6.7.10

emeteve e globalização

Poucas empresas mostram tanta flexibilidade em seu projeto globalizador como a MTV. Se essa empresa, fundada apenas em 1981, conquista a audiência de jovens de quase todo o mundo, é graças a sua capacidade de combinar várias inovações: mistura de gêneros e estilos, de rebeldias roqueiras a melodias hedonistas e "pensamento liberal normalizado", associa-se a "grandes causas" (luta contra a pobreza, o analfabetismo, a AIDS e a poluição), propondo exercícios de cidadania internacionalizados compatíveis com um sentido moderno e sensual da vida cotidiana. Ao mesmo tempo, a MTV criou cinco filiais regionais em menos de dea anos, duas para a América espanhola, uma no Brasil e outra em Miami, com pessoal de vários países da região e espaço para grupos nativos que compensam, em certa medida, o predomínio da música norte-americana.

Néstor Garcia Canclini. A globalização imaginada. Ed. Iluminuras, 2003.

1.7.10

Lamentável notícia: estupro cometido por filho de dono de grande empresa jornalística

Recebi a mensagem de uma amiga minha. Uma jornalista muito inteligente, por sinal. Não fiquei muito confiante, à princípio. É uma notícia muito assustadora. Mas minha mãe ficou sabendo da mesma história com sua chefe, conhecida do pai do criminoso. Então, a história é quente.

Para acessar a página, clique aqui.

Gostaria de retomar aquele velho e [infelizmente] válido clichê:

A RBS MENTE!!!!

14.6.10

Beco 203 - programação para quem gosta de ser passado para trás

Vou compartilhar uma coisa realmente estúpida, desnecessária.

Fui à festa do beco 203 na última sexta. Devo dizer que foi lamentável, por dois motivos. Primeiro, a casa descumpriu com aquilo que anunciaram em propaganda, de que a cerveja seria liberada até à 1h. Foi meia-noite e quinze quando encerraram com a promoção. Isso foi ato de propaganda enganosa, de lesão aos direitos do consumidor. Em segundo lugar, meu amigo foi vítima da ação troglodita dos segurantes que trabalharam na noite. Como minha namorada quebrou a mão durante a festa, fui ao hps. Enquanto estava lá, chegou um dos meus amigos que havia ido junto comigo para a festa. Ele estava com a cara ensanguentada e acompanhado de um brigadiano. Aconteceu que ele tomou um soco de um dos seguranças. Ato de puro provalecimento. Meu camarada estava bem bêbado, incapaz de qualquer movimentação agressiva que pudesse justificar tal atitude por parte da casa. Não bastasse isso, foi cobrado do rapaz uma quantia que o mesmo não gastou, até porque estava a beber a beber cerveja durante o período liberado. Achei lamentável a postura da casa nessas duas situações. Lamentável, imoral e ilegal.

Isso, por sinal, é a marca de boa parte das casas noturnas e bares onde frequenta a classe mérdia de POA. Um colega e amigo meu, como muitos devem saber, tomou um soco de um garçon no bar Pinguim por não querer pagar os dez porcento "do garçon". Veja bem, um soco por não querer pagar algo que não está no cardápio. Inclusive, faz alguns dias que um estudante foi baleado por um segurança na boate Roseplace, também aqui em Porto Alegre. Veja a notícia aqui. Sobre cobranças abusivas, posso lembrar os casos de amigos que frequentam aqueles bares caros da Lima e Silva dos quais já foram cobradas cervejas que não foram tomadas. Inclusive, um colega já fez a prova e o resultado foi que pediu três cevas e foram cobradas cinco.

Estou cada vez mais convicto que os lugares onde normalmente vou, ali na José do Patrocínio, com toda aquela fuleragem, são muito mais seguros que esses lugares onde se pagam os olhos da cara para tomar uma cerveja. Posso dizer que, pelo menos, não há seguranças a ameaçar minha frágil existência.

