25.5.10

14.5.10

O Grande Irmão

Um dos grandes momentos de Cid Moreira.

17.4.10

Ética e estética

Existe relação entre ética e estética? Furto-me à resposta, mas deixo esse vídeo, belíssimo, por sinal, que talvez ajude a pensar na relação das duas coisas. Ou na não relação.

Esta é a introdução da ópera Os Mestres Cantores de Nurenberg, de Richard Wagner, conduzida por Wilhelm Furtwangler, na Alemanha, em pleno ano de 1942. Proveito garantido!

6.4.10

Liberdades

Os intelectuais que defendem o capitalismo e a suposta liberdade de mercado têm os ares dos profetas do Antigo Testamento e dos evangelizadores cristãos. Sem dúvida, um resquício do racionalismo europeu, que se pretendia também como doutrina de salvação da humanidade. Lembram, igualmente, os velhos (e novos) socialistas que pregavam o reino da Justiça e da Igualdade.
O conceito ponta-de-lança do discurso liberal é, perdõem a redundância, o de liberdade ou, antes, as liberdades - de comércio, de opinião, de ir e vir, de comportamente, entre outras.
Até aqui, tudo bem!, pois também sou desse partido. Se alguém quiser plantar batata e vendê-la no mercado: que meta bronca! Se quiser queimar dinheiro, também!
Seria muito bom se, realmente, as pessoas tivessem maiores liberdades e condições de serem seus próprios patrões, tal como propõem os bons liberais.
Nesse sentido, é muito bonito usar e defender a palavra liberdade. Mas me pergunto: o que é a liberdade pensada pelos participantes do Fórum da Liberdade, que ocorrerá em breve? Mais ainda, liberdade para quem?
Quando os bons liberais falam em liberdade econômica, tratam o empreendedorismo como se fosse o fator fundamental para o sucesso da empresa capitalista. Eu, por outro lado, partilho a opinião do velho Marx: para se produzir capital, é necessário capital. E quanto mais capital - mais capital! De forma evidente, a questão não se encerra aí. É necessário saber como investir o capital inicial. Tem que se ter um mínimo de conhecimento técnico do ramo em questão. E tanto quanto estes pré-requisitos, precisa-se de um horizonte de aspiração o mais vasto possível, algo que, em partes, se constrói em casa. Este último ponto é fácil de verificar: basta perguntar ao filho de um pedreiro e ao de um médico quais seus sonhos de vida e o que pensam do futuro.
Enfim, parece-me que, numa sociedade de recursos desigualmente distribuídos, sejam eles econômicos, técnicos, simbólicos e sociais, a liberalização da economia só pode gerar aumento das mesmas desigualdades. Ou seja, os resultados últimos serão liberdades para lobos, com um possível aumento da restrição à liberdade para muuuita gente.
Uma liberdade mais ampla, em que se possa comprar e vender o que se quiser, se possa escolher a forma de trabalhar (ou não trabalhar), em que se possa dizer o que se pensa, acessar o que for desejado, não será alcançada apenas por meio de ações no campo econômico. Questões como política, cultura, educação são fundamentais.
Qualquer um sabe que economia não depende apenas de vontade e moral, com exceção dos defensores do livre mercado quando procuram explicar a existência da pobreza (tipo: "pobre é pobre porque é acomodado!"). Numa sociedade como a nossa, onde a desigualdade é estrutural e histórica, a noção de liberdade econômica não pode ser separada da existência de meios que garantam aos mais desafortunados o acesso ao know-how de diferentes ocupações, à crédito e à circulação de informação. Isso é: são necessárias políticas amplas, efetivas e sérias, que possibilitem cobrir as distâncias existentes entre os diferentes individuos para que, assim, a sensação e a possibilidade de liberdade sejam realmente mais possíveis a um conjunto maior de pessoas.
Termino por aqui, de "supetão", mas prometo, para a próxima postagem, a exposição da minha noção de liberdade capitalista.

