passado. Os abusos foram registrados no coro da catedral de Ratisbona, na escola do monastério beneditino de Ettal e em uma escola de capuchinhos em Burghausen.

O reverendo Georg Ratzinger, de 86 anos, irmão do papa e que liderou o coro de 1964 a 1994, disse a uma rádio local que não tinha conhecimento dos abusos no coro. O grupo costuma se apresentar por toda a Alemanha e em outros países.

A diocese de Ratisbona, onde o papa ensinou teologia na universidade de 1969 a 1977, afirmou que não há casos atuais de abusos e que deve investigar as acusações de ocorrências passadas. Segundo a diocese, um padre abusou sexualmente de dois garotos em 1958 e foi condenado a dois anos de prisão. Outro clérigo cumpriu pena de 11 meses em 1971. Ambos já morreram."

Notícia do Estadão, na integra aqui.

1.3.10

Venezuelanas

"José Gregorio Nieves, secretário da organização não-governamental Jornalistas pela Verdade, informou recentemente a representantes da União Européia que circularam em Caracas que nos últimos 11 anos, correspondente exatamente à ascensão do presidente Hugo Chávez, houve um avanço na democratização da comunicação na Venezuela. Ele baseia as suas informações em números. Segundo Nieves, há atualmente um total de 282 meios alternativos de rádios e televisões onde a população que não tinha voz agora tem."

Artigo de Mário Augusto Jakobskind, no Observatório de Imprensa, na integra aqui.

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"Além da 'RCTVI' foram suspensos outros cinco canais com o argumento de que não cumpriam as normas da legislação para meios audiovisuais venezuelanos, como transmitir obrigatoriamente as mensagens ao país e discursos do presidente Hugo Chávez.

A 'RCTVI' e o peruano América TV são os únicos que continuam sem transmitir. O resto já recebeu o sinal verde da Comissão Nacional de Comunicações, que certificou que se trata de canais internacionais e portanto não sujeitos a essas normas.

A suspensão dos canais, e especialmente da 'RCTVI', que mantém uma linha crítica ao Governo, provocou críticas no estrangeiro e no país, onde aconteceram manifestações a favor e contra, nas quais houve dois mortos e dezenas de feridos."

Notícia encontrado no portal do Yahoo, aqui.

26.2.10

Tio Sam e Fidel no Parquinho

Uma coisa me parece certa: EUA e Cuba diferem mais por forma que por conteúdo. Comecemos pelo último ponto.

Ambos os países são Estados-Nações e guiam suas ações de acordo com estratégias comuns a qualquer outro Estado. O outro lado do espelho do controle de árabes ou persas (os "terroristas") nos aeroportos dos EUA é o policiamento da entrada de estadunidenses ou saída de cubanos de Cuba. Dizer-se liberal e capitalista em Cuba traria as mesmas penalidades que dizer-se comunista na década de 1960-70 ou islâmico, atualmente, nos EUA. Enfim, ambos países possuem políticas de controle ideológico.
Evidentemente, a luta política não é apenas ideológica, mas é também militar. Se o governo comunista cubano assassinou um número enorme de inimigos, quantos mais os Estados Unidos não o fizeram, levando-se em consideração os fatos de ser uma país não apenas mais antigo e poderoso, como um país que se envolveu em maior número de guerras. Se não podemos esquecer das centenas de pessoas silenciadas pelo regime de Fidel, não podemos esquecer as outras tantas igualmente vitimadas pela FBI e pela CIA, pelos marines e pelas bombas erráticas que caíram sobre hospitais (como aconteceu no Iraque). Indo e vindo,
ambos são Estados em estado de guerra.
Em termos de política interna, não parece haver diferença entre um país comunista de partido único e o domínio "liberal" de quatorze ou quinze grandes corporações. Talvez, nesse sentido, a diferença seja mais de quantidade que de natureza.
No que tange à alimentação, também vejo alguma semelhança. O outro lado de uma população empobrecida que tem facilidade de acesso à comida gordurosa e prejudicial à saúde é uma população ainda mais pobre que tem acesso a um mínimo de alimentação garantida pelo Estado.
O passado também apresenta paralelo interessante: ambos os países romperam de forma admirável com o jugo estrangeiro. E, em ambos os casos, alguém se deu mal. A consolidação dos EUA significou o extermínio de N povos nativos, políticas de controle sobre a América Latina, bombas atômicas no Japão e outros tantos mísseis no Oriente Médio; por outro lado, a consolidação da ditadura de partido único em Cuba não impediu a manutenção da pobreza do povo.


Possivelmente existem outras semelhanças de conteúdo listáveis, mas prefiro ir, agora, para a diferença de forma, que é fundamental: se os EUA são um país rico e poderoso (apesar de bastante endividado), Cuba não passa de mais um pequeno país paupérrimo da América Central, que procurou se manter longe do domínio norte-americano. Este pequeno fato torna cômico os ataques de pânico e raiva de todo bom liberal quando o nome deste pequeno principado vermelho é citado. Somente depois, e bem depois, outros países conseguiram a mesma façanha, como Nicarágua, Bolívia e Venezuela.

E onde quero chegar com estas pequenas reflexões? No seguinte: as disputas entre liberais e comunistas acabam sempre sendo estéreis porque cada um defende o seu lado manejando (ou escondendo) fatos e teorias de acordo com seus imperativos ideológicos. Se um diz que a terra do Tio Sam é o país da Liberdade e da Democracia e que Cuba é dominada por um tirano, o outro defende que em Cuba ninguém morre de fome e todos têm boa assistência médica em plena América Central, enquanto os Estados Unidos são um país imperialista que espalha pobreza pelo mundo. Eu diria que ambos os contentores estão corretos... e estão errados.
Liberais e comunistas são garotinhos que brigam constantemente no parque de diversões da ideologia, lutando pra ver quem vai se apossar do balanço. E, qualquer um que tome o brinquedo, uma hora estará no alto para, depois, voltar ao chão e ver recomeçar a briga. Com fortes possibilidades de ver a inimizade tomando conta do que fora seu até então.

9.2.10

Cutrale: Quem está gerando destruição para a sociedade?

1 de fevereiro de 2010

Do Passa Palavra

"A ocupação da fazenda grilada Capim, realizada em outubro de 2009, não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira que buscava chamar a atenção para a absurda grilagem de terras públicas feita exatamente pela transnacional Cutrale.

As ocupações denunciavam também a parcialidade da Justiça e do Executivo, extremamente lentos para arrecadar terras ou recuperar áreas da União griladas, porém extremamente ágeis na hora de reprimir e criminalizar os trabalhadores rurais sem-terra. Ao invés de se inverter as prioridades, o que temos visto nos últimos dias é um acirramento da repressão e do terror contra aqueles que lutam com muito custo para se manter no campo, viver e produzir com dignidade – ao invés de incharem ainda mais as já super-populosas cidades brasileiras. A resposta do Estado, no entanto, associado à grande imprensa e a serviço do agronegócio, é fortalecer ainda mais um modelo agrícola excludente e insustentável sócio-ecologicamente, agravando, em consequência, ainda mais o cenário de desequilíbrio ambiental e de calamidade social que temos vivido nos últimos tempos, principalmente nas grandes cidades brasileiras.

Ora, todas estas ocupações não são feitas sem um profundo conhecimento da região, de sua estrutura agrícola desigual, do cotidiano local e das necessidades das pessoas que lá vivem. Conforme o quadro abaixo, com dados oficiais do Incra, podemos verificar que esta empresa do agronegócio, mesmo monopolizando o bilionário setor mundial de laranjas e sucos, tem se especializado há anos em grilar médios e grandes latifúndios no estado de São Paulo. E mais do que isso: especula nestas terras de acordo com o interesse de seus donos e acionistas, e apenas produz quando e quanto bem interessa para os cálculos do seu monopólio de mercado."


Texto, na integra, disponível no endereço: http://www.mst.org.br/node/9010

23.1.10

Voto

Democracia significaria liberdade se o indivíduo tivesse possibilidade de escolher entre votar e não votar. Isto é, entre legitimar ou não a estrutura política vigente. Democracia significaria liberdade se o indivíduo tivesse possibilidade de gostar ou não dos símbolos patrióticos impostos pelo governo central.

Mas não! Nossa democracia significa ser obrigado a votar e legitimar a atuação de todo e qualquer biltre que asceda ao poder, mesmo que seja alguém para com quem se tenha ojeriza. Significa também prestar homenagens a simbolos bizarros e de péssimo gosto. Os hinos nacional e rio-grandense são atentados intelectuais jogados contra a cabeça de crianças em todo o País.