O mais triste é a convicção enraizada em nosso imaginário de que, mesmo que o aparato jurídico oferecido pelo Estado seja utilizado, a casa e os seguranças sairão impunes. Foi isso que fez com que esses meus dois amigos agredidos por seguranças desistissem de procurar a Justiça. É esse tipo de atitude que garante a impunidade não apenas a seguranças violentos como a empresas de ônibus que aumentam o preço da passagem sem melhorar o serviço oferecido. Basta pegar um Belém Velho Crital, Restinga ou Belém Novo para saber do que estou a falar.

Para terminar, dá para pensar que uma das características da classe mérdia de POA é a de ser passado para trás e, com a pose de galo de rinha, dizer: "Não dá nada! Deixa que eu pago!". Ou mais resumidamente: tomar no rabo e sair de peito estufado.

5.6.10

Maturidade é uma coleção de remorsos.

25.5.10

14.5.10

O Grande Irmão

Um dos grandes momentos de Cid Moreira.

17.4.10

Ética e estética

Existe relação entre ética e estética? Furto-me à resposta, mas deixo esse vídeo, belíssimo, por sinal, que talvez ajude a pensar na relação das duas coisas. Ou na não relação.

Esta é a introdução da ópera Os Mestres Cantores de Nurenberg, de Richard Wagner, conduzida por Wilhelm Furtwangler, na Alemanha, em pleno ano de 1942. Proveito garantido!

6.4.10

Liberdades

Os intelectuais que defendem o capitalismo e a suposta liberdade de mercado têm os ares dos profetas do Antigo Testamento e dos evangelizadores cristãos. Sem dúvida, um resquício do racionalismo europeu, que se pretendia também como doutrina de salvação da humanidade. Lembram, igualmente, os velhos (e novos) socialistas que pregavam o reino da Justiça e da Igualdade.
O conceito ponta-de-lança do discurso liberal é, perdõem a redundância, o de liberdade ou, antes, as liberdades - de comércio, de opinião, de ir e vir, de comportamente, entre outras.
Até aqui, tudo bem!, pois também sou desse partido. Se alguém quiser plantar batata e vendê-la no mercado: que meta bronca! Se quiser queimar dinheiro, também!
Seria muito bom se, realmente, as pessoas tivessem maiores liberdades e condições de serem seus próprios patrões, tal como propõem os bons liberais.
Nesse sentido, é muito bonito usar e defender a palavra liberdade. Mas me pergunto: o que é a liberdade pensada pelos participantes do Fórum da Liberdade, que ocorrerá em breve? Mais ainda, liberdade para quem?
Quando os bons liberais falam em liberdade econômica, tratam o empreendedorismo como se fosse o fator fundamental para o sucesso da empresa capitalista. Eu, por outro lado, partilho a opinião do velho Marx: para se produzir capital, é necessário capital. E quanto mais capital - mais capital! De forma evidente, a questão não se encerra aí. É necessário saber como investir o capital inicial. Tem que se ter um mínimo de conhecimento técnico do ramo em questão. E tanto quanto estes pré-requisitos, precisa-se de um horizonte de aspiração o mais vasto possível, algo que, em partes, se constrói em casa. Este último ponto é fácil de verificar: basta perguntar ao filho de um pedreiro e ao de um médico quais seus sonhos de vida e o que pensam do futuro.
Enfim, parece-me que, numa sociedade de recursos desigualmente distribuídos, sejam eles econômicos, técnicos, simbólicos e sociais, a liberalização da economia só pode gerar aumento das mesmas desigualdades. Ou seja, os resultados últimos serão liberdades para lobos, com um possível aumento da restrição à liberdade para muuuita gente.
Uma liberdade mais ampla, em que se possa comprar e vender o que se quiser, se possa escolher a forma de trabalhar (ou não trabalhar), em que se possa dizer o que se pensa, acessar o que for desejado, não será alcançada apenas por meio de ações no campo econômico. Questões como política, cultura, educação são fundamentais.
Qualquer um sabe que economia não depende apenas de vontade e moral, com exceção dos defensores do livre mercado quando procuram explicar a existência da pobreza (tipo: "pobre é pobre porque é acomodado!"). Numa sociedade como a nossa, onde a desigualdade é estrutural e histórica, a noção de liberdade econômica não pode ser separada da existência de meios que garantam aos mais desafortunados o acesso ao know-how de diferentes ocupações, à crédito e à circulação de informação. Isso é: são necessárias políticas amplas, efetivas e sérias, que possibilitem cobrir as distâncias existentes entre os diferentes individuos para que, assim, a sensação e a possibilidade de liberdade sejam realmente mais possíveis a um conjunto maior de pessoas.
Termino por aqui, de "supetão", mas prometo, para a próxima postagem, a exposição da minha noção de liberdade capitalista.