8.3.10

Estas me parecem as consequências lógicas da proibição do sexo para os padres católicos: homosexualismo e pedofilia. A primeira é aceitável, além de propiciar uma série de boas histórias de ex-seminaristas que pegavam padres. Já a segunda é lamentável e aponta um dos lados criminosos da Igreja Católica. É o preço que a dita igreja paga por colocar a propriedade à frente da moral e da natureza humana.

Notícia do dia 06/03.

"Padres alemães são acusados de ter espancado e abusado sexualmente de garotos há décadas, em pelo menos três instituições da Bavária, região no sul do país onde nasceu o papa Bento XVI. Uma delas é um famoso coro que já foi liderado pelo irmão do atual pontífice.

As denúncias dos abusos vieram à tona após casos ocorridos em escolas jesuítas de outras regiões chocarem a Alemanha, no mês passado. Os abusos foram registrados no coro da catedral de Ratisbona, na escola do monastério beneditino de Ettal e em uma escola de capuchinhos em Burghausen.

O reverendo Georg Ratzinger, de 86 anos, irmão do papa e que liderou o coro de 1964 a 1994, disse a uma rádio local que não tinha conhecimento dos abusos no coro. O grupo costuma se apresentar por toda a Alemanha e em outros países.

A diocese de Ratisbona, onde o papa ensinou teologia na universidade de 1969 a 1977, afirmou que não há casos atuais de abusos e que deve investigar as acusações de ocorrências passadas. Segundo a diocese, um padre abusou sexualmente de dois garotos em 1958 e foi condenado a dois anos de prisão. Outro clérigo cumpriu pena de 11 meses em 1971. Ambos já morreram."

Notícia do Estadão, na integra aqui.

1.3.10

Venezuelanas

"José Gregorio Nieves, secretário da organização não-governamental Jornalistas pela Verdade, informou recentemente a representantes da União Européia que circularam em Caracas que nos últimos 11 anos, correspondente exatamente à ascensão do presidente Hugo Chávez, houve um avanço na democratização da comunicação na Venezuela. Ele baseia as suas informações em números. Segundo Nieves, há atualmente um total de 282 meios alternativos de rádios e televisões onde a população que não tinha voz agora tem."

Artigo de Mário Augusto Jakobskind, no Observatório de Imprensa, na integra aqui.

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"Além da 'RCTVI' foram suspensos outros cinco canais com o argumento de que não cumpriam as normas da legislação para meios audiovisuais venezuelanos, como transmitir obrigatoriamente as mensagens ao país e discursos do presidente Hugo Chávez.

A 'RCTVI' e o peruano América TV são os únicos que continuam sem transmitir. O resto já recebeu o sinal verde da Comissão Nacional de Comunicações, que certificou que se trata de canais internacionais e portanto não sujeitos a essas normas.

A suspensão dos canais, e especialmente da 'RCTVI', que mantém uma linha crítica ao Governo, provocou críticas no estrangeiro e no país, onde aconteceram manifestações a favor e contra, nas quais houve dois mortos e dezenas de feridos."

Notícia encontrado no portal do Yahoo, aqui.

26.2.10

Tio Sam e Fidel no Parquinho

Uma coisa me parece certa: EUA e Cuba diferem mais por forma que por conteúdo. Comecemos pelo último ponto.

