"O homem de uma era de dissolução e de mestiçagem confusa, que leva no corpo uma herança de ascendência múltipla, isto é, impulsos e escalas de valor mais que contraditórios, que lutam entre si e raramente se dão trégua - esse homem das culturas tardias e das luzes veladas será, por via de regra, um homem bem fraco: sua aspiração mais profunda é que um dia tenha fim a guerra que ele é; a felicidade lhe parece, de acordo com uma medicina e maneira de pensar tranqülizante (epicúrea ou cristã, por exemplo), sobretudo a felicidade do repouso, da não-perturbação, da saciedade, da unidade enfim alcançada, ou "sabá dos sabás", para dizer como o santo retor Agostinho, ele mesmo um desses homens. - Mas se numa tal natureza a contradição e a guerra atuam como uma atração e estímulo de vida mais -, e se, além dos seus impulsos fortes e inconciliáveis, também foi herdada e cultivada uma autêntica mestria e sutileza na guerra consigo, ou seja, no autodomínio e engano de si: então surgem esses homens espantosamente incompreensíveis e inimagináveis, esses enigmas predestinados à vitória e à sedução, cujos mais belos exemplos são Alcíbiades e César (-aos quais eu gostaria de juntar o primeiro europeu a meu gosto, Frederico II de Hohenstaufen), e, entre os artistas, talvez Leonardo da Vinci. Eles surgem precisamente nas épocas em que avulta aquele tipo mais fraco, que aspira ao repouso: os dois tipos estão relacionados e se originam das mesmas causas."
(Nietzsche, Frederico. Além do Bem e do Mal. Aforismo 200. São Paulo: Companhia das Letras, p. 86s.)
26.8.08
9.8.08
9.6.08
Sempre mais do mesmo
Não vou dizer que não fiquei contente com essa história da Yeda. Óbvio. Mas... sempre a mesma história. "Ah, o grupo do governo foi pego com a mão na massa"; "combate à corrupção" e tantos outros uivos democráticos. Isso cansa!
Porra, todo mundo faz isso! Melhor: nosso sistema democrático representativo precisa de corrupção para poder funcionar. Isso quase todo o mundo sabe. Para o presidente passar uma lei no Congresso - que é composto, em sua maior parte, pela oposição - é obrigatório comprar as pintas. Não estou apontando ser isso o correto, mas é o instituído. Todo mundo, ao entrar no jogo, precisa se adequar às regras. Caso contrário, só uma revolução pra resolver. E esse não é o caso do Brasil. Pelo menos por enquanto.
Ouvir o Lasier Martins, um dos mais destacados cavaleiros contra-corrupção desta Província de São Pedro, é bucha!É sempre o mesmo papo... e as pessoas, repetindo as mesmas indignações de sempre, permanecem (como eu) com uma tremenda sensação de impotência. O sistema político institucional é um caso perdido. Tá, temos os partidos de esquerda com uma proposta mais progressista, mas esses caras reforçam sempre que o único caminho é o institucional, espaço vedado às pessoas fora dos partidos. A proposta da esquerda, ao meu ver, não muda muito a situação, já que o eleitorado permanece sempre em sua postura passiva, de se mexer só na hora das eleições ou na hora de passeata organizada pelo partido.
No meu pensamento mais idealizado, tirado de exemplos dados por outras realidades, é a organização espontânea e local o caminho mais adequado para dar outro andamento à relação de forças. Organizações locais, com instrumentalização jurídica ou mesmo paramilitar, dependendo da situação, com objetivos primeiros de caráter pontual. Depois, a articulação destes diferentes movimentos em rede, em que o espaço político institucional passa a ser apenas mais um entre os muitos campos de luta possíveis. Esse, se não estou enganado, é o caso boliviano.
Para encerrar: sim, apesar do exposto, votarei para o pt para as próximas eleições para governo do estado. Voto útil, contra possíveis políticas de liberalização do estado, como as da atual fubanga governadora. Segunda coisa, acho que tinha que ter ensino de legislação no colégio.
Porra, todo mundo faz isso! Melhor: nosso sistema democrático representativo precisa de corrupção para poder funcionar. Isso quase todo o mundo sabe. Para o presidente passar uma lei no Congresso - que é composto, em sua maior parte, pela oposição - é obrigatório comprar as pintas. Não estou apontando ser isso o correto, mas é o instituído. Todo mundo, ao entrar no jogo, precisa se adequar às regras. Caso contrário, só uma revolução pra resolver. E esse não é o caso do Brasil. Pelo menos por enquanto.