8.3.10

Estas me parecem as consequências lógicas da proibição do sexo para os padres católicos: homosexualismo e pedofilia. A primeira é aceitável, além de propiciar uma série de boas histórias de ex-seminaristas que pegavam padres. Já a segunda é lamentável e aponta um dos lados criminosos da Igreja Católica. É o preço que a dita igreja paga por colocar a propriedade à frente da moral e da natureza humana.

Notícia do dia 06/03.

"Padres alemães são acusados de ter espancado e abusado sexualmente de garotos há décadas, em pelo menos três instituições da Bavária, região no sul do país onde nasceu o papa Bento XVI. Uma delas é um famoso coro que já foi liderado pelo irmão do atual pontífice.

As denúncias dos abusos vieram à tona após casos ocorridos em escolas jesuítas de outras regiões chocarem a Alemanha, no mês passado. Os abusos foram registrados no coro da catedral de Ratisbona, na escola do monastério beneditino de Ettal e em uma escola de capuchinhos em Burghausen.

O reverendo Georg Ratzinger, de 86 anos, irmão do papa e que liderou o coro de 1964 a 1994, disse a uma rádio local que não tinha conhecimento dos abusos no coro. O grupo costuma se apresentar por toda a Alemanha e em outros países.

A diocese de Ratisbona, onde o papa ensinou teologia na universidade de 1969 a 1977, afirmou que não há casos atuais de abusos e que deve investigar as acusações de ocorrências passadas. Segundo a diocese, um padre abusou sexualmente de dois garotos em 1958 e foi condenado a dois anos de prisão. Outro clérigo cumpriu pena de 11 meses em 1971. Ambos já morreram."

Notícia do Estadão, na integra aqui.

1.3.10

Venezuelanas

"José Gregorio Nieves, secretário da organização não-governamental Jornalistas pela Verdade, informou recentemente a representantes da União Européia que circularam em Caracas que nos últimos 11 anos, correspondente exatamente à ascensão do presidente Hugo Chávez, houve um avanço na democratização da comunicação na Venezuela. Ele baseia as suas informações em números. Segundo Nieves, há atualmente um total de 282 meios alternativos de rádios e televisões onde a população que não tinha voz agora tem."

Artigo de Mário Augusto Jakobskind, no Observatório de Imprensa, na integra aqui.

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"Além da 'RCTVI' foram suspensos outros cinco canais com o argumento de que não cumpriam as normas da legislação para meios audiovisuais venezuelanos, como transmitir obrigatoriamente as mensagens ao país e discursos do presidente Hugo Chávez.

A 'RCTVI' e o peruano América TV são os únicos que continuam sem transmitir. O resto já recebeu o sinal verde da Comissão Nacional de Comunicações, que certificou que se trata de canais internacionais e portanto não sujeitos a essas normas.

A suspensão dos canais, e especialmente da 'RCTVI', que mantém uma linha crítica ao Governo, provocou críticas no estrangeiro e no país, onde aconteceram manifestações a favor e contra, nas quais houve dois mortos e dezenas de feridos."

Notícia encontrado no portal do Yahoo, aqui.