Ambos os países são Estados-Nações e guiam suas ações de acordo com estratégias comuns a qualquer outro Estado. O outro lado do espelho do controle de árabes ou persas (os "terroristas") nos aeroportos dos EUA é o policiamento da entrada de estadunidenses ou saída de cubanos de Cuba. Dizer-se liberal e capitalista em Cuba traria as mesmas penalidades que dizer-se comunista na década de 1960-70 ou islâmico, atualmente, nos EUA. Enfim, ambos países possuem políticas de controle ideológico.
Evidentemente, a luta política não é apenas ideológica, mas é também militar. Se o governo comunista cubano assassinou um número enorme de inimigos, quantos mais os Estados Unidos não o fizeram, levando-se em consideração os fatos de ser uma país não apenas mais antigo e poderoso, como um país que se envolveu em maior número de guerras. Se não podemos esquecer das centenas de pessoas silenciadas pelo regime de Fidel, não podemos esquecer as outras tantas igualmente vitimadas pela FBI e pela CIA, pelos marines e pelas bombas erráticas que caíram sobre hospitais (como aconteceu no Iraque). Indo e vindo,
ambos são Estados em estado de guerra.
Em termos de política interna, não parece haver diferença entre um país comunista de partido único e o domínio "liberal" de quatorze ou quinze grandes corporações. Talvez, nesse sentido, a diferença seja mais de quantidade que de natureza.
No que tange à alimentação, também vejo alguma semelhança. O outro lado de uma população empobrecida que tem facilidade de acesso à comida gordurosa e prejudicial à saúde é uma população ainda mais pobre que tem acesso a um mínimo de alimentação garantida pelo Estado.
O passado também apresenta paralelo interessante: ambos os países romperam de forma admirável com o jugo estrangeiro. E, em ambos os casos, alguém se deu mal. A consolidação dos EUA significou o extermínio de N povos nativos, políticas de controle sobre a América Latina, bombas atômicas no Japão e outros tantos mísseis no Oriente Médio; por outro lado, a consolidação da ditadura de partido único em Cuba não impediu a manutenção da pobreza do povo.


Possivelmente existem outras semelhanças de conteúdo listáveis, mas prefiro ir, agora, para a diferença de forma, que é fundamental: se os EUA são um país rico e poderoso (apesar de bastante endividado), Cuba não passa de mais um pequeno país paupérrimo da América Central, que procurou se manter longe do domínio norte-americano. Este pequeno fato torna cômico os ataques de pânico e raiva de todo bom liberal quando o nome deste pequeno principado vermelho é citado. Somente depois, e bem depois, outros países conseguiram a mesma façanha, como Nicarágua, Bolívia e Venezuela.

E onde quero chegar com estas pequenas reflexões? No seguinte: as disputas entre liberais e comunistas acabam sempre sendo estéreis porque cada um defende o seu lado manejando (ou escondendo) fatos e teorias de acordo com seus imperativos ideológicos. Se um diz que a terra do Tio Sam é o país da Liberdade e da Democracia e que Cuba é dominada por um tirano, o outro defende que em Cuba ninguém morre de fome e todos têm boa assistência médica em plena América Central, enquanto os Estados Unidos são um país imperialista que espalha pobreza pelo mundo. Eu diria que ambos os contentores estão corretos... e estão errados.
Liberais e comunistas são garotinhos que brigam constantemente no parque de diversões da ideologia, lutando pra ver quem vai se apossar do balanço. E, qualquer um que tome o brinquedo, uma hora estará no alto para, depois, voltar ao chão e ver recomeçar a briga. Com fortes possibilidades de ver a inimizade tomando conta do que fora seu até então.

9.2.10

Cutrale: Quem está gerando destruição para a sociedade?

1 de fevereiro de 2010

Do Passa Palavra

"A ocupação da fazenda grilada Capim, realizada em outubro de 2009, não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira que buscava chamar a atenção para a absurda grilagem de terras públicas feita exatamente pela transnacional Cutrale.

As ocupações denunciavam também a parcialidade da Justiça e do Executivo, extremamente lentos para arrecadar terras ou recuperar áreas da União griladas, porém extremamente ágeis na hora de reprimir e criminalizar os trabalhadores rurais sem-terra. Ao invés de se inverter as prioridades, o que temos visto nos últimos dias é um acirramento da repressão e do terror contra aqueles que lutam com muito custo para se manter no campo, viver e produzir com dignidade – ao invés de incharem ainda mais as já super-populosas cidades brasileiras. A resposta do Estado, no entanto, associado à grande imprensa e a serviço do agronegócio, é fortalecer ainda mais um modelo agrícola excludente e insustentável sócio-ecologicamente, agravando, em consequência, ainda mais o cenário de desequilíbrio ambiental e de calamidade social que temos vivido nos últimos tempos, principalmente nas grandes cidades brasileiras.