Acredito que um passo positivo para a consolidação da democracia no Brasil seria o de tornar facultativo o voto. O indivíduo só saíria de casa apenas se estivesse muuuito interessado em fazer eleger seu candidato. Naqueles casos em que não houvesse nenhum candidato em especial, o cidadão poderia ficar em casa, ao invés de fazer sua decisão de acordo com a oferta de santinhos.

23.12.09

Como vovó já dizia

Junte forças e veja o seguinte vídeo:



Agora, leia o que escreveu o mestre do roquenrou no Brasil:

"- Ih rapaz, hoje eu vi meu ídolo da juventude!
- Essas coisas já não me assutam mais! as laranjas continuam verdes...
- Peraí, não complica! Eu só disse que vi meu ídolo da juventude.
- Desse jeito, os discos voadores nunca vão aparecer!"

Essa é uma conversa que aparece em uma música do disco Sociedade da Gran Ordem Kavernista, do Rauzito. E me parece dizer duas coisas:
1) TODO FÃ É UM IDIOTA;
2) NXO, Strike e CPM22 e caralho à quatro fazem tanto rock quanto É o Tchan nos seus tempos de glória.

7.12.09

Procrastinação da moral

O futuro, sempre tão disponível para decretar essa modalidade de amnistia geral que é o esquecimento disfarçado de perdão, também é hábil em homologar, tácita ou explicitamente, quando tal convenha aos novos arranjos económicos, militares ou políticos, a impunidade por toda a vida aos autores directos e indirectos das mais monstruosas acções contra a carne e o espírito. É um erro entregar ao futuro o encargo de julgar os responsáveis pelo sofrimento das vítimas de agora, porque esse futuro não deixará de fazer também as suas vítimas e igualmente não resistirá à tentação de pospor para um outro futuro ainda mais longínquo o mirífico momento da justiça universal em que muitos de nós fingimos acreditar como a maneira mais fácil, e também a mais hipócrita, de eludir responsabilidades que só a nós nos cabem, a este presente que somos.

Texto completo aqui, retirado dos O Caderno de Saramago.

25.11.09


Jovens, saudáveis, felizes, limpinhos, bem-humorados e bem-intencionados.

Antes de tudo, ferrenhos defensores da liberdade!

[mais um capítulo na História Universal da Carochinha]

Foto: Zero-hora, aqui.

22.10.09

Carne fresca

A academia é um campo social como qualquer outro. Disputas, intrigas, hierarquias; mas também solidariedades, amizades e camaradagem. E me parece que as cenas mais engraçadas ficam no campo das ciências humanas . Mesmo estudando as relações sociais de outros povos e outros tempos com muita acuidade (ou pretensa acuidade), seus membros (dentre os quais me incluo) não conseguem perceber as relações de poder, as imposições de gosto e opinião, o lustrar constante da estrutura hierárquica. Exatamente aquilo que encontram em sua pesquisa. E eu posso tomar uma postura menos inocente: talvez os jogadores do campo da academia percebam muito bem as relações de poder, a tal ponto que as utilizam a seu favor.

Posso talvez resumir assim a estrutura do jogo:

{professor doutor > doutor > mestre > graduando veterano > graduando novato (o "bixo", que lembra algo de "o selvagem", o "sem-cultura")} > o resto do mundo;

assim como:

gestos, opiniões, gostos do superior > meus gestos, opiniões, gostos > gestos, opiniões, gostos dos inferiores.

É um esquema bem grosseiro, claro. Mas, em linhas gerais, não me parece equivocado.

Evidentemente, não são todos os membros que se enquadram no esquema. Mas ele, o esquema, é generalizado; é empregado e reiterado pela maioria daqueles que ocupam as posições superiores; é aceito e legitimado por aqueles que estão fora do campo e, principalmente, por aqueles que recém entraram. Em suma, os "bixos" são a carne fresca dos doutores, mestres e veteranos.

29.9.09

Economia como cultivo

O estudo econômico é um estudo sobre cultura.

Todo ato de produção, criação, troca e usufruto de bens, alimentos e artefatos acontece em um contexto social específico, caracterizado por toda uma sorte de hierarquias de valores, tabus, simbologias e representações. As pessoas não pensam apenas no que comer, mas também em como comer e o que não se deve comer. Os grupos humanos não pensam apenas nos animais que podem servir para o transporte ou o abate, mas também naqueles que são sujos e naqueles são domésticos. Por que não podemos comer um cachorrinho bem gordinho? Por que judeus não comem porcos? E o que é a terra? É uma propriedade alienável ou é a base onde se fincam as raízes de uma família? Qual deve ser o objetivo do uso da terra? Deve atender as demandas alimentares de uma população ou deve priorizar a produção de capital?

Não há produção, do que quer que seja, sem a lente do sistema simbólico próprio uma população. Enfim, a economia é um cultivo do homem.

10.9.09

Ôtoridade

A escola serve para fazer obedecer. Em história, não se aprende a historicizar, mas a respeitar a versão do professor... ou do livro didático. Em filosofia e biologia, também. A escola, sem dúvida, ensina a disciplina e o fazer silêncio diante da autoridade.

Na universidade, a prática continua a mesma. Os universitários aprendem a obedecer, a seguir fórmulas e a citar autoridades. E as exceções só confirmam a regra.

14.8.09

O liberalismo dos pampas

Os temas polêmicos são uma chatice. Chatííííííce!!!!
Imaginemos uma situação. Digamos que Sarney seja culpado e ostracisado. E mandado para a China por vinte anos. Tentemos imaginar, também, as próximas eleições. Quem poderá ser escolhido para ocupar as cadeiras do Senado pelo Estado do Maranhão? Quem? Levando em consideração que os Sarney são deus no Maranhão, acredito que não será ninguém que não esteja sob a proteção desta distinta família. Então, como acabará este grande estardalhaço midiático? Acabará com pequenas alterações de poder em Brasília. Nada mais.
A democracia liberal no Brasil é uma luva de plástico, dessas de médico, colocada na pata de um cavalo. Especialmente fora do circuito sul-sudeste. O federalismo, desde sua implementação, serviu perfeitamente às grandes potências regionais, depois de resolvidas as disputas locais pelo acesso ao poder. A liberdade de ação nos sertões é a liberdade do estancieiro e da casa grande.
Mas não me furtarei a dar um pitaco sobre a forma de resolver a "crise" no Senado. Não sou desses que acredita em revoluções. "A Revolução", para mim, significa o mesmo que "Ele voltará". É uma fé que move corações. O mesmo tipo de fé que faz com que alguns intelectuais hostilizem "esquerdinhas" em defesa das liberdades de mercado. Indo e vindo, tudo é fé. Enfim, retomando a idéia, apesar de não acreditar na Revolução, acredito, com minha costumeira miopia e astigmatismo, que só um movimento anti-democrático e popularesco poderá corrigir as falhas da nossa democracia liberal. Desrespeitar a constituição, expropriar terras e fazer a reforma agrária. Sim, digo isso correndo o risco de me chamarem de comunistinha defensor do MST. Mas não me importo, pois é o que acho. A democracia liberal não serve para uma estrutura agrária que conheceu apenas pequenas alterações nos últimos trezentos ou quatrocentos anos. Ou serve? Pode ser que sim, quem sabe?

9.8.09

Pense bem antes de ir para Dubai

A mídia corporativa prega peças levemente irritantes constantemente. Em comunistas e liberais; em evangélicos e batuqueiros. São questões de ordem mais ideológica, de defesa ou ataque àquele político, àquela empresa, àquele grupo social. E, com uma frequência lamentável, tratam-se de assuntos pesados.

A leitura de um artigo da revista Piauí do mês de julho deste ano, me deixou alarmado nesse sentido. O título da reportagem é "Rachaduras no Paraíso", escrito pelo jornalista britânico Johann Hari, na edição 33 da citada revista. E fala sobre o lado desconhecido de Dubai. As propagandas internacionais voltadas para atração de mão de obra para o local, a situação em que vive essa mão de obra e o estilo de vida dos que têm dinheiro.

Até aí, "tudo bem". É uma reportagem, perdoem-me a expressão, tocante. Mas, como imaginei que os alvos das propagandas fossem países asiáticos, não fiquei muito preocupado. E aí vem o drama...