26.2.10

Tio Sam e Fidel no Parquinho

Uma coisa me parece certa: EUA e Cuba diferem mais por forma que por conteúdo. Comecemos pelo último ponto.

Ambos os países são Estados-Nações e guiam suas ações de acordo com estratégias comuns a qualquer outro Estado. O outro lado do espelho do controle de árabes ou persas (os "terroristas") nos aeroportos dos EUA é o policiamento da entrada de estadunidenses ou saída de cubanos de Cuba. Dizer-se liberal e capitalista em Cuba traria as mesmas penalidades que dizer-se comunista na década de 1960-70 ou islâmico, atualmente, nos EUA. Enfim, ambos países possuem políticas de controle ideológico.
Evidentemente, a luta política não é apenas ideológica, mas é também militar. Se o governo comunista cubano assassinou um número enorme de inimigos, quantos mais os Estados Unidos não o fizeram, levando-se em consideração os fatos de ser uma país não apenas mais antigo e poderoso, como um país que se envolveu em maior número de guerras. Se não podemos esquecer das centenas de pessoas silenciadas pelo regime de Fidel, não podemos esquecer as outras tantas igualmente vitimadas pela FBI e pela CIA, pelos marines e pelas bombas erráticas que caíram sobre hospitais (como aconteceu no Iraque). Indo e vindo,
ambos são Estados em estado de guerra.
Em termos de política interna, não parece haver diferença entre um país comunista de partido único e o domínio "liberal" de quatorze ou quinze grandes corporações. Talvez, nesse sentido, a diferença seja mais de quantidade que de natureza.
No que tange à alimentação, também vejo alguma semelhança. O outro lado de uma população empobrecida que tem facilidade de acesso à comida gordurosa e prejudicial à saúde é uma população ainda mais pobre que tem acesso a um mínimo de alimentação garantida pelo Estado.
O passado também apresenta paralelo interessante: ambos os países romperam de forma admirável com o jugo estrangeiro. E, em ambos os casos, alguém se deu mal. A consolidação dos EUA significou o extermínio de N povos nativos, políticas de controle sobre a América Latina, bombas atômicas no Japão e outros tantos mísseis no Oriente Médio; por outro lado, a consolidação da ditadura de partido único em Cuba não impediu a manutenção da pobreza do povo.


Possivelmente existem outras semelhanças de conteúdo listáveis, mas prefiro ir, agora, para a diferença de forma, que é fundamental: se os EUA são um país rico e poderoso (apesar de bastante endividado), Cuba não passa de mais um pequeno país paupérrimo da América Central, que procurou se manter longe do domínio norte-americano. Este pequeno fato torna cômico os ataques de pânico e raiva de todo bom liberal quando o nome deste pequeno principado vermelho é citado. Somente depois, e bem depois, outros países conseguiram a mesma façanha, como Nicarágua, Bolívia e Venezuela.

E onde quero chegar com estas pequenas reflexões? No seguinte: as disputas entre liberais e comunistas acabam sempre sendo estéreis porque cada um defende o seu lado manejando (ou escondendo) fatos e teorias de acordo com seus imperativos ideológicos. Se um diz que a terra do Tio Sam é o país da Liberdade e da Democracia e que Cuba é dominada por um tirano, o outro defende que em Cuba ninguém morre de fome e todos têm boa assistência médica em plena América Central, enquanto os Estados Unidos são um país imperialista que espalha pobreza pelo mundo. Eu diria que ambos os contentores estão corretos... e estão errados.
Liberais e comunistas são garotinhos que brigam constantemente no parque de diversões da ideologia, lutando pra ver quem vai se apossar do balanço. E, qualquer um que tome o brinquedo, uma hora estará no alto para, depois, voltar ao chão e ver recomeçar a briga. Com fortes possibilidades de ver a inimizade tomando conta do que fora seu até então.

9.2.10

Cutrale: Quem está gerando destruição para a sociedade?