Ouvir o Lasier Martins, um dos mais destacados cavaleiros contra-corrupção desta Província de São Pedro, é bucha!É sempre o mesmo papo... e as pessoas, repetindo as mesmas indignações de sempre, permanecem (como eu) com uma tremenda sensação de impotência. O sistema político institucional é um caso perdido. Tá, temos os partidos de esquerda com uma proposta mais progressista, mas esses caras reforçam sempre que o único caminho é o institucional, espaço vedado às pessoas fora dos partidos. A proposta da esquerda, ao meu ver, não muda muito a situação, já que o eleitorado permanece sempre em sua postura passiva, de se mexer só na hora das eleições ou na hora de passeata organizada pelo partido.
No meu pensamento mais idealizado, tirado de exemplos dados por outras realidades, é a organização espontânea e local o caminho mais adequado para dar outro andamento à relação de forças. Organizações locais, com instrumentalização jurídica ou mesmo paramilitar, dependendo da situação, com objetivos primeiros de caráter pontual. Depois, a articulação destes diferentes movimentos em rede, em que o espaço político institucional passa a ser apenas mais um entre os muitos campos de luta possíveis. Esse, se não estou enganado, é o caso boliviano.
Para encerrar: sim, apesar do exposto, votarei para o pt para as próximas eleições para governo do estado. Voto útil, contra possíveis políticas de liberalização do estado, como as da atual fubanga governadora. Segunda coisa, acho que tinha que ter ensino de legislação no colégio.
21.5.08
13.5.08
Toma cuidado, Lu!
Canção de um pastor de cabras teocrítico
Eís-me deitado, doente do intestino -
Os percevejos me devoram.
Lá adiante ainda há luzes e barulhos!
Escuto-os dançarem...
Ela queria, a esta hora,
Escapar até onde estou.
Espero como um cão -
Não vejo sinal dela.
E o sinal-da-cruz quando prometeu?
Como podia ela mentir?
- Ou corre atrás de qualquer um,
Como fizeram minhas cabras?
Onde arranjou o vestido de seda?
Ah, minha orgulhosa!
Haverá outros bodes ainda
Nesse bosque?
- Como torna confuso e envenenado
A espera amorosa!
Assim brota, na noite abafada,
O cogumelo venenoso.
Amor me consome
Como sete males -
Não tenho apetite para nada
Adeus, minhas cebolinhas!
A lua já se pôs no mar,
Cansadas já estão as estrelas,
Cinzento nasce o dia -
Eu bem que morreria.
(Frederico Nietzsche. A Gaia Ciência. Apêndice: Canções do príncipe Vogelfrei. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 302s)
11.5.08
Trabalho numa repartição pública. Especificamente no setor do arquivo. É muito papel inutilizado. E mesmo, muito papel por mim inutilizado. Parece que tudo que sei sobre a situação rural, social e ecológica do Rio Grande do Sul com o empreendimento das multinacionais do papel não significa nada. Bom, alguma coisa significa, mas não tudo que deveria.
Abaixo, mais uma parte de um texto do Movimento dos Atingidos por Barragens. Clique no excerto para ter acesso ao todo.
Segundo o professor de Biologia, Dr. Paulo Brank, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mais de 90% da celulose das três gigantes multinacionais Stora Enzo, Aracruz, Votorantin, será pasta para celulose para exportação. “O papel será feito no primeiro mundo e as terras esgotadas e a poluição ficarão por aqui. O capital internacional viu que as terras aqui são baratas, as pessoas estão largando suas lidas no campo para arrendar ou vender suas terras”, afrima Brank. O projeto das três empresas é de plantar mais de 1 milhão de hectares de monoculturas de árvores exóticas para alimentar o crescimento infinito do consumo de papel. Brank acredita que se for diminuído o consumo de papel, o que a terra agradeceria, as empresas vão faturar menos e que estas monoculturas estão gerando o aumento do êxodo rural e a insustentabilidade financeira do agricultor ou pecuarista no Uruguai, Chile, Brasil.