Há uns dez dias, no Jornal da Record, se não me engano, apareceu uma reportagem sobre os encantos de Dubai. Sobre a riqueza e o luxo. Sobre as possibilidades de emprego abertas às gentes pobres do terceiro mundo e a chance de se conseguir um bom pecúlio... sim, esse foi o momento do choque!

Além disso, essa novela global que foi filmada na Índia fez algumas boas propagandas de Dubai. Ontem mesmo, umas das personagens estava bem faceira porque iria fazer uma viagem para lá.

Bom, vamos ao porquê do meu alarde. Transcrevi abaixo alguns trechos da reportagem. E não farei mais comentário algum, pois não será necessário. A sensação que eu tenho é que se devia cortar os dedos e as línguas de certos jornalistas filhos da puta. E a quem dizer que sou contra a liberdade de imprensa, mando tomar no cú! Uma coisa é liberdade de imprensa e compromisso com a verdade - ou simplesmente com a própria fé - e outra é fazer propagandas de má fé que podem prejudicar significativamente a vida de alguém.

Seguem, abaixo, alguns trechos da reportagem:

"Entre os guindastes espalhados por toda parte, muitos estão paralisado, como que perdidos no tempo, e há inúmeros canteiros de obras inacabados, numa abandono completo. Nas construções mais arrojadas - como o hotel Atlantis, o pantagruélico castelo cor-de-rosa erguido numa ilha artificial em mil dias, ao custo de 1,5 bilhão de dólares - o teto está caindo aos pedaços. Nesta Terra do Nunca edificada num extremo do mundo, as rachaduras começam a aparecer. Dubai é uma metáfora viva do mundo globalizado neoliberal que pode estar desmoronando.
(...)
"Existem três Dubais diferentes, cada um girando em torno dos outros dois. Há os expatriados ocidentais, como Karen [uma moça entrevistada pelo jornalista], os árabes nativos ou dubaienses, liderados pelo xeque Mohammed, e a mão de obra estrangeira, que construiu a cidade e ali ficou presa. Essa última permanece invisível, apesar de estar por toda parte, enfiada em uniformes azuis e seguindo um regime de trabalho forçado.
"Todas as manhãs, os milhares de peões estrangeiros que constroem Dubais são levados dos canteiros de obras para uma imensidão de concreto, em pleno deserto , distante uma hora da cidade. Ali permanecem isolados. Até poucos anos atrás, eles eram transportados em caminhões de gado, mas diante do desagrado dos expatriados agora são levados em ônibus fechados, que funcionam como estufas no calor do deserto. Todos suam como esponjas sendo espremidas.
"Sonapur é uma cidade-dormitório de quilômetros e quilômetros de prédios de concreto, todos idênticos. Em hindi o nome significa "cidade do ouro". São cerca de 300 mil homens que moram amontoados. No primeiro acampamento que visitei, logo fui cercado por moradores, ávidos para desabafar com quem se dispusesse a ouvi-los. O lugar fede a esgoto e suor.
(...)
"Em Dubai, ao contratar uma empregada, você passa a exercer um poder quase absoluto sobre ela. Isso inclui reter seu passaporte, pagá-la quando quiser, decidir se ela terá direito à férias, e quando. Como a maioria dos empregados não fala árabe, as chances de escaparem dessa camisa de força são escassas.
(...)
"Por toda a cidade, projetos delirantes que antes estava "em obras" agora estão em ruínas. Entre eles, uma praia com ar-condicionado e um sistema de resfriamento da areia para os usuários não queimarem os pés no longo caminho entre a toalha e o mar.
(...)
"Dubai não é apenas uma cidade vivendo além de seus recursos financeiros. O emirado também vive além de seus recursos ecológicos. Vemos gramados bem cuidados, com irrigadores espirrando água para todos os lados, turistas fazendo fila pra nadar com golfinhos, pistas de esqui com neve de verdade construídas no interior de um shopping center, numa espécie de freezer do tamanho de uma montanha. Só que estamos em pleno deserto, num lugar que não tem água. Como isso é possível?"

Bom, isso é só uma palinha da reportagem. Se alguém quiser emprestada, é só pedir.

E devo fazer um último comentário. Esse jornalista é duramente criticado em um blog conservador. Bom, o dono do mesmo se diz conservador. E nada contra os conservadores, evidentemente. Clique aqui.

9.7.09

Minha escrita é previsível.

4.7.09

O franguinho da Sadia, sempre sorridente

No mundo cristão-"ocidental", a vida política e econômia foi sempre sensível à moral cristã. Geralmente, no sentido de ter sua dinâmica e força redirecionada ou aumentada. A violência feudal foi enviada para o mundo islâmico, com a promulgação da Paz de Deus e da Trégua de Deus. Sem elas, não haveriam Cruzadas.

Além disso, sem a ética protestante, a Inglaterra possivelmente não teria inventado o capitalismo.

Por mais religiosas que as Cruzadas e a ética protestante fossem, não eram cristãs em sentido restrito e original. Mas, ainda assim, a moral cristã era o elemento que lhes dava sentido e legitimidade.

Hoje, o capitalismo e as políticas estatais são laicas. Mas se utilizam dos rebentos modernos da moral cristã - a moral humanitária e a moral ecológica - como importantes instrumentos ideológicos.

A França, se não me engano, está entre os países que condenaram a Coréia do Norte por ter dado início à produção de material nuclear. Seu presidente, Sarkozy, anunciou que a França será o primeiro país a começar a campanha do desarmento, com a interrupção da produção de materiais de fissão explosivos e com o fim de testes nucleares. É engraçado, pois defendem o desarmamento atômico com um stock de 300 ogivas nucleares! Veja a notícia aqui.

A Wal-Mart entrou na campanha de substituição de sacolas de plástico pelas de pano. É uma empresa bem ecológica. Só espero que o próximo passo seja diminuir a quantidade de luz pra manter o Big ligado. E deixar seus funcionários estadunidenses se sindicalizarem.

Os termos politicamente corretos são símbolos de legitimiação muito disputados pelas grandes forças. A moral, seja ela qual for, é sempre necessária para pronunciamentos oficiais e propaganda. Seja para pôr um selo de garantia numa embalagem de gordura vegetal hidrogenada (basta dar uma olhada em revistas da década de 1970, como a Cruzeiro) ou para aplicar medidas nazistas à população "terrorista" palestina.

23.6.09

Questão de classe


Ouçam a nossa voz!


22/06/2009

Nós, professoras e professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Porto Alegre, localizada em Porto Alegre, Morro Santana, que atendemos 800 alunos – em sua grande maioria carentes – da educação infantil à oitava série do ensino fundamental, resolvemos abrir nosso coração e dividir com vocês algumas coisas que muito têm nos incomodado com relação aos (des) caminhos da Educação do RS.

Através deste documento, gostaríamos de tornar públicos nossos sentimentos em relação às mudanças que estão sendo veiculadas sobre nosso Plano de Carreira. Essas mudanças, do nosso ponto de vista, não têm por objetivo a melhoria da Educação Pública do RS, e sim, de transformar a escola em uma empresa. O objetivo de uma empresa é gerar lucros. O objetivo de uma escola pública é gerar cidadãos conscientes, capazes de interferir em suas realidades para transformar o mundo em um local mais fraterno, justo e humano. Isso não pode ser medido com números e índices de pesquisas.

Queremos manifestar nossa indignação não apenas com nosso baixo salário, pois este fato já é bastante conhecido do público em geral. Estamos indignados com a falta de respeito com que somos tratados por este governo, representado pela Secretária de Educação do RS e seus cargos de confiança. Em reuniões, jornais, televisão, rádio, eventos, etc, somos achincalhados, humilhados, chamados de acomodados, de preguiçosos, de estagnados, somos mostrados como “um peso” no orçamento estadual, nossas aulas são chamadas de “medíocres”, nossa formação é colocada como insuficiente. Em entrevista para a imprensa, a secretária declarou que “merecemos apanhar dos alunos” simplesmente pelo fato de reclamarmos nossos direitos cada vez que sentimos que eles estão sendo atacados e por sermos uma categoria organizada. Há anos lutamos pela Educação. É graças ao nosso esforço – e somente a ele – que o Rio Grande do Sul ainda tem os melhores índices de Educação do país.