1 de fevereiro de 2010

Do Passa Palavra

"A ocupação da fazenda grilada Capim, realizada em outubro de 2009, não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira que buscava chamar a atenção para a absurda grilagem de terras públicas feita exatamente pela transnacional Cutrale.

As ocupações denunciavam também a parcialidade da Justiça e do Executivo, extremamente lentos para arrecadar terras ou recuperar áreas da União griladas, porém extremamente ágeis na hora de reprimir e criminalizar os trabalhadores rurais sem-terra. Ao invés de se inverter as prioridades, o que temos visto nos últimos dias é um acirramento da repressão e do terror contra aqueles que lutam com muito custo para se manter no campo, viver e produzir com dignidade – ao invés de incharem ainda mais as já super-populosas cidades brasileiras. A resposta do Estado, no entanto, associado à grande imprensa e a serviço do agronegócio, é fortalecer ainda mais um modelo agrícola excludente e insustentável sócio-ecologicamente, agravando, em consequência, ainda mais o cenário de desequilíbrio ambiental e de calamidade social que temos vivido nos últimos tempos, principalmente nas grandes cidades brasileiras.

Ora, todas estas ocupações não são feitas sem um profundo conhecimento da região, de sua estrutura agrícola desigual, do cotidiano local e das necessidades das pessoas que lá vivem. Conforme o quadro abaixo, com dados oficiais do Incra, podemos verificar que esta empresa do agronegócio, mesmo monopolizando o bilionário setor mundial de laranjas e sucos, tem se especializado há anos em grilar médios e grandes latifúndios no estado de São Paulo. E mais do que isso: especula nestas terras de acordo com o interesse de seus donos e acionistas, e apenas produz quando e quanto bem interessa para os cálculos do seu monopólio de mercado."


Texto, na integra, disponível no endereço: http://www.mst.org.br/node/9010

23.1.10

Voto

Democracia significaria liberdade se o indivíduo tivesse possibilidade de escolher entre votar e não votar. Isto é, entre legitimar ou não a estrutura política vigente. Democracia significaria liberdade se o indivíduo tivesse possibilidade de gostar ou não dos símbolos patrióticos impostos pelo governo central.

Mas não! Nossa democracia significa ser obrigado a votar e legitimar a atuação de todo e qualquer biltre que asceda ao poder, mesmo que seja alguém para com quem se tenha ojeriza. Significa também prestar homenagens a simbolos bizarros e de péssimo gosto. Os hinos nacional e rio-grandense são atentados intelectuais jogados contra a cabeça de crianças em todo o País.

Acredito que um passo positivo para a consolidação da democracia no Brasil seria o de tornar facultativo o voto. O indivíduo só saíria de casa apenas se estivesse muuuito interessado em fazer eleger seu candidato. Naqueles casos em que não houvesse nenhum candidato em especial, o cidadão poderia ficar em casa, ao invés de fazer sua decisão de acordo com a oferta de santinhos.

23.12.09

Como vovó já dizia

Junte forças e veja o seguinte vídeo:



Agora, leia o que escreveu o mestre do roquenrou no Brasil:

"- Ih rapaz, hoje eu vi meu ídolo da juventude!
- Essas coisas já não me assutam mais! as laranjas continuam verdes...
- Peraí, não complica! Eu só disse que vi meu ídolo da juventude.
- Desse jeito, os discos voadores nunca vão aparecer!"

Essa é uma conversa que aparece em uma música do disco Sociedade da Gran Ordem Kavernista, do Rauzito. E me parece dizer duas coisas:
1) TODO FÃ É UM IDIOTA;
2) NXO, Strike e CPM22 e caralho à quatro fazem tanto rock quanto É o Tchan nos seus tempos de glória.