Abaixo, mais uma parte de um texto do Movimento dos Atingidos por Barragens. Clique no excerto para ter acesso ao todo.
Segundo o professor de Biologia, Dr. Paulo Brank, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mais de 90% da celulose das três gigantes multinacionais Stora Enzo, Aracruz, Votorantin, será pasta para celulose para exportação. “O papel será feito no primeiro mundo e as terras esgotadas e a poluição ficarão por aqui. O capital internacional viu que as terras aqui são baratas, as pessoas estão largando suas lidas no campo para arrendar ou vender suas terras”, afrima Brank. O projeto das três empresas é de plantar mais de 1 milhão de hectares de monoculturas de árvores exóticas para alimentar o crescimento infinito do consumo de papel. Brank acredita que se for diminuído o consumo de papel, o que a terra agradeceria, as empresas vão faturar menos e que estas monoculturas estão gerando o aumento do êxodo rural e a insustentabilidade financeira do agricultor ou pecuarista no Uruguai, Chile, Brasil.
4.5.08
Cotas
O que eu entendo por raça?
Raça são ônibus cheios de gente majoritariamente negra ou majoritariamente branca. Basta pegar o Menino Deus e depois o Restinga ou o Campo Novo, lá pelas sete horas. O projeto de urbanização de Porto Alegre denota divisão racial.
A população "branca" tem maior tempo de escolaridade que a "negra" e "parda". Tá lá nos estudos do IPEA. É só conferir. Me lembro da propaganda do Banrisul. Só tinha uma negra. Bastante clara. Ao fundo da imagem, onde ela estava, até parecia branca.
O embaixador Alberto da Costa e Silva, um dos maiores entendedores da África no Brasil, diz que não sabemos o quanto temos de africanidade. E o currículo de história da UFRGS só tem cadeiras eletivas de história da África. Quem estuda a situação do negro no Brasil, só sob a ótica do escravo. Só as negociações. Donde essa gente vem parece não ter valor para a narrativa histórica. Não tenho os dados exatos, mas parece que 90% da população estudantil das universidades federais é branca. Vejo ainda poucos negros no Campus do Vale, onde ficam boa parte dos cursos. Raça, pra mim, é isso. Política, história, costumes, economia, educação. Olha que nem falei do público das prisões. Olha que nem falei do medo que tenho quando vejo pessoas trajadas como "manos" se aproximando de mim na noite, pelas ruas do centro e Cidade Baixa. Quero dizer, raça são imaginários sociais também.
Há gente a chamar o Brasil de país racista. Ao mesmo tempo, muitos destes negam a existência de raças. E como vai haver racismo sem haver raças? No sentido biológico, certamente não existe. Mas olha um pouco de tv. Nesta, o mundo parece que é todo branco. Raça é economia, raça é imaginário, raça é estética, raça são políticas de segurança.
Muitos acham racismo a estipulação de cotas raciais. Mas o sistema meritocrático, quase sem querer, também não é racializado? Mérito de filhos de funcionários públicos, médicos, engenheiros. Isso não é contestado por quem contesta as cotas. Fica-se com o "temos que melhorar o sistema de ensino do povo". Mas quem luta pelas cotas não disse o contrário. Nesse ponto há concordância.
A questão das cotas, para mim, não é tanto educacional. É profissional. Ao nível universitário, os formandos são em geral provenientes de classes mais abastadas. Acredito eu, predominantemente brancos. Pois bem, me pergunto se um arquiteto vindo deste grupo socio-econômico vai ter a vontade de entender as especificidades da ocupação territorial e da habitação guarani, que não são semelhantes a nossa. Ou se um médico, trabalhando num posto da periferia, vai ter a sensibilidade para entender e atender a uma mulher negra que recém transou com seu homem e apareceu para consulta sem tomar banho. Este foi um caso contado por uma amiga minha. Ela apenas culpou a mulher pela sua falta de educação. Será que ela estava apta para entender essa mulher? Será que, nesse caso, ela estava apta para atendê-la? Eu imagino que um profissional originado da periferia, alguém que conheça a situação de seus vizinhos, terá maiores condições de entender e atender nos postos das periferias da nossa cidade. Assim como um nutricionista kaingang terá melhores condições para intervir junto aos seus.
As cotas me parecem uma questão muito prática.