Enquanto o governo corta investimentos em educação, descumprindo a lei de aplicar 35% do orçamento do Estado em Educação Pública, nós continuamos acreditando no aluno e trabalhando.
Nossa escola mantém projetos como: “Navegar é preciso, nas ondas da Língua Portuguesa”, um projeto interdisciplinar sobre a Reforma Ortográfica. Desde 2000, realizamos atividades dentro do “Projeto Consciência Negra” durante todo o último trimestre. Há anos mantemos o projeto “Idade Média na História, na Literatura e no cinema”, e “Mitos e Heróis Gregos”. Este ano, estamos organizando o projeto “Educando para a Cidadania”, envolvendo os professores de Ensino Religioso. Temos diversos projetos na Educação Infantil e anos iniciais. As fotos e os projetos na íntegra estão em nosso blog (http://escolaportoalegre.blogspot.com) .

Sempre mantivemos reuniões pedagógicas, atendimento aos pais, gincanas culturais e esportivas, passeios culturais e de lazer, palestras e oficinas para a comunidade entre outras atividades. Investimos na apresentação e auto-estima dos alunos, promovendo recolhimento de roupas e calçados, livros paradidáticos, material escolar. Fazemos questão de organizar as formaturas dos alunos da Educação Infantil e da oitava série, celebrando-as como momentos únicos e um ritos de passagem fundamentais em nossa escola. Com todo esse trabalho e investimento pessoal do corpo docente, percebemos a mudança de postura e o crescimento de nossos alunos como pessoas e cidadãos.

Não gostaríamos de perder todas essas conquistas históricas e as vitórias que já alcançamos com nossa comunidade. Em nossa escola, temos uma marca muito forte de profissionalismo e compromisso. Buscamos formação permanentemente, levamos a sério nossas reuniões e projetos, vemos nosso papel como central na comunidade onde estamos inseridos. Porém, ultimamente, esse sentimento vem mudando... Nosso dia-a-dia tem sido tomado por colegas desestimulados, entristecidos, precarizados, buscando advogados para garantir seus direitos mínimos. Nunca ouvimos tanto a palavra “exoneração”, “cansaço”, “doença”, “dores”. Há colegas buscando ânimo até em medicamentos, travando uma luta pessoal contra o próprio desânimo e baixa auto-estima.

Pedimos sua ajuda para que esta situação não se torne ainda mais grave. Queremos ser ouvidos e respeitados, pois a grande maioria de vocês, nossos interlocutores, passou pela escola pública como educandos ou como educadores.

Pedimos que divulguem esse documento, repassem, deem sugestões e nos ajudem a encontrar saídas, lutando ao nosso lado.

ASSINADO: Professores da Escola de Ensino Fundamental Porto Alegre

Texto encontrado em: http://www.diariogauche.blogspot.com/

11.4.09

A desregulamentação é anti-liberal

O liberalismo não me traz desconfort0. Ele é o pai de todas as correntes políticas e econômicas modernas. Mesmo a idéia de desregulamentação do liberalismo radical é aceitável. O que trava na minha garganta é a defesa dessa desregulamentação num contexto de monopólio de muitos campos da economia por algumas poucas empresas. Retirar as limitações das grandes corporações econômicas é abrir a jaula dos leões. A defesa do liberalismo radical é razoável para aqueles que estão sob a tutela ou a serviço dos Gerdau ou dos Marinho. Do contrário, pode ser um ato estúpido. As pequenas e médias empresas correm perigo de serem engolidas ou perderem para uma concorrência desleal. Mais ainda, novas empresas ou iniciativas de grupos locais ficam fadadas ao sufocamento. Como montar uma rádio, por exemplo, com o controle das telecomunicações por meia dúzia de empresas midiáticas que obtiveram concessões públicas. Vou me arriscar a dizer que a desregulamentação, num contexto de monopolização de muitos setores da economia por poucos grupos, ainda mais num momento de crise, é uma atitude anti-liberal. Hoje, o que resta a maioria dos profissionais é ter que se empregar como funcionário dessas grandes empresas e se submeter a suas políticas. Que o digam os jornalistas e atores. Se o poderio destas mega-empresas é bastante limitador, mesmo com o controle existente do Estado, como seria se não existisse dito controle. A desregulamentação é o caminho da servidão.

9.4.09

Fé

Economia é religião. A liberdade de mercado quebrou o mundo financeiro. O Estado teve de intervir para restabelecer a economia. E, apesar de todas as evidências, os liberais não perderam a fé nas leis de mercado. Contra fé não há evidências.

28.3.09

O escrachado na história

No link a seguir, a aula de um professor gravada por um aluno. Possivelmente, num cursinho pré-vestibular.

Clique Aqui. O vídeo está no youtube.

O uso do humor, do deboche e da ironia na escrita da história são um deleite para o leitor ou ouvinte. Quem já leu Gilberto Freyre ou os escritos históricos de Marx ou Nietzsche entende o que estou dizendo. Contemporaneamente, por questões comerciais, os professores de cursinho pré-vestibular têm usado deste gênero narrativo para tornar suas aulas agradáveis. O professor de cursinho virou uma espécie de showman para vender seu produto: isso é o efeito do imperativo de mercado. A princípio, não há mal algum nisso, desde que os objetivos do ensinar história não sejam prejudicados. Objetivos estes que são, a meu ver, os de trabalhar conceitos históricos e historicizados e o de criar e refinar o sentido histórico, tal como o descreveu Frederico Nietzsche no seu livro Gaia Ciência, dos participantes da aula.

Vamos à aula do vídeo em questão. O professor é engraçado. Os alunos riem. O assunto da aula é a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial. Na boca do professor, todos os tópicos referentes a dita participação são motivos de deboche. A atuação da equipe médica no sul da França. A não atuação dos aviões brasileiros. O ataque, ou suposto ataque, de um submarino alemão. Pode-se até pensar que o professor tenha passado do ponto do deboche e chegado ao do escrachamento. Nas palavras dele: "Patético".

Eu ainda não havia feito leitura alguma sobre a participação brasileira na guerra. Por isso, recorri a Wikipedia. Encontrei este artigo aqui. Ao fim do mesmo, há uma relação de obras e outros endereços na rede sobre o assunto. Levanto algumas considerações.

Primeiro, em termos de factualidade, há alguns pontos que o artigo entrou em certo choque com a narrativa do professor. Os bandeides ao qual o professor se referiu foram, segundo o artigo, um socorro aos franceses atingidos pela gripe espanhola. Houve o ataque de um submarino alemão, segundo o artigo. E mesmo que não tivesse acontecido ataque algum, imagine-se a situação. Um monte de brasileiros, saídos de um país tropical, que talvez nunca houvesse pegado em arma, se vê em meio a uma Europa em guerra, correndo o perigo de assédio de submarino alemão. Qualquer movimentação estranha em água poderia ser sinal de perigo. Ou não? Se sim, se não, o que fazer?

Segundo, uma questão epistemológica. A narrativa histórica pretende, em último ponto, averiguar a veracidade de um enunciado ou indicativo histórico. Enunciado ou indício baseados em uma rede provas documentais. Assim, o historiador deve elaborar enunciados significativos ou apresentar indícios a partir da análise de fontes ou da citação e crítica de literatura secundária que já tenha trabalhado com fontes primárias. E o que fez o professor do vídeo senão ignorar essa pré-condição da disciplina histórica e cair no campo do julgamento moral. Para o professor, todos os militares engajados foram patéticos. Aviadores, médicos, soldados rasos, comandantes. Entrando no campo da moral acaba-se com a possibilidade de tentar entender o real-passado. Não houve questões táticas, apenas patetice.

Terceiro, uma questão moral. Putz! Imagina o soldado que lá estava, em plena Europa, quem sabe com frio, quem sabe com fome. Possivelmente, se perguntando o porquê de estar arriscando a vida por uma causa que não era sua. E aí, um professor de história simplesmente diz: patético! Isso é falta de respeito, pô!

Os professores de cursinho têm essa dificuldade diante de si, causada pelo imperativo de mercado: encontrar a linha que separa o humor e a ironia do escrachamento. Isso é muito difícil, principalmente com um público jovem ávido por diversão. Principalmente, devido a tremenda concorrência existente entre os professores nos estabelecimento de cursos pré-vestibulares. Aí que entra a questão para o professor, de se vender ou não ao sistema. Preparar boas aulas, quem sabe até divertidas, sem usar em clichês ou bobagens, ou apelar para imagens escrachadas e não-historicizadas por achar estas as melhores armas no jogo competitivo do mercado. O profissional ético não pode cair na tentação de se deixar levar pelo marketing à qualquer custo.