7.12.09

Procrastinação da moral

O futuro, sempre tão disponível para decretar essa modalidade de amnistia geral que é o esquecimento disfarçado de perdão, também é hábil em homologar, tácita ou explicitamente, quando tal convenha aos novos arranjos económicos, militares ou políticos, a impunidade por toda a vida aos autores directos e indirectos das mais monstruosas acções contra a carne e o espírito. É um erro entregar ao futuro o encargo de julgar os responsáveis pelo sofrimento das vítimas de agora, porque esse futuro não deixará de fazer também as suas vítimas e igualmente não resistirá à tentação de pospor para um outro futuro ainda mais longínquo o mirífico momento da justiça universal em que muitos de nós fingimos acreditar como a maneira mais fácil, e também a mais hipócrita, de eludir responsabilidades que só a nós nos cabem, a este presente que somos.

Texto completo aqui, retirado dos O Caderno de Saramago.

25.11.09


Jovens, saudáveis, felizes, limpinhos, bem-humorados e bem-intencionados.

Antes de tudo, ferrenhos defensores da liberdade!

[mais um capítulo na História Universal da Carochinha]

Foto: Zero-hora, aqui.

22.10.09

Carne fresca

A academia é um campo social como qualquer outro. Disputas, intrigas, hierarquias; mas também solidariedades, amizades e camaradagem. E me parece que as cenas mais engraçadas ficam no campo das ciências humanas . Mesmo estudando as relações sociais de outros povos e outros tempos com muita acuidade (ou pretensa acuidade), seus membros (dentre os quais me incluo) não conseguem perceber as relações de poder, as imposições de gosto e opinião, o lustrar constante da estrutura hierárquica. Exatamente aquilo que encontram em sua pesquisa. E eu posso tomar uma postura menos inocente: talvez os jogadores do campo da academia percebam muito bem as relações de poder, a tal ponto que as utilizam a seu favor.

Posso talvez resumir assim a estrutura do jogo:

{professor doutor > doutor > mestre > graduando veterano > graduando novato (o "bixo", que lembra algo de "o selvagem", o "sem-cultura")} > o resto do mundo;

assim como:

gestos, opiniões, gostos do superior > meus gestos, opiniões, gostos > gestos, opiniões, gostos dos inferiores.

É um esquema bem grosseiro, claro. Mas, em linhas gerais, não me parece equivocado.

Evidentemente, não são todos os membros que se enquadram no esquema. Mas ele, o esquema, é generalizado; é empregado e reiterado pela maioria daqueles que ocupam as posições superiores; é aceito e legitimado por aqueles que estão fora do campo e, principalmente, por aqueles que recém entraram. Em suma, os "bixos" são a carne fresca dos doutores, mestres e veteranos.

29.9.09

Economia como cultivo

O estudo econômico é um estudo sobre cultura.

Todo ato de produção, criação, troca e usufruto de bens, alimentos e artefatos acontece em um contexto social específico, caracterizado por toda uma sorte de hierarquias de valores, tabus, simbologias e representações. As pessoas não pensam apenas no que comer, mas também em como comer e o que não se deve comer. Os grupos humanos não pensam apenas nos animais que podem servir para o transporte ou o abate, mas também naqueles que são sujos e naqueles são domésticos. Por que não podemos comer um cachorrinho bem gordinho? Por que judeus não comem porcos? E o que é a terra? É uma propriedade alienável ou é a base onde se fincam as raízes de uma família? Qual deve ser o objetivo do uso da terra? Deve atender as demandas alimentares de uma população ou deve priorizar a produção de capital?

Não há produção, do que quer que seja, sem a lente do sistema simbólico próprio uma população. Enfim, a economia é um cultivo do homem.

10.9.09

Ôtoridade

A escola serve para fazer obedecer. Em história, não se aprende a historicizar, mas a respeitar a versão do professor... ou do livro didático. Em filosofia e biologia, também. A escola, sem dúvida, ensina a disciplina e o fazer silêncio diante da autoridade.

Na universidade, a prática continua a mesma. Os universitários aprendem a obedecer, a seguir fórmulas e a citar autoridades. E as exceções só confirmam a regra.