Sua implementação é complicadíssima. Seus mecanismos são muito sensíveis. Identidades são coisas tão instáveis, tão difíceis de se determinar.
Os debates também são complicadíssimos. Em geral, se joga com informações hipotéticas. Como no caso deste texto, em alguns momentos. "Os cotistas terão notas baixas". "Os cotistas não terão condições de se manter financeiramente". Essas são questões importantes, as quais devem estar nos cálculos da comissão de implementação das cotas. Mas acredito que não devem impedir a tentativa de implantação.E dizer que quem é contra as cotas é racista também não é certo. Melhor, é uma estupidez.
Este texto é muito apologético. Deve ser combatido. Deve ser deslegitimado, principalmente pelo pouco caso do autor em construí-lo com maior cuidado. Tudo que é fraco dever ser atacado e desmontado.E os pontos francos das cotas devem ser atacados. Só assim poderá ter maiores condições de se manter.
Raça são ônibus cheios de gente majoritariamente negra ou majoritariamente branca. Basta pegar o Menino Deus e depois o Restinga ou o Campo Novo, lá pelas sete horas. O projeto de urbanização de Porto Alegre denota divisão racial.
A população "branca" tem maior tempo de escolaridade que a "negra" e "parda". Tá lá nos estudos do IPEA. É só conferir. Me lembro da propaganda do Banrisul. Só tinha uma negra. Bastante clara. Ao fundo da imagem, onde ela estava, até parecia branca.
O embaixador Alberto da Costa e Silva, um dos maiores entendedores da África no Brasil, diz que não sabemos o quanto temos de africanidade. E o currículo de história da UFRGS só tem cadeiras eletivas de história da África. Quem estuda a situação do negro no Brasil, só sob a ótica do escravo. Só as negociações. Donde essa gente vem parece não ter valor para a narrativa histórica. Não tenho os dados exatos, mas parece que 90% da população estudantil das universidades federais é branca. Vejo ainda poucos negros no Campus do Vale, onde ficam boa parte dos cursos. Raça, pra mim, é isso. Política, história, costumes, economia, educação. Olha que nem falei do público das prisões. Olha que nem falei do medo que tenho quando vejo pessoas trajadas como "manos" se aproximando de mim na noite, pelas ruas do centro e Cidade Baixa. Quero dizer, raça são imaginários sociais também.
Há gente a chamar o Brasil de país racista. Ao mesmo tempo, muitos destes negam a existência de raças. E como vai haver racismo sem haver raças? No sentido biológico, certamente não existe. Mas olha um pouco de tv. Nesta, o mundo parece que é todo branco. Raça é economia, raça é imaginário, raça é estética, raça são políticas de segurança.
Muitos acham racismo a estipulação de cotas raciais. Mas o sistema meritocrático, quase sem querer, também não é racializado? Mérito de filhos de funcionários públicos, médicos, engenheiros. Isso não é contestado por quem contesta as cotas. Fica-se com o "temos que melhorar o sistema de ensino do povo". Mas quem luta pelas cotas não disse o contrário. Nesse ponto há concordância.
A questão das cotas, para mim, não é tanto educacional. É profissional. Ao nível universitário, os formandos são em geral provenientes de classes mais abastadas. Acredito eu, predominantemente brancos. Pois bem, me pergunto se um arquiteto vindo deste grupo socio-econômico vai ter a vontade de entender as especificidades da ocupação territorial e da habitação guarani, que não são semelhantes a nossa. Ou se um médico, trabalhando num posto da periferia, vai ter a sensibilidade para entender e atender a uma mulher negra que recém transou com seu homem e apareceu para consulta sem tomar banho. Este foi um caso contado por uma amiga minha. Ela apenas culpou a mulher pela sua falta de educação. Será que ela estava apta para entender essa mulher? Será que, nesse caso, ela estava apta para atendê-la? Eu imagino que um profissional originado da periferia, alguém que conheça a situação de seus vizinhos, terá maiores condições de entender e atender nos postos das periferias da nossa cidade. Assim como um nutricionista kaingang terá melhores condições para intervir junto aos seus.
As cotas me parecem uma questão muito prática.
Sua implementação é complicadíssima. Seus mecanismos são muito sensíveis. Identidades são coisas tão instáveis, tão difíceis de se determinar.