Ora, todas estas ocupações não são feitas sem um profundo conhecimento da região, de sua estrutura agrícola desigual, do cotidiano local e das necessidades das pessoas que lá vivem. Conforme o quadro abaixo, com dados oficiais do Incra, podemos verificar que esta empresa do agronegócio, mesmo monopolizando o bilionário setor mundial de laranjas e sucos, tem se especializado há anos em grilar médios e grandes latifúndios no estado de São Paulo. E mais do que isso: especula nestas terras de acordo com o interesse de seus donos e acionistas, e apenas produz quando e quanto bem interessa para os cálculos do seu monopólio de mercado."


Texto, na integra, disponível no endereço: http://www.mst.org.br/node/9010

23.1.10

Voto

Democracia significaria liberdade se o indivíduo tivesse possibilidade de escolher entre votar e não votar. Isto é, entre legitimar ou não a estrutura política vigente. Democracia significaria liberdade se o indivíduo tivesse possibilidade de gostar ou não dos símbolos patrióticos impostos pelo governo central.

Mas não! Nossa democracia significa ser obrigado a votar e legitimar a atuação de todo e qualquer biltre que asceda ao poder, mesmo que seja alguém para com quem se tenha ojeriza. Significa também prestar homenagens a simbolos bizarros e de péssimo gosto. Os hinos nacional e rio-grandense são atentados intelectuais jogados contra a cabeça de crianças em todo o País.

Acredito que um passo positivo para a consolidação da democracia no Brasil seria o de tornar facultativo o voto. O indivíduo só saíria de casa apenas se estivesse muuuito interessado em fazer eleger seu candidato. Naqueles casos em que não houvesse nenhum candidato em especial, o cidadão poderia ficar em casa, ao invés de fazer sua decisão de acordo com a oferta de santinhos.

23.12.09

Como vovó já dizia

Junte forças e veja o seguinte vídeo:



Agora, leia o que escreveu o mestre do roquenrou no Brasil:

"- Ih rapaz, hoje eu vi meu ídolo da juventude!
- Essas coisas já não me assutam mais! as laranjas continuam verdes...
- Peraí, não complica! Eu só disse que vi meu ídolo da juventude.
- Desse jeito, os discos voadores nunca vão aparecer!"

Essa é uma conversa que aparece em uma música do disco Sociedade da Gran Ordem Kavernista, do Rauzito. E me parece dizer duas coisas:
1) TODO FÃ É UM IDIOTA;
2) NXO, Strike e CPM22 e caralho à quatro fazem tanto rock quanto É o Tchan nos seus tempos de glória.

7.12.09

Procrastinação da moral

O futuro, sempre tão disponível para decretar essa modalidade de amnistia geral que é o esquecimento disfarçado de perdão, também é hábil em homologar, tácita ou explicitamente, quando tal convenha aos novos arranjos económicos, militares ou políticos, a impunidade por toda a vida aos autores directos e indirectos das mais monstruosas acções contra a carne e o espírito. É um erro entregar ao futuro o encargo de julgar os responsáveis pelo sofrimento das vítimas de agora, porque esse futuro não deixará de fazer também as suas vítimas e igualmente não resistirá à tentação de pospor para um outro futuro ainda mais longínquo o mirífico momento da justiça universal em que muitos de nós fingimos acreditar como a maneira mais fácil, e também a mais hipócrita, de eludir responsabilidades que só a nós nos cabem, a este presente que somos.

Texto completo aqui, retirado dos O Caderno de Saramago.

25.11.09


Jovens, saudáveis, felizes, limpinhos, bem-humorados e bem-intencionados.

Antes de tudo, ferrenhos defensores da liberdade!

[mais um capítulo na História Universal da Carochinha]

Foto: Zero-hora, aqui.

22.10.09

Carne fresca

A academia é um campo social como qualquer outro. Disputas, intrigas, hierarquias; mas também solidariedades, amizades e camaradagem. E me parece que as cenas mais engraçadas ficam no campo das ciências humanas . Mesmo estudando as relações sociais de outros povos e outros tempos com muita acuidade (ou pretensa acuidade), seus membros (dentre os quais me incluo) não conseguem perceber as relações de poder, as imposições de gosto e opinião, o lustrar constante da estrutura hierárquica. Exatamente aquilo que encontram em sua pesquisa. E eu posso tomar uma postura menos inocente: talvez os jogadores do campo da academia percebam muito bem as relações de poder, a tal ponto que as utilizam a seu favor.