É um tom muito moralista o meu. Eu sei. Mas é uma pré-requisito profissional mínimo. Tem que ser comentado, explicitado. Se um dia meterem o dedo na minha cara por eu ter incorrido nesse tipo de prática e eu responder, simplesmente, "é a vida!", saibam que eu já virei um cínico. E que perdi o profissionalismo.

13.11.08

Mais um puxão de orelha do tio niet na fase positivista

A fé na embriaguez - Os seres de instantes sublimes e arrebatados, que habitualmente, por contraste e devido à própria dissipação de suas forças nervosas, sentem-se miseráveis e inconsolávis, vêem aqueles instantes como o autêntico "Eu", como "si"; e por isso pensam no seu ambiente, sua época, todo o seu mundo, com sentiments de vingança. A embriaguez é a verdadeira vida para eles, o genuíno Eu: em todo o resto vêem adversários e estorvadores da embriaguez, seja esta de natureza moral, intelectual, religiosa ou artística. A estes entusiásticos ébrios a humanidade deve muita coisa ruim: eles são infatigáveis semeadores da insatisfação consigo e com o próximo, do desprezo pela época e o mundo e, sobretudo, do cansaço do mundo. Todo um inferno de criminosos talvez não produzisse este inquietante e prolongado efeito opressivo, corruptor de ar e terra, como faz essa pequena e nobre comunidade de desenfreados, fantasistas e semidoidos, de gênios que não podem controlar-se, e que experimentam prazer consigo apenas quando se perdem totalmente: enquanto o criminoso, com freqüência, dá prova de excelente autodomínio, de abnegação e prudência, e sabe manter esses atributos naqueles que o temem. O céu acima da vida talvez se torne perigoso e sombrio por causa dele, mas o ar permance robusto e severo. - Além de tudo, esses entusiastas propagam a fé na embriaguez, com todas as suas forças, como no que há de vida na vida: uma crença terrível! Tal como agora os selvagens são rapidamente corrompidos e arruinados pela "água ardente", a humanidade como um todo foi corrompida, lenta e radicalmente, pelas aguardentes espirituais dos sentimentos inebriantes, e por aqueles que mantiveram vivo o anseio por eles: talvez ela ainda venha a se arruinar com isso.


(Nietzsche, Frederico. Aurora. Aforismo 50. São Paulo: Companhia das Letras, p. 44s.)

7.11.08

Ditos memoráveis de Leonardo Vigolo

Sim... diminuir riscos, esse é o lema,
sobre a prova de Antropologia e minha preguiça acadêmica.

Uma melancolia regada à asa,
sobre o ambiente do metrô, em São Paulo.

Um cover brasileiro de uma coisa babaca,
sobre High School Music Brasil

3.11.08

A revelação histórica

No século XVIII, havia a Real Feitoria de Linho-Cânhamo em São Leopoldo, na então Capitania do Rio Grande de São Pedro! A produção de linho-cânhamo era empresa "estatal"!! Mas não deu certo: parece que a escravaria queimou toda a produção!!! Até a última ponta!!!!

30.9.08

Entrevista do Silvio e do Vesgo com o Quico

Caralho, uma das melhores entrevistas que eu já vi. E o melhor tá pro final. Final sensacional!!!!!!!

Primeira parte, aqui.

Segunda parte, aqui.

21.9.08

O Pokemon é uma rinha de galos pra crianças.

20.9.08

Sobre o 20 de Setembro

Para ser sincero, nunca me incomodei muito com o tradicionalismo gaúcho. Esse gosto por andar de fantasia de gaúcho ou prenda pelas ruas da nossa urbe durante a semana farroupiha ou bailes dos CTG's; o discurso separacionista; o orgulho das virtudes meridionais em relação ao norte do país, isto é, tudo que está para cima de SC. Até gosto desses hábitos quando aparacem cenas risíveis, como a dos peões de apartamento que vão laçar bezerro nos CTG's. Tudo bem, né? Parece ser bem legal fazer parte de uma tradição inventada na década de 1930, no máximo.

Agora, não consigo tolerar de maneira alguma, em ponto nenhum, aquela musiquinha de nanar chamada Hino Sul-Riograndense. Nem preciso dizer o porquê. Já é do conhecimento de quase todos leitores deste blog - que, por sinal, são poucos... - seu significado mais latente: a glorificação de um dito passado heróico e moral de um povo diferenciado. E botam a criançada para aprender a cantar essa cantiga.

Cara, seria engraçadíssimo se não fosse nossa verdade. Se tudo isso fosse só mais uma historieta antiga de historiador. Mas não é. Aos alunos do ensino fundamental e médio obrigam perder 20 minutos diários para cantá-lo, além dos milhares de trabalhinhos obrigatórios nos quais se devem escrever o texto de cabo a rabo, ao longo dos mais 12 anos escolares. Inclusive nas aulas de educação física, deixava-se de correr ou jogar bola pra copiar esse hineto registrado na contracapa dos livros didáticos.

Caralho! Além de se referir à essa luta entre frações da elite como luta pela liberdade, ainda designa toda população escravizada como sem virtudes. Isto é, bem mais de um terço da população nacional, além de estar na condição de escravizada, ainda por cima não é digna nem de ser tomada enquanto possivelmente moral. É perfeitamente compreensível a produção do texto do hino. Foi escrito em 1935, em ocasião do centenário da Revolta Farroupilha, e adotado pelo Instituto Histórico Geográfico. Essa galera do IHGB, historiadores amadores e muito importantes em termos historiográficos, defensores das idéias raciais e evolutivas próprias de seu tempo.Segundo estes autores, haviam raças distintas e algumas eram mais puras e graduadas que outras. Convém lembrar, o nacional-socialismo do Hitler tomou o poder na Alemanha em 1933. Para aquela época, é compreensível que se pense isso. Mas hoje, num momento em que a situação desfavorável do negro é alvo de críticas e observações cada vez mais pertinentes, cantar o hino ou fazê-lo soar nos diversos espaços, sejam públicos ou privados, me parece, sem tirar nem pôr, uma prática racista. Tão desagradável quanto parte das músicas racistas e homofóbicas da geral do Grêmio.

Querem cantar. Cantem! Só fico imaginando o que pensam os patriótas quando me nego a tomar parte na cantoria.

9.9.08

A Ema gemeu,
no tronco do juremá...


- Ah, seu Jackson, isso me deu um medo danado!

2.9.08

Latifundiários, peões, Expointer e RBS

O axioma do Frantz Fanon, também dito pelo Paulo Freire, é sempre bom repetir: o dominado defende a ideologia do dominador.
No Jornal do Almoço dos dois últimos dias, vimos a reportagem sobre a ação do Ministério do Trabalho em proibir os peões de dormir junto aos animais, durante a Expointer. Foi ressaltado na reportagem a tristeza destes trabalhadores, em se verem impedidos de dar boa continuidade aos seus trabalhos. Foram mostradas algumas cenas, da estima dedicada por estes trabalhadores do campo aos animais, das jantas baseadas a boa churrascada e do clima de devoção total à lida do campo. Algo comovente. E não estou sendo sarcástico nem debochado. Algo do tipo: "maldito Estado que se intromete nas livres relações entre os homens".
Até que minha mãe fez seus comentários, enquanto eu apenas mastigava minha comida e ruminava pensamentos senis anti-mídia corporativos. Ela vem do interior, então conhece um pouco da situação. Segunda ela, esses trabalhadores ganham uma miséria, dormem pouco pra caralho, trabalham um monte e só vêem aquela churrascada na boca dos latifundiário donos dos bichos. E, por mais que pareça um paradoxo, ainda defendem os caras. Mas não é de graça.
É certo que boa parte destes trabalhadores deve se emputiar com o trabalho e a situação. Eu sei por conhecimento empírico, pois tenho parentes no interior, como já havia dito. Lá, Legislação Trabalhista é utopia. A galera trabalha o dia todo, do raiar a baixar do sol, sem arrego. Então, pra quem vive todo dia essa situção, uma semana de Expointer não é nada.
Bom, quanto à imprensa corporativa, não quero falar nada. Já está todo mundo cansado de saber do que eu iria falar. A construção da "verdade" é uma questão bem séria. Além disso, a ligação dessa emissora com os poderes instituídos é bem conhecida, especificamente com os poderes provindos do campo. Um exemplo, o cara do Anonymus Gourmet, que é neto do velho Pinheiro Machado, não por acaso nome de uma boa quantidade de ruas no Estado.
E os liberais ainda vêm chamar a Globo de comunista.
Mas chega de blábláblá anti-qualquer coisa. Temos mais o que se fazer do que ficar pensando na rbs