Os debates também são complicadíssimos. Em geral, se joga com informações hipotéticas. Como no caso deste texto, em alguns momentos. "Os cotistas terão notas baixas". "Os cotistas não terão condições de se manter financeiramente". Essas são questões importantes, as quais devem estar nos cálculos da comissão de implementação das cotas. Mas acredito que não devem impedir a tentativa de implantação.E dizer que quem é contra as cotas é racista também não é certo. Melhor, é uma estupidez.
Este texto é muito apologético. Deve ser combatido. Deve ser deslegitimado, principalmente pelo pouco caso do autor em construí-lo com maior cuidado. Tudo que é fraco dever ser atacado e desmontado.E os pontos francos das cotas devem ser atacados. Só assim poderá ter maiores condições de se manter.
25.3.08
Texto muito interessante sobre o modelo energético brasileiro, aqui, encontrado no endereço do Movimento dos Atingidos por Barragem.
22.3.08
19.3.08
O incansável Super-Homem, em sua nova missão...
Os últimos cinco anos da ação estadunidense "Iraque Livre" renderam algo entre 100.000 e 1,2 milhão de assassinatos de civis, de acordo com uma reportagem no Le Monde, aqui (a foto acima, incusive, se encontra nessa página). Os números são confusos, mas as fontes referidas na notícia têm em comum o fato de apresentarem altas cifras. O Iraq Body Count, grupo de pesquisa britânica, sugere que os EUA mataram quatro vezes mais civis do que rebeldes nos dois primeiros anos de guerra; a OMS no Iraque, em pesquisa realizada em 2007, ressaltou que 151.000 iraquianos foram assassinados de maneira violenta nos três primeiros anos de invasão americana, número duas vezes maior que a dos dois últimos anos do regime de S. Hussein; a revista médica britânica The Lancet estimou, em pesquisa ralizada em 2006, que cerca de 2,5% de uma população de 26 milhões sofreu morte violênta.Essas missões de paz dão medo...
18.3.08
Blog Pé na África
Descobri um blog da Folha OnLine, o Pé na África, de autoria de Fabio Zanini, que trata, como se pode prever, de relações inter-étnicas. Vale a pena conferir a triste matéria do dia 18/03.
15.3.08
Manifesto das Mulheres da Via Campesina
Vale a pena dar uma conferida no Manifesto das Mulheres da Via Campesina, aqui, as quais fizeram um protesto esses dias contra plantações de eucaliptos ali pela região da fronteira.
14.3.08
Tô num momento não muito propício pra escrever. Por isso, prefiro só divulgar sites e blogs. Encontrei mais dois endereços de notícias, quais sejam, o Word Socialist Web Site, em português, e o Últimas Notícias. Bom, boas leituras!
7.3.08
Terrorismo internacional
Excelente artigo de Noam Chomsky sobre o terrorismo internacional praticado, segundo ele, pelos três maiores maiores terroristas do mundo: os EUA, a Inglaterra e Israel, aqui.
Eís uma palinha:
Ocorre, na verdade, que eles [os EUA e Israel] e seus apologistas olham para os africanos sentindo o que nós sentiríamos ao esmagar uma formiga quando caminhamos pela rua. Somos conscientes de que é possível que ocorra (se nos incomodarmos em pensar sobre isso), mas não queremos matá-las, porque não são dignas nem dessa consideração. Não é necessário dizer que ataques similares perpetrados por araboushim em áreas habitadas por seres humanos seriam considerados de maneira muito diferente. Se por um momento fôssemos capazes de adotar a perspectiva do mundo, poderíamos nos perguntar quem são os criminosos “mais procurados no mundo inteiro”.
Eís uma palinha:
Ocorre, na verdade, que eles [os EUA e Israel] e seus apologistas olham para os africanos sentindo o que nós sentiríamos ao esmagar uma formiga quando caminhamos pela rua. Somos conscientes de que é possível que ocorra (se nos incomodarmos em pensar sobre isso), mas não queremos matá-las, porque não são dignas nem dessa consideração. Não é necessário dizer que ataques similares perpetrados por araboushim em áreas habitadas por seres humanos seriam considerados de maneira muito diferente. Se por um momento fôssemos capazes de adotar a perspectiva do mundo, poderíamos nos perguntar quem são os criminosos “mais procurados no mundo inteiro”.