Posso talvez resumir assim a estrutura do jogo:

{professor doutor > doutor > mestre > graduando veterano > graduando novato (o "bixo", que lembra algo de "o selvagem", o "sem-cultura")} > o resto do mundo;

assim como:

gestos, opiniões, gostos do superior > meus gestos, opiniões, gostos > gestos, opiniões, gostos dos inferiores.

É um esquema bem grosseiro, claro. Mas, em linhas gerais, não me parece equivocado.

Evidentemente, não são todos os membros que se enquadram no esquema. Mas ele, o esquema, é generalizado; é empregado e reiterado pela maioria daqueles que ocupam as posições superiores; é aceito e legitimado por aqueles que estão fora do campo e, principalmente, por aqueles que recém entraram. Em suma, os "bixos" são a carne fresca dos doutores, mestres e veteranos.

29.9.09

Economia como cultivo

O estudo econômico é um estudo sobre cultura.

Todo ato de produção, criação, troca e usufruto de bens, alimentos e artefatos acontece em um contexto social específico, caracterizado por toda uma sorte de hierarquias de valores, tabus, simbologias e representações. As pessoas não pensam apenas no que comer, mas também em como comer e o que não se deve comer. Os grupos humanos não pensam apenas nos animais que podem servir para o transporte ou o abate, mas também naqueles que são sujos e naqueles são domésticos. Por que não podemos comer um cachorrinho bem gordinho? Por que judeus não comem porcos? E o que é a terra? É uma propriedade alienável ou é a base onde se fincam as raízes de uma família? Qual deve ser o objetivo do uso da terra? Deve atender as demandas alimentares de uma população ou deve priorizar a produção de capital?

Não há produção, do que quer que seja, sem a lente do sistema simbólico próprio uma população. Enfim, a economia é um cultivo do homem.

10.9.09

Ôtoridade

A escola serve para fazer obedecer. Em história, não se aprende a historicizar, mas a respeitar a versão do professor... ou do livro didático. Em filosofia e biologia, também. A escola, sem dúvida, ensina a disciplina e o fazer silêncio diante da autoridade.

Na universidade, a prática continua a mesma. Os universitários aprendem a obedecer, a seguir fórmulas e a citar autoridades. E as exceções só confirmam a regra.

14.8.09

O liberalismo dos pampas

Os temas polêmicos são uma chatice. Chatííííííce!!!!
Imaginemos uma situação. Digamos que Sarney seja culpado e ostracisado. E mandado para a China por vinte anos. Tentemos imaginar, também, as próximas eleições. Quem poderá ser escolhido para ocupar as cadeiras do Senado pelo Estado do Maranhão? Quem? Levando em consideração que os Sarney são deus no Maranhão, acredito que não será ninguém que não esteja sob a proteção desta distinta família. Então, como acabará este grande estardalhaço midiático? Acabará com pequenas alterações de poder em Brasília. Nada mais.
A democracia liberal no Brasil é uma luva de plástico, dessas de médico, colocada na pata de um cavalo. Especialmente fora do circuito sul-sudeste. O federalismo, desde sua implementação, serviu perfeitamente às grandes potências regionais, depois de resolvidas as disputas locais pelo acesso ao poder. A liberdade de ação nos sertões é a liberdade do estancieiro e da casa grande.
Mas não me furtarei a dar um pitaco sobre a forma de resolver a "crise" no Senado. Não sou desses que acredita em revoluções. "A Revolução", para mim, significa o mesmo que "Ele voltará". É uma fé que move corações. O mesmo tipo de fé que faz com que alguns intelectuais hostilizem "esquerdinhas" em defesa das liberdades de mercado. Indo e vindo, tudo é fé. Enfim, retomando a idéia, apesar de não acreditar na Revolução, acredito, com minha costumeira miopia e astigmatismo, que só um movimento anti-democrático e popularesco poderá corrigir as falhas da nossa democracia liberal. Desrespeitar a constituição, expropriar terras e fazer a reforma agrária. Sim, digo isso correndo o risco de me chamarem de comunistinha defensor do MST. Mas não me importo, pois é o que acho. A democracia liberal não serve para uma estrutura agrária que conheceu apenas pequenas alterações nos últimos trezentos ou quatrocentos anos. Ou serve? Pode ser que sim, quem sabe?