26.8.08

Como o vovô niet já dizia

"O homem de uma era de dissolução e de mestiçagem confusa, que leva no corpo uma herança de ascendência múltipla, isto é, impulsos e escalas de valor mais que contraditórios, que lutam entre si e raramente se dão trégua - esse homem das culturas tardias e das luzes veladas será, por via de regra, um homem bem fraco: sua aspiração mais profunda é que um dia tenha fim a guerra que ele é; a felicidade lhe parece, de acordo com uma medicina e maneira de pensar tranqülizante (epicúrea ou cristã, por exemplo), sobretudo a felicidade do repouso, da não-perturbação, da saciedade, da unidade enfim alcançada, ou "sabá dos sabás", para dizer como o santo retor Agostinho, ele mesmo um desses homens. - Mas se numa tal natureza a contradição e a guerra atuam como uma atração e estímulo de vida mais -, e se, além dos seus impulsos fortes e inconciliáveis, também foi herdada e cultivada uma autêntica mestria e sutileza na guerra consigo, ou seja, no autodomínio e engano de si: então surgem esses homens espantosamente incompreensíveis e inimagináveis, esses enigmas predestinados à vitória e à sedução, cujos mais belos exemplos são Alcíbiades e César (-aos quais eu gostaria de juntar o primeiro europeu a meu gosto, Frederico II de Hohenstaufen), e, entre os artistas, talvez Leonardo da Vinci. Eles surgem precisamente nas épocas em que avulta aquele tipo mais fraco, que aspira ao repouso: os dois tipos estão relacionados e se originam das mesmas causas."

(Nietzsche, Frederico. Além do Bem e do Mal. Aforismo 200. São Paulo: Companhia das Letras, p. 86s.)

9.8.08

Um resto de bom senso:

Eu troquei o quase nada por muito pouco.

26.7.08

Foda-se ela
Foda-se eu
Fodamo-nos nós
E o futuro
a gente vê amanhã

9.6.08

Sempre mais do mesmo

Não vou dizer que não fiquei contente com essa história da Yeda. Óbvio. Mas... sempre a mesma história. "Ah, o grupo do governo foi pego com a mão na massa"; "combate à corrupção" e tantos outros uivos democráticos. Isso cansa!
Porra, todo mundo faz isso! Melhor: nosso sistema democrático representativo precisa de corrupção para poder funcionar. Isso quase todo o mundo sabe. Para o presidente passar uma lei no Congresso - que é composto, em sua maior parte, pela oposição - é obrigatório comprar as pintas. Não estou apontando ser isso o correto, mas é o instituído. Todo mundo, ao entrar no jogo, precisa se adequar às regras. Caso contrário, só uma revolução pra resolver. E esse não é o caso do Brasil. Pelo menos por enquanto.
Ouvir o Lasier Martins, um dos mais destacados cavaleiros contra-corrupção desta Província de São Pedro, é bucha!É sempre o mesmo papo... e as pessoas, repetindo as mesmas indignações de sempre, permanecem (como eu) com uma tremenda sensação de impotência. O sistema político institucional é um caso perdido. Tá, temos os partidos de esquerda com uma proposta mais progressista, mas esses caras reforçam sempre que o único caminho é o institucional, espaço vedado às pessoas fora dos partidos. A proposta da esquerda, ao meu ver, não muda muito a situação, já que o eleitorado permanece sempre em sua postura passiva, de se mexer só na hora das eleições ou na hora de passeata organizada pelo partido.
No meu pensamento mais idealizado, tirado de exemplos dados por outras realidades, é a organização espontânea e local o caminho mais adequado para dar outro andamento à relação de forças. Organizações locais, com instrumentalização jurídica ou mesmo paramilitar, dependendo da situação, com objetivos primeiros de caráter pontual. Depois, a articulação destes diferentes movimentos em rede, em que o espaço político institucional passa a ser apenas mais um entre os muitos campos de luta possíveis. Esse, se não estou enganado, é o caso boliviano.
Para encerrar: sim, apesar do exposto, votarei para o pt para as próximas eleições para governo do estado. Voto útil, contra possíveis políticas de liberalização do estado, como as da atual fubanga governadora. Segunda coisa, acho que tinha que ter ensino de legislação no colégio.

13.5.08

Toma cuidado, Lu!


Canção de um pastor de cabras teocrítico

Eís-me deitado, doente do intestino -
Os percevejos me devoram.
Lá adiante ainda há luzes e barulhos!
Escuto-os dançarem...

Ela queria, a esta hora,
Escapar até onde estou.
Espero como um cão -
Não vejo sinal dela.

E o sinal-da-cruz quando prometeu?
Como podia ela mentir?
- Ou corre atrás de qualquer um,
Como fizeram minhas cabras?

Onde arranjou o vestido de seda?
Ah, minha orgulhosa!
Haverá outros bodes ainda
Nesse bosque?

- Como torna confuso e envenenado
A espera amorosa!
Assim brota, na noite abafada,
O cogumelo venenoso.

Amor me consome
Como sete males -
Não tenho apetite para nada
Adeus, minhas cebolinhas!

A lua já se pôs no mar,
Cansadas já estão as estrelas,
Cinzento nasce o dia -
Eu bem que morreria.

(Frederico Nietzsche. A Gaia Ciência. Apêndice: Canções do príncipe Vogelfrei. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 302s)

4.5.08

Cotas

O que eu entendo por raça?

Raça são ônibus cheios de gente majoritariamente negra ou majoritariamente branca. Basta pegar o Menino Deus e depois o Restinga ou o Campo Novo, lá pelas sete horas. O projeto de urbanização de Porto Alegre denota divisão racial.
A população "branca" tem maior tempo de escolaridade que a "negra" e "parda". Tá lá nos estudos do IPEA. É só conferir. Me lembro da propaganda do Banrisul. Só tinha uma negra. Bastante clara. Ao fundo da imagem, onde ela estava, até parecia branca.

O embaixador Alberto da Costa e Silva, um dos maiores entendedores da África no Brasil, diz que não sabemos o quanto temos de africanidade. E o currículo de história da UFRGS só tem cadeiras eletivas de história da África. Quem estuda a situação do negro no Brasil, só sob a ótica do escravo. Só as negociações. Donde essa gente vem parece não ter valor para a narrativa histórica. Não tenho os dados exatos, mas parece que 90% da população estudantil das universidades federais é branca. Vejo ainda poucos negros no Campus do Vale, onde ficam boa parte dos cursos. Raça, pra mim, é isso. Política, história, costumes, economia, educação. Olha que nem falei do público das prisões. Olha que nem falei do medo que tenho quando vejo pessoas trajadas como "manos" se aproximando de mim na noite, pelas ruas do centro e Cidade Baixa. Quero dizer, raça são imaginários sociais também.

Há gente a chamar o Brasil de país racista. Ao mesmo tempo, muitos destes negam a existência de raças. E como vai haver racismo sem haver raças? No sentido biológico, certamente não existe. Mas olha um pouco de tv. Nesta, o mundo parece que é todo branco. Raça é economia, raça é imaginário, raça é estética, raça são políticas de segurança.

Muitos acham racismo a estipulação de cotas raciais. Mas o sistema meritocrático, quase sem querer, também não é racializado? Mérito de filhos de funcionários públicos, médicos, engenheiros. Isso não é contestado por quem contesta as cotas. Fica-se com o "temos que melhorar o sistema de ensino do povo". Mas quem luta pelas cotas não disse o contrário. Nesse ponto há concordância.

A questão das cotas, para mim, não é tanto educacional. É profissional. Ao nível universitário, os formandos são em geral provenientes de classes mais abastadas. Acredito eu, predominantemente brancos. Pois bem, me pergunto se um arquiteto vindo deste grupo socio-econômico vai ter a vontade de entender as especificidades da ocupação territorial e da habitação guarani, que não são semelhantes a nossa. Ou se um médico, trabalhando num posto da periferia, vai ter a sensibilidade para entender e atender a uma mulher negra que recém transou com seu homem e apareceu para consulta sem tomar banho. Este foi um caso contado por uma amiga minha. Ela apenas culpou a mulher pela sua falta de educação. Será que ela estava apta para entender essa mulher? Será que, nesse caso, ela estava apta para atendê-la? Eu imagino que um profissional originado da periferia, alguém que conheça a situação de seus vizinhos, terá maiores condições de entender e atender nos postos das periferias da nossa cidade. Assim como um nutricionista kaingang terá melhores condições para intervir junto aos seus.
As cotas me parecem uma questão muito prática.
Sua implementação é complicadíssima. Seus mecanismos são muito sensíveis. Identidades são coisas tão instáveis, tão difíceis de se determinar.