29.2.08
Kenya, informação, perspectiva, limitação e descoberta
Parece haver possibilidade de diminuir a tensão no Kenya, de acordo com esta notícia aqui, do Libération. Os dois protagonistas do confronto, os presidentes dos partidos rivais, assinaram um acordo, sob a supervisão de Kofi Annan, tendo como principal medida a criação do cargo de primeiro ministro, coisa até então inexistente no campo institucional kenyano.
Olha, sinceramente, esse tipo de política não me interessa. Meu foco de interesse, na real, ficou para a última linha da notícia: o saldo da crise pós-eleitoral é de 1.500 mortos e 300.000 "deslocados". Caralho! Três Maracanas lotados longe de suas casas e a única marca disso na notícia são números... tá, eu sei, têm muitas notícias tratando da situação das populações mas, se notarmos, boa parte do jogo informacional ao qual estamos habituados tem por foco essa mesma relação entre políticos, empresários, atores e companhia limitada. Para ver os grupos subalternos, só na página policial e, evidentemente, nos classificados . É o velho padrão ao qual talvez nem tenhamos noção de sua existência. O migrante, o desclassificado, o ilegal, o desaparecido, são todos exotismos, coisas interessantes, notícias relâmpagos: nunca são a situação estrutural, o estruturante!
Penso na formação no minha faculdade: quais foram as oportunidades ali encontradas para se poder entender o mundo pós-colonial, dito terceiro mundista, senão com ferramentas retiradas de autores que nunca saíram da Europa. Mesmo autores do Brasil e da América Latina, muito pouco é aqui conhecido. E o que resta? Resta só o esforço político de ir atrás de autores fundamentais latino-americanos, asiáticos e africanos, aprender inglês na marra e fazer tentativas de pôr novas perspectivas em circulação.
Nossos padrões mentais, intelectuais, são tão fechados, tão quadrados, tão moldados, que a idéia de tentar perceber o desconhecido debaixo do nosso nariz soa estranha. Mas há um sinal demontrativo dessa limitação: quando achamos desnecessário conhecer o desconhecido, quando achamos não haver desconhecido necessário, sejam autores, sejam fatos, sejam perspectivas, então estamos realmente de acordo com a situação das coisas, quero dizer, com a nossa situaçã de miopia crônica. E o que resta?
Olha, sinceramente, esse tipo de política não me interessa. Meu foco de interesse, na real, ficou para a última linha da notícia: o saldo da crise pós-eleitoral é de 1.500 mortos e 300.000 "deslocados". Caralho! Três Maracanas lotados longe de suas casas e a única marca disso na notícia são números... tá, eu sei, têm muitas notícias tratando da situação das populações mas, se notarmos, boa parte do jogo informacional ao qual estamos habituados tem por foco essa mesma relação entre políticos, empresários, atores e companhia limitada. Para ver os grupos subalternos, só na página policial e, evidentemente, nos classificados . É o velho padrão ao qual talvez nem tenhamos noção de sua existência. O migrante, o desclassificado, o ilegal, o desaparecido, são todos exotismos, coisas interessantes, notícias relâmpagos: nunca são a situação estrutural, o estruturante!
Penso na formação no minha faculdade: quais foram as oportunidades ali encontradas para se poder entender o mundo pós-colonial, dito terceiro mundista, senão com ferramentas retiradas de autores que nunca saíram da Europa. Mesmo autores do Brasil e da América Latina, muito pouco é aqui conhecido. E o que resta? Resta só o esforço político de ir atrás de autores fundamentais latino-americanos, asiáticos e africanos, aprender inglês na marra e fazer tentativas de pôr novas perspectivas em circulação.
Nossos padrões mentais, intelectuais, são tão fechados, tão quadrados, tão moldados, que a idéia de tentar perceber o desconhecido debaixo do nosso nariz soa estranha. Mas há um sinal demontrativo dessa limitação: quando achamos desnecessário conhecer o desconhecido, quando achamos não haver desconhecido necessário, sejam autores, sejam fatos, sejam perspectivas, então estamos realmente de acordo com a situação das coisas, quero dizer, com a nossa situaçã de miopia crônica. E o que resta?
22.2.08
Caos no Kenya
Vídeo encontrado no The Guardian sobre a situaçã lá no Kenya, aqui. Apesar de ser em inglês, vale a pena dar uma olhada.