9.8.09

Pense bem antes de ir para Dubai

A mídia corporativa prega peças levemente irritantes constantemente. Em comunistas e liberais; em evangélicos e batuqueiros. São questões de ordem mais ideológica, de defesa ou ataque àquele político, àquela empresa, àquele grupo social. E, com uma frequência lamentável, tratam-se de assuntos pesados.

A leitura de um artigo da revista Piauí do mês de julho deste ano, me deixou alarmado nesse sentido. O título da reportagem é "Rachaduras no Paraíso", escrito pelo jornalista britânico Johann Hari, na edição 33 da citada revista. E fala sobre o lado desconhecido de Dubai. As propagandas internacionais voltadas para atração de mão de obra para o local, a situação em que vive essa mão de obra e o estilo de vida dos que têm dinheiro.

Até aí, "tudo bem". É uma reportagem, perdoem-me a expressão, tocante. Mas, como imaginei que os alvos das propagandas fossem países asiáticos, não fiquei muito preocupado. E aí vem o drama...

Há uns dez dias, no Jornal da Record, se não me engano, apareceu uma reportagem sobre os encantos de Dubai. Sobre a riqueza e o luxo. Sobre as possibilidades de emprego abertas às gentes pobres do terceiro mundo e a chance de se conseguir um bom pecúlio... sim, esse foi o momento do choque!

Além disso, essa novela global que foi filmada na Índia fez algumas boas propagandas de Dubai. Ontem mesmo, umas das personagens estava bem faceira porque iria fazer uma viagem para lá.

Bom, vamos ao porquê do meu alarde. Transcrevi abaixo alguns trechos da reportagem. E não farei mais comentário algum, pois não será necessário. A sensação que eu tenho é que se devia cortar os dedos e as línguas de certos jornalistas filhos da puta. E a quem dizer que sou contra a liberdade de imprensa, mando tomar no cú! Uma coisa é liberdade de imprensa e compromisso com a verdade - ou simplesmente com a própria fé - e outra é fazer propagandas de má fé que podem prejudicar significativamente a vida de alguém.

Seguem, abaixo, alguns trechos da reportagem:

"Entre os guindastes espalhados por toda parte, muitos estão paralisado, como que perdidos no tempo, e há inúmeros canteiros de obras inacabados, numa abandono completo. Nas construções mais arrojadas - como o hotel Atlantis, o pantagruélico castelo cor-de-rosa erguido numa ilha artificial em mil dias, ao custo de 1,5 bilhão de dólares - o teto está caindo aos pedaços. Nesta Terra do Nunca edificada num extremo do mundo, as rachaduras começam a aparecer. Dubai é uma metáfora viva do mundo globalizado neoliberal que pode estar desmoronando.
(...)
"Existem três Dubais diferentes, cada um girando em torno dos outros dois. Há os expatriados ocidentais, como Karen [uma moça entrevistada pelo jornalista], os árabes nativos ou dubaienses, liderados pelo xeque Mohammed, e a mão de obra estrangeira, que construiu a cidade e ali ficou presa. Essa última permanece invisível, apesar de estar por toda parte, enfiada em uniformes azuis e seguindo um regime de trabalho forçado.
"Todas as manhãs, os milhares de peões estrangeiros que constroem Dubais são levados dos canteiros de obras para uma imensidão de concreto, em pleno deserto , distante uma hora da cidade. Ali permanecem isolados. Até poucos anos atrás, eles eram transportados em caminhões de gado, mas diante do desagrado dos expatriados agora são levados em ônibus fechados, que funcionam como estufas no calor do deserto. Todos suam como esponjas sendo espremidas.
"Sonapur é uma cidade-dormitório de quilômetros e quilômetros de prédios de concreto, todos idênticos. Em hindi o nome significa "cidade do ouro". São cerca de 300 mil homens que moram amontoados. No primeiro acampamento que visitei, logo fui cercado por moradores, ávidos para desabafar com quem se dispusesse a ouvi-los. O lugar fede a esgoto e suor.
(...)
"Em Dubai, ao contratar uma empregada, você passa a exercer um poder quase absoluto sobre ela. Isso inclui reter seu passaporte, pagá-la quando quiser, decidir se ela terá direito à férias, e quando. Como a maioria dos empregados não fala árabe, as chances de escaparem dessa camisa de força são escassas.
(...)
"Por toda a cidade, projetos delirantes que antes estava "em obras" agora estão em ruínas. Entre eles, uma praia com ar-condicionado e um sistema de resfriamento da areia para os usuários não queimarem os pés no longo caminho entre a toalha e o mar.
(...)
"Dubai não é apenas uma cidade vivendo além de seus recursos financeiros. O emirado também vive além de seus recursos ecológicos. Vemos gramados bem cuidados, com irrigadores espirrando água para todos os lados, turistas fazendo fila pra nadar com golfinhos, pistas de esqui com neve de verdade construídas no interior de um shopping center, numa espécie de freezer do tamanho de uma montanha. Só que estamos em pleno deserto, num lugar que não tem água. Como isso é possível?"