Os debates também são complicadíssimos. Em geral, se joga com informações hipotéticas. Como no caso deste texto, em alguns momentos. "Os cotistas terão notas baixas". "Os cotistas não terão condições de se manter financeiramente". Essas são questões importantes, as quais devem estar nos cálculos da comissão de implementação das cotas. Mas acredito que não devem impedir a tentativa de implantação.E dizer que quem é contra as cotas é racista também não é certo. Melhor, é uma estupidez.
Este texto é muito apologético. Deve ser combatido. Deve ser deslegitimado, principalmente pelo pouco caso do autor em construí-lo com maior cuidado. Tudo que é fraco dever ser atacado e desmontado.E os pontos francos das cotas devem ser atacados. Só assim poderá ter maiores condições de se manter.

25.3.08

Texto muito interessante sobre o modelo energético brasileiro, aqui, encontrado no endereço do Movimento dos Atingidos por Barragem.

19.3.08

O incansável Super-Homem, em sua nova missão...

Os últimos cinco anos da ação estadunidense "Iraque Livre" renderam algo entre 100.000 e 1,2 milhão de assassinatos de civis, de acordo com uma reportagem no Le Monde, aqui (a foto acima, incusive, se encontra nessa página). Os números são confusos, mas as fontes referidas na notícia têm em comum o fato de apresentarem altas cifras. O Iraq Body Count, grupo de pesquisa britânica, sugere que os EUA mataram quatro vezes mais civis do que rebeldes nos dois primeiros anos de guerra; a OMS no Iraque, em pesquisa realizada em 2007, ressaltou que 151.000 iraquianos foram assassinados de maneira violenta nos três primeiros anos de invasão americana, número duas vezes maior que a dos dois últimos anos do regime de S. Hussein; a revista médica britânica The Lancet estimou, em pesquisa ralizada em 2006, que cerca de 2,5% de uma população de 26 milhões sofreu morte violênta.
Essas missões de paz dão medo...

18.3.08

Blog Pé na África

Descobri um blog da Folha OnLine, o Pé na África, de autoria de Fabio Zanini, que trata, como se pode prever, de relações inter-étnicas. Vale a pena conferir a triste matéria do dia 18/03.

15.3.08

Manifesto das Mulheres da Via Campesina

Vale a pena dar uma conferida no Manifesto das Mulheres da Via Campesina, aqui, as quais fizeram um protesto esses dias contra plantações de eucaliptos ali pela região da fronteira.

14.3.08

Tô num momento não muito propício pra escrever. Por isso, prefiro só divulgar sites e blogs. Encontrei mais dois endereços de notícias, quais sejam, o Word Socialist Web Site, em português, e o Últimas Notícias. Bom, boas leituras!

7.3.08

Terrorismo internacional

Excelente artigo de Noam Chomsky sobre o terrorismo internacional praticado, segundo ele, pelos três maiores maiores terroristas do mundo: os EUA, a Inglaterra e Israel, aqui.

Eís uma palinha:

Ocorre, na verdade, que eles [os EUA e Israel] e seus apologistas olham para os africanos sentindo o que nós sentiríamos ao esmagar uma formiga quando caminhamos pela rua. Somos conscientes de que é possível que ocorra (se nos incomodarmos em pensar sobre isso), mas não queremos matá-las, porque não são dignas nem dessa consideração. Não é necessário dizer que ataques similares perpetrados por araboushim em áreas habitadas por seres humanos seriam considerados de maneira muito diferente. Se por um momento fôssemos capazes de adotar a perspectiva do mundo, poderíamos nos perguntar quem são os criminosos “mais procurados no mundo inteiro”.

29.2.08

Kenya, informação, perspectiva, limitação e descoberta

Parece haver possibilidade de diminuir a tensão no Kenya, de acordo com esta notícia aqui, do Libération. Os dois protagonistas do confronto, os presidentes dos partidos rivais, assinaram um acordo, sob a supervisão de Kofi Annan, tendo como principal medida a criação do cargo de primeiro ministro, coisa até então inexistente no campo institucional kenyano.
Olha, sinceramente, esse tipo de política não me interessa. Meu foco de interesse, na real, ficou para a última linha da notícia: o saldo da crise pós-eleitoral é de 1.500 mortos e 300.000 "deslocados". Caralho! Três Maracanas lotados longe de suas casas e a única marca disso na notícia são números... tá, eu sei, têm muitas notícias tratando da situação das populações mas, se notarmos, boa parte do jogo informacional ao qual estamos habituados tem por foco essa mesma relação entre políticos, empresários, atores e companhia limitada. Para ver os grupos subalternos, só na página policial e, evidentemente, nos classificados . É o velho padrão ao qual talvez nem tenhamos noção de sua existência. O migrante, o desclassificado, o ilegal, o desaparecido, são todos exotismos, coisas interessantes, notícias relâmpagos: nunca são a situação estrutural, o estruturante!
Penso na formação no minha faculdade: quais foram as oportunidades ali encontradas para se poder entender o mundo pós-colonial, dito terceiro mundista, senão com ferramentas retiradas de autores que nunca saíram da Europa. Mesmo autores do Brasil e da América Latina, muito pouco é aqui conhecido. E o que resta? Resta só o esforço político de ir atrás de autores fundamentais latino-americanos, asiáticos e africanos, aprender inglês na marra e fazer tentativas de pôr novas perspectivas em circulação.
Nossos padrões mentais, intelectuais, são tão fechados, tão quadrados, tão moldados, que a idéia de tentar perceber o desconhecido debaixo do nosso nariz soa estranha. Mas há um sinal demontrativo dessa limitação: quando achamos desnecessário conhecer o desconhecido, quando achamos não haver desconhecido necessário, sejam autores, sejam fatos, sejam perspectivas, então estamos realmente de acordo com a situação das coisas, quero dizer, com a nossa situaçã de miopia crônica. E o que resta?

22.2.08

Caos no Kenya

Vídeo encontrado no The Guardian sobre a situaçã lá no Kenya, aqui. Apesar de ser em inglês, vale a pena dar uma olhada.

20.2.08

O caminhos das flores

Coçou o saco, ajeitou a camisa, deu uma última olhada no espelho e partiu. O mesmo caminho. O de sempre, desde os últimos seis meses. Conhecia todos os atalhos. Em vez de descer do ônibus na parada onde desce a maioria das pessoas, puxou a campainha uma antes para tomar um caminho mais curto; seguiu para o estacionamento, com carros e chão de paralelepipedo, com a pressa de quem está meio atrasado. Depois de entrar no prédio, tomou o elevador, não sem antes ficar alguns instantes angustiantes na fila do elevador. Como sempre chegou uns dez minutos antes do exigido, arfando um pouco, não muito a vontade consigo.

Fica a questão: qual a porra de princípios norteadores da escolha desse rapaz? A princípio, parece ser a de tentar, o máximo possível, optimizar o tempo, fazendo qualquer atividade com o menor gasto possível; outro, parece ser o de tomar o caminho menor, princípio que não deixa de estar ligado ao anterior mas, ainda assim, possuí vida própria.

Pois bem, e se esse pusilâme tomasse outros princípios norteadores. Vejamos:

Acordou. Apertou o "soneca" do celular e voltou a dormir. Acordou dez minutos mais tarde, para levantar só cinco minutos depois. Sentou no sofá, com um copo de leite com café na mão, curtindo um som. Arrumou-se ligeiro, sem ter tempo para escovar os dentes. Pegou o ônibus. Atrasado. Mas tinha um porquê: uma boa companhia de viagem... Desceu com ela na parada onde desce a maioria. Seguiu por um caminho o qual sabia ser o mais comprido, com uns canteiros com flores simpáticas... e outro jardizinho também, em frente a um bar, com uma flores a tomar café. Entranto no prédio, tomou as escadas, por detestar filas e por querer fazer pelo menos algum exercício físico no dia. Chegou um pouco atrasado, mas nada de mais. Ficou a pensar na possibilidade de convidar sua companhia de viagem pr'uma ceva depois do expediente de ambos.


Fica a derradeira questão: o que vale mais a pena: o útil ou o bom? Há também uma pergunta decorrente desta, ou talvez até anterior: será que o útil implica algo bom?

14.2.08

Mídia corporativa X Lulinha

Ótimo texto sobre o jogo da mídia corporativa contra o governo Lula: Eles não desistem, no Cão Uivador. Não que eu defenda o governo, mas a ação da Globo e cia. é tosca e mal intencionada, para variar um pouco.

16.1.08

Demo cracias...

enquanto eu rio da nossa democracia, tem sangue e fogo rolando no Quênia, segundo o Mídia Independente: Situação no Kenya. Se é fato ou não, só o tempo vai dizer, mas vale a pena dar uma conferida. Não é de se ficar bem...

13.1.08

Para o Ano Novo

Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho de viver, pois ainda tenho de pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum [Eu sou, portanto penso: eu penso, portanto sou]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e que pensamento, este ano, me veio primeiramente ao coração – que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diga Sim!

(Nietzsche. A Gaia Ciência. Companhia das Letras, 2001. Aforismo 276.)

27.12.07

Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou no sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer
Ou se é fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.

Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles,
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!

Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.

Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.
Para qual fui injusto - eu, que as vou comer a ambas?

(Fernando Pessoa. Poesia completa de Alberto Caeiro. Companhia do Bolso, 2006, p. 129)

20.12.07

Eu X Eu X Eu

Há uma confusão de eu's na mesma pessoa. Uma série de propostas, desejos, métodos e morais diferenciados, às vezes até antagônicas, convive conflituosamente na mesma pessoa. Ao final, à superfície se apresenta a moral, o desejo, a vontade vitoriosa.

E apenas uma deve ser dominante, restando às outras o esgueirar-se pelas ruelas mal iluminadas da psiquê, esperando o momento oportuno para pôr em xeque a "proposta" dominante. A personalidade é uma guerra. Uma guerra de posições diferenciadas, emergidas numa dada situação e em formação constante, com momentos de trégua, situações de aliança, as quais nada podem fazer contra a lógica do "sistema": apenas um pode dominar a superfície. Os indivíduos mais inconstantes, mais vacilantes, mais claudicantes - mais "fraquinhos" -, são os viventes de crises de "personalidade": não tem certeza das próprias sensações, das próprias morais, das próprias vontades, no fim das contas, das próprias decisões.

Há momentos da vida nos quais não se pode pensar muito, a resposta deve ser rápida e a decisão, mantida até segunda ordem. Senão, as conseqüências geradas pela inconsistência e pela indecisão são as mais danosas, as mais insuportáveis. Uma decisão, quando anconrada numa decisão firme, numa moral específica, deve ser mantida até segunda ordem, carregando todos os possíveis empecilhos como adereços da fantasia. Os adereços pesam, podem machucar, mas sem eles a fantasia não é tão bela. A escolha pela beleza pode chegar a ser, mesmo, uma escolha pela "insanidade". Mas a "insanidade" pode ser a racionalidade de quem vê a mesma coisa por outro ângulo ou, até, de quem descobre alguma coisa... nova.

17.12.07

Um dia a mais ou um dia a menos?

Atucanado com o fim do trabalho, levantou os olhos para ver o restante da tarefa. Nada difícil, mas não agüentava mais. Seu humor no serviço variava bastante: ou estava muito emputecido, ou, no mínimo, só estava de saco cheio. Ao levantar os olhos, cuidou para não ficar ofuscado com a luz do sol, manejando o boné de forma a dar sombra à fronte. O trabalho já estava bastante adiantado, faltavam apenas uns 30 metros de cano para alojar e o piche para recobrir o chão. O calor era de lascar, mas nada que o costume não ensinasse a suportar.
Terminadas as atividades, riu um pouco com os colegas e dirigiu-se, junto aos mesmos, para um bar próximo. Já um pouco bêbado, voltou para casa, onde encontrou mulher, filha e mesa posta. Comeu, discutiu mais um pouco com a mulher pelos gastos no bar, se re-entendeu com ela na cama e, depois de um leve sorriso no escuro, sentiu como a vida é boa. Nem mais se lembrava do amanhã, que seria o mesmo dia de ontem.

13.12.07

AS SOBRAS QUE TE MANTÊM VIVO SÃO O QUE GARANTEM TUA
MISÉRIA

3.12.07

Ótima descoberta de blog, pertencente a um amigo meu, o Bruno Ortiz Monllor (sim, este é o nome do blog)

29.11.07

Pode deixar, eu te represento!

Duvido mesmo?

A arrogância interminável dos leitores de intelectuais franceses, ingleses e alemães, ou mesmo anglo-indianos ou franco-argelinos, não tem limites. Melhor, não tem noção. Melhor, não temos noção. Os bancos de universidade, os colchões ortopedicamente projetados, as obras primas das ciências sociais e da literatura "universal" em edições belíssimas (e caríssimas) são suficientes para entender o palpável, as coisas tais como são? Ou então, para designar o que é melhor para o mundo? Duvido de mim mesmo. Melhor, duvido que consiga duvidar de mim mesmo.

Arrogante arrogante arrogante

Nos achamos como Jesus na cruz: "Eles não sabem o que fazem!".E eu, será que sei? Será que sei de mim, para depois falar do outro?
Mas uma certeza percorre toda essa inquietação: toda falta de dúvida sobre si mesmo indica uma conivência com o engano - auto-engano.

26.11.07

Tropa de elite: fascista ou não?

Ótimo texto do Valter sobre filme Tropa de Elite, aqui.

20.11.07

Eu queria saber quem foi o cagalhão
que inventou de rimar dor com amor.

19.11.07

Estrelinha estrelinha

"Ah, estrela bonita, és minha irmã!".
Sentado na grama, contemplando o céu, o rapaz concentrava sua atenção numa estrela fulgurante. Brilhava esta multi-colorida, diferente das outras: ora era vermelha, ora esverdeada, ora amarela, ora todas as cores juntas.
"É um espetáculo lindo de se ver essa estrela", pensou consigo. "Estrela amiga, a beleza de tua luz renova minh'alma! Eu, até agora fraco, sinto-me revigorado pela pureza de tua chama... obrigado, estrela irmã!

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Há dois bilhões de anos, uma guerra fatricida no planeta dos macacos ocasionou uma crise no sistema solar. A típica mistura de sede de sangue, medo, tecnologia ultra-avançada e palavras de baixo calão provocou a destruição do sol, centro deste sistema. Foram necessários dois bilhões de anos-luz para a luz dessa explosão chegar à Terra.

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Nota astronômica: quando estrelas brilham com diversas cores significa que já explodiram.

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12.11.07

Uma palinha da entrevista de Noam Chomsky à revista Cult

CULT - O senhor considera que a humanidade vive atualmente um otimismo inconseqüente? O senhor acredita em algum argumento básico, que pode fazer com que os desatentos reflitam sobre o estado atual da política internacional e das questões relativas à natureza como o aquecimento global, sem parecer apologia do pessimismo? É possível reletir hoje sem usar esse termo?



Noam Chomsky - Não apenas acho que é possível, sei que é possível, por experiência e pela história. Todos nós sabemos. Confrontar o poder, a repressão e a injustiça nunca foi fácil, mas muitas tarefas foram realizadas e o sucesso não foi pequeno. As lutas de muitos anos nos deixaram um legado de liberdade que é raro em padrões históricos comparativos. Podemos optar por usar esse legado para carregar a luta para a frente ou podemos decidir abandonar a esperança, acreditando que o pior vai acontecer. Essa escolha é comum no decorrer da história. Felizmente, muitas pessoas não abandonaram a esperança, e não há razão para fazê-lo hoje.

(Revista Cult, ano 10, número 16, p. 10)

1.11.07

Brasil 2014 e saúde pública

Dizem que conhecer "verdade" é um passo pro sofrimento e que o melhor é ser ignorante. E é verdade. É verdade se se considerar que a nossa opinião e o conhecimento apreendido vão fazer diferença. Se o que acabo de conhecer e a minha opinião não vão mudar nada da realidade, para que me preocupar?
Eu defendo instintivamente: é melhor saber que não saber, pois assim temos maior quantidade de informações para pautar nossas escolhas. Talvez isso não garanta sucesso nem felicidade, mas garante, quem sabe, um aumento no horizonte.

Disse toda essa bobajada só para divulgar os seguintes textos: o primeiro é sobre a
copa de 2014, do blog Cataclisma 14; o segundo é sobre a Emenda 29 sobre saúde pública, encontrada no CMI.