20.2.08
O caminhos das flores
Coçou o saco, ajeitou a camisa, deu uma última olhada no espelho e partiu. O mesmo caminho. O de sempre, desde os últimos seis meses. Conhecia todos os atalhos. Em vez de descer do ônibus na parada onde desce a maioria das pessoas, puxou a campainha uma antes para tomar um caminho mais curto; seguiu para o estacionamento, com carros e chão de paralelepipedo, com a pressa de quem está meio atrasado. Depois de entrar no prédio, tomou o elevador, não sem antes ficar alguns instantes angustiantes na fila do elevador. Como sempre chegou uns dez minutos antes do exigido, arfando um pouco, não muito a vontade consigo.
Fica a questão: qual a porra de princípios norteadores da escolha desse rapaz? A princípio, parece ser a de tentar, o máximo possível, optimizar o tempo, fazendo qualquer atividade com o menor gasto possível; outro, parece ser o de tomar o caminho menor, princípio que não deixa de estar ligado ao anterior mas, ainda assim, possuí vida própria.
Pois bem, e se esse pusilâme tomasse outros princípios norteadores. Vejamos:
Acordou. Apertou o "soneca" do celular e voltou a dormir. Acordou dez minutos mais tarde, para levantar só cinco minutos depois. Sentou no sofá, com um copo de leite com café na mão, curtindo um som. Arrumou-se ligeiro, sem ter tempo para escovar os dentes. Pegou o ônibus. Atrasado. Mas tinha um porquê: uma boa companhia de viagem... Desceu com ela na parada onde desce a maioria. Seguiu por um caminho o qual sabia ser o mais comprido, com uns canteiros com flores simpáticas... e outro jardizinho também, em frente a um bar, com uma flores a tomar café. Entranto no prédio, tomou as escadas, por detestar filas e por querer fazer pelo menos algum exercício físico no dia. Chegou um pouco atrasado, mas nada de mais. Ficou a pensar na possibilidade de convidar sua companhia de viagem pr'uma ceva depois do expediente de ambos.
Fica a derradeira questão: o que vale mais a pena: o útil ou o bom? Há também uma pergunta decorrente desta, ou talvez até anterior: será que o útil implica algo bom?
Fica a questão: qual a porra de princípios norteadores da escolha desse rapaz? A princípio, parece ser a de tentar, o máximo possível, optimizar o tempo, fazendo qualquer atividade com o menor gasto possível; outro, parece ser o de tomar o caminho menor, princípio que não deixa de estar ligado ao anterior mas, ainda assim, possuí vida própria.
Pois bem, e se esse pusilâme tomasse outros princípios norteadores. Vejamos:
Acordou. Apertou o "soneca" do celular e voltou a dormir. Acordou dez minutos mais tarde, para levantar só cinco minutos depois. Sentou no sofá, com um copo de leite com café na mão, curtindo um som. Arrumou-se ligeiro, sem ter tempo para escovar os dentes. Pegou o ônibus. Atrasado. Mas tinha um porquê: uma boa companhia de viagem... Desceu com ela na parada onde desce a maioria. Seguiu por um caminho o qual sabia ser o mais comprido, com uns canteiros com flores simpáticas... e outro jardizinho também, em frente a um bar, com uma flores a tomar café. Entranto no prédio, tomou as escadas, por detestar filas e por querer fazer pelo menos algum exercício físico no dia. Chegou um pouco atrasado, mas nada de mais. Ficou a pensar na possibilidade de convidar sua companhia de viagem pr'uma ceva depois do expediente de ambos.
Fica a derradeira questão: o que vale mais a pena: o útil ou o bom? Há também uma pergunta decorrente desta, ou talvez até anterior: será que o útil implica algo bom?
14.2.08
Mídia corporativa X Lulinha
Ótimo texto sobre o jogo da mídia corporativa contra o governo Lula: Eles não desistem, no Cão Uivador. Não que eu defenda o governo, mas a ação da Globo e cia. é tosca e mal intencionada, para variar um pouco.
16.1.08
Demo cracias...
enquanto eu rio da nossa democracia, tem sangue e fogo rolando no Quênia, segundo o Mídia Independente: Situação no Kenya. Se é fato ou não, só o tempo vai dizer, mas vale a pena dar uma conferida. Não é de se ficar bem...
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