Bom, isso é só uma palinha da reportagem. Se alguém quiser emprestada, é só pedir.

E devo fazer um último comentário. Esse jornalista é duramente criticado em um blog conservador. Bom, o dono do mesmo se diz conservador. E nada contra os conservadores, evidentemente. Clique aqui.

9.7.09

Minha escrita é previsível.

4.7.09

O franguinho da Sadia, sempre sorridente

No mundo cristão-"ocidental", a vida política e econômia foi sempre sensível à moral cristã. Geralmente, no sentido de ter sua dinâmica e força redirecionada ou aumentada. A violência feudal foi enviada para o mundo islâmico, com a promulgação da Paz de Deus e da Trégua de Deus. Sem elas, não haveriam Cruzadas.

Além disso, sem a ética protestante, a Inglaterra possivelmente não teria inventado o capitalismo.

Por mais religiosas que as Cruzadas e a ética protestante fossem, não eram cristãs em sentido restrito e original. Mas, ainda assim, a moral cristã era o elemento que lhes dava sentido e legitimidade.

Hoje, o capitalismo e as políticas estatais são laicas. Mas se utilizam dos rebentos modernos da moral cristã - a moral humanitária e a moral ecológica - como importantes instrumentos ideológicos.

A França, se não me engano, está entre os países que condenaram a Coréia do Norte por ter dado início à produção de material nuclear. Seu presidente, Sarkozy, anunciou que a França será o primeiro país a começar a campanha do desarmento, com a interrupção da produção de materiais de fissão explosivos e com o fim de testes nucleares. É engraçado, pois defendem o desarmamento atômico com um stock de 300 ogivas nucleares! Veja a notícia aqui.

A Wal-Mart entrou na campanha de substituição de sacolas de plástico pelas de pano. É uma empresa bem ecológica. Só espero que o próximo passo seja diminuir a quantidade de luz pra manter o Big ligado. E deixar seus funcionários estadunidenses se sindicalizarem.

Os termos politicamente corretos são símbolos de legitimiação muito disputados pelas grandes forças. A moral, seja ela qual for, é sempre necessária para pronunciamentos oficiais e propaganda. Seja para pôr um selo de garantia numa embalagem de gordura vegetal hidrogenada (basta dar uma olhada em revistas da década de 1970, como a Cruzeiro) ou para aplicar medidas nazistas à população "terrorista" palestina.

23.6.09

Questão de classe


Ouçam a nossa voz!


22/06/2009

Nós, professoras e professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Porto Alegre, localizada em Porto Alegre, Morro Santana, que atendemos 800 alunos – em sua grande maioria carentes – da educação infantil à oitava série do ensino fundamental, resolvemos abrir nosso coração e dividir com vocês algumas coisas que muito têm nos incomodado com relação aos (des) caminhos da Educação do RS.

Através deste documento, gostaríamos de tornar públicos nossos sentimentos em relação às mudanças que estão sendo veiculadas sobre nosso Plano de Carreira. Essas mudanças, do nosso ponto de vista, não têm por objetivo a melhoria da Educação Pública do RS, e sim, de transformar a escola em uma empresa. O objetivo de uma empresa é gerar lucros. O objetivo de uma escola pública é gerar cidadãos conscientes, capazes de interferir em suas realidades para transformar o mundo em um local mais fraterno, justo e humano. Isso não pode ser medido com números e índices de pesquisas.

Queremos manifestar nossa indignação não apenas com nosso baixo salário, pois este fato já é bastante conhecido do público em geral. Estamos indignados com a falta de respeito com que somos tratados por este governo, representado pela Secretária de Educação do RS e seus cargos de confiança. Em reuniões, jornais, televisão, rádio, eventos, etc, somos achincalhados, humilhados, chamados de acomodados, de preguiçosos, de estagnados, somos mostrados como “um peso” no orçamento estadual, nossas aulas são chamadas de “medíocres”, nossa formação é colocada como insuficiente. Em entrevista para a imprensa, a secretária declarou que “merecemos apanhar dos alunos” simplesmente pelo fato de reclamarmos nossos direitos cada vez que sentimos que eles estão sendo atacados e por sermos uma categoria organizada. Há anos lutamos pela Educação. É graças ao nosso esforço – e somente a ele – que o Rio Grande do Sul ainda tem os melhores índices de Educação do país.

Enquanto o governo corta investimentos em educação, descumprindo a lei de aplicar 35% do orçamento do Estado em Educação Pública, nós continuamos acreditando no aluno e trabalhando.
Nossa escola mantém projetos como: “Navegar é preciso, nas ondas da Língua Portuguesa”, um projeto interdisciplinar sobre a Reforma Ortográfica. Desde 2000, realizamos atividades dentro do “Projeto Consciência Negra” durante todo o último trimestre. Há anos mantemos o projeto “Idade Média na História, na Literatura e no cinema”, e “Mitos e Heróis Gregos”. Este ano, estamos organizando o projeto “Educando para a Cidadania”, envolvendo os professores de Ensino Religioso. Temos diversos projetos na Educação Infantil e anos iniciais. As fotos e os projetos na íntegra estão em nosso blog (http://escolaportoalegre.blogspot.com) .

Sempre mantivemos reuniões pedagógicas, atendimento aos pais, gincanas culturais e esportivas, passeios culturais e de lazer, palestras e oficinas para a comunidade entre outras atividades. Investimos na apresentação e auto-estima dos alunos, promovendo recolhimento de roupas e calçados, livros paradidáticos, material escolar. Fazemos questão de organizar as formaturas dos alunos da Educação Infantil e da oitava série, celebrando-as como momentos únicos e um ritos de passagem fundamentais em nossa escola. Com todo esse trabalho e investimento pessoal do corpo docente, percebemos a mudança de postura e o crescimento de nossos alunos como pessoas e cidadãos.

Não gostaríamos de perder todas essas conquistas históricas e as vitórias que já alcançamos com nossa comunidade. Em nossa escola, temos uma marca muito forte de profissionalismo e compromisso. Buscamos formação permanentemente, levamos a sério nossas reuniões e projetos, vemos nosso papel como central na comunidade onde estamos inseridos. Porém, ultimamente, esse sentimento vem mudando... Nosso dia-a-dia tem sido tomado por colegas desestimulados, entristecidos, precarizados, buscando advogados para garantir seus direitos mínimos. Nunca ouvimos tanto a palavra “exoneração”, “cansaço”, “doença”, “dores”. Há colegas buscando ânimo até em medicamentos, travando uma luta pessoal contra o próprio desânimo e baixa auto-estima.

Pedimos sua ajuda para que esta situação não se torne ainda mais grave. Queremos ser ouvidos e respeitados, pois a grande maioria de vocês, nossos interlocutores, passou pela escola pública como educandos ou como educadores.

Pedimos que divulguem esse documento, repassem, deem sugestões e nos ajudem a encontrar saídas, lutando ao nosso lado.

ASSINADO: Professores da Escola de Ensino Fundamental Porto Alegre

Texto encontrado em: http://www.diariogauche.blogspot